Jeferson Miola: Dallagnol precisa desenhar o power point do juiz Moro

Jeferson Miola em 5/9/2017

É intrigante o aumento do silêncio do juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Lava-Jato.

O silêncio deles é diretamente proporcional ao surgimento das novas revelações sobre os vínculos de Carlos Zucolotto Jr. e de Rosângela Moro com Rodrigo Tacla Duran, ex-funcionário da Odebrecht e foragido da justiça.

O juiz midiático e os não menos espalhafatosos procuradores da Lava-Jato, sempre muito loquazes e garbosos frente às câmeras, os microfones e os púlpitos nos quais proferem suas rentáveis palestras, curiosamente parecem acometidos por uma síndrome de comedimento verbal.

Depois que Tacla Duran denunciou a proposta de suborno de Zucolotto Jr. – seriam US$5 milhões em troca de favorecimento em acordo de delação a ser firmado com a força-tarefa da Lava-Jato – Moro e os procuradores se pronunciaram numa única ocasião, através de notas oficiais intencionalmente genéricas.

Assim mesmo, se manifestaram sem a ira e a indignação habitual com que reagem sempre e quando questionados. Além disso, espantosamente não anunciaram processos judiciais contra Tacla Duran, o que seria esperável caso se sentissem vítimas de crimes de calúnia, injúria e difamação.

Carlos Zucolotto sequer se pronunciou. Decerto ele se sentiu dispensado de prestar contas à sociedade, diante do gesto de solidariedade do juiz Moro, que estranhamente se incumbiu de defendê-lo. Em nota oficial, Moro declarou:

“O advogado Carlos Zucolotto Jr. é advogado sério e competente, atua na área trabalhista e não atua na área criminal…. O advogado Carlos Zucolotto Jr. é meu amigo pessoal e lamento que o seu nome seja utilizado por um acusado foragido e em uma matéria jornalística irresponsável para denegrir-me”.

Rosângela é esposa de Moro, e Zucolotto o “amigo pessoal” e padrinho de casamento da Rosângela com o juiz Moro.

Rosângela e Zucolotto tiveram sociedade no escritório de advocacia que representava o escritório de Tacla Duran no Paraná, e eles receberam honorários por isso, como comprova o levantamento da Receita Federal.

O escritório de Rodrigo Tacla Duran, sabia-se já em 2015, quando a Receita Federal levantou as informações sobre o trabalho prestado por Zucolotto e Rosângela Moro [coincidentemente, Rosângela se desligou do escritório de Zucolotto na época em que o mesmo entrou no radar de investigação da PF e Receita Federal], era dedicado às falcatruas de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O mínimo que se esperaria de Moro e dos procuradores da Lava-Jato seria o compromisso com o esclarecimento cabal dos fatos, para afastar quaisquer dúvidas sobre fatos que tem o potencial de escândalo da proporção de uma hecatombe.

O pregador religioso e procurador Deltan Dallagnol – que, aliás, sumiu desde que foram revelados detalhes dos seus investimentos no programa Minha Casa Minha Vida e no setor de palestras milionárias – bem que poderia dedicar seu recolhimento no ostracismo temporário para desenhar o power point do juiz Sérgio Moro.

Se fossem aplicados os mesmos critérios do Sérgio Moro e dos procuradores da Lava-Jato, este assunto seria tratado como um megaescândalo, com conduções coercitivas, coletivas à imprensa, acobertamento do STF, cobertura integral no Jornal Nacional etc.

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