Cracolândia: “Toda vez que eu estiver no comando, é bomba à vontade”, diz comandante da GCM

O inspetor de agrupamento Cesar Filho: “Bombas à vontade” contra dependentes químicos.

Em áudio obtido com exclusividade pelos Jornalistas Livres, o inspetor de agrupamento Cesar Filho elogia ação de seus comandados contra moradores de rua na Cracolândia e faz apologia do uso da força pela corporação.

Gustavo Aranda e Vinícius Segalla, via Jornalistas Livres em 30/8/2017

O inspetor da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo José Aparecido Cesar Filho, que comanda as operações da instituição na Cracolândia, no centro de São Paulo, afirmou em discurso proferido para seus comandados que, enquanto ele estiver no comando das ações da corporação, haverá “bomba à vontade”.

Em seu discurso, cujo áudio foi obtido pelos Jornalistas Livres, o inspetor parabeniza suas tropas pelas ações que realizaram em conjunto com a Polícia Militar na Cracolândia, em abril deste ano. “Parabéns pela representação da firma no QRU (ocorrência) de hoje. […] Toda vez que eu tiver no comando, é bomba à vontade”, avisa o inspetor. Clique aqui para ouvir.

A ação da GCM que é elogiada pelo inspetor foi muito criticada por autoridades públicas de defesa da cidadania e manutenção da ordem legal, exatamente pela truculência utilizada pelos guardas contra moradores de rua e dependentes químicos que frequentam o local.

Sobre as recentes ações da Guarda, o ouvidor-geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Alderon Costa, afirmou que GCM está se constituindo em uma espécie de “Polícia Militar do município”, o que é contrário à sua função legal, além de cometer excessos e ilegalidades como invasão de residências e agressões despropositadas a cidadãos. “A prefeitura vai, derruba e depois vê no que dá. Não estamos no Estado de Direito mais. Toda a gestão é feita no modelo de polícia repressora, inclusive com o grupo de elite que funciona como a Rota, é tudo muito semelhante”, resumiu o defensor público.

O grupo de elite a que ele se refere é o Iope (Inspetoria de Operações Especiais), exatamente o setor que o inspetor de agrupamento Cesar Filho diz comandar.

Os Jornalistas Livres procuraram a Guarda Civil Metropolitana e enviaram à assessoria de comunicação do órgão o arquivo contendo a fala do inspetor Cesar a seus comandados, para que pudessem explicar em qual contexto o discurso foi proferido e por qual motivo ele defende o uso de “bombas à vontade”.

Abaixo a resposta da GCM:

“Ao contrário do que diz o áudio e a solicitação do jornal, o inspetor Cesar Filho não atua na Inspetoria de Operações Especiais (IOPE) e não assumiu o Comando de Operações Especializadas, uma vez que esta divisão nem existe na corporação. De acordo com o inspetor, trata-se de áudio enviado em abril, em grupo de amigos e a frase sobre a bomba não foi proferida no sentido literal. De todo modo, ao tomar conhecimento do áudio, a Secretaria de Segurança Urbana solicitou que o setor de disciplina do Comando da Guarda Civil Metropolitana verifique o caso e, se constatada alguma irregularidade no ato, encaminhe a questão para a Corregedoria”.

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CRACOLÂNDIA MUDA DE LUGAR PELA QUARTA VEZ DESDE MEGAOPERAÇÃO POLICIAL
Daniel Mello, via Agência Brasil em 30/8/2017

A concentração de usuários de drogas da Cracolândia, na região da Luz, no centro da capital paulista, mudou na quinta-feira, dia 31/8, novamente de lugar. É a quarta vez que a aglomeração de pessoas é deslocada desde a megaoperação policial ocorrida em 21 de maio, que retirou o chamado fluxo da esquina da Rua Dino Bueno com a Rua Helvétia.

O movimento ocorreu de forma tranquila, apesar da presença de forte contingente da Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana.

Agora, os moradores e frequentadores estão concentrados na chamada Praça do Cachimbo, localizada na esquina com a Rua Helvétia, de onde tinham sido retirados há cerca de duas semanas, em ação com uso de bombas de gás e força policial. No período, o grupo ficou estabelecido na Praça Júlio Prestes, enquanto a outra era reformada.

A principal mudança na Praça do Cachimbo é a substituição dos paralelepípedos por um chão cimentado para evitar que sejam retirados. Os usuários ouvidos pela Agência Brasil admitiram que lançavam pedras contra os policiais em momentos de conflito.

A Polícia Militar disse que a mudança de hoje foi planejada para garantir mais segurança, principalmente porque retirou os usuários do ponto com maior circulação de pessoas e veículos. Segundo a corporação, a reforma da praça foi pensada para que o local voltasse a receber o grupo.

Em maio, logo após a ação policial, os usuários de drogas foram para a Praça Princesa Isabel, onde permaneceram até serem levados para a Praça do Cachimbo.

No último dia 14, outra ação da Polícia Militar levou as pessoas a se concentrarem na Praça Júlio Prestes, em frente à estação de trens e da Sala São Paulo, que recebe concertos de música erudita e eventos.

Programa Redenção
Por ocasião da ação de maio, o prefeito João Doria chegou a anunciar o fim da Cracolândia, mas o número de pessoas no grupo ainda é considerável.

Nos últimos meses, a administração municipal colocou em funcionamento o Programa Redenção, em substituição ao De Braços Abertos, baseado em redução de danos, implantado pela gestão anterior. Foram instalados contêineres adaptados para a pessoas fazerem pernoite, refeições e uso de banheiro.

Um dos focos do programa é convencer os usuários a se internarem para fazer tratamento.

Relatório conjunto elaborado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP), Defensoria Pública e conselhos de classe, divulgado na terça-feira, dia 29/8, mostrou diversas falhas no Programa Redenção.

Segundo o documento, a iniciativa da prefeitura é ineficaz. Foram apontadas falhas como falta de alternativa à internação, inexistência de um projeto terapêutico individualizado, falta de profissionais nas unidades de saúde, ociosidade dos pacientes durante a internação e falta de acompanhamento após a desintoxicação.

O coordenador chefe do Programa Redenção, Arthur Guerra, participou da apresentação do relatório e disse que todos os ajustes citados serão cumpridos.

“Não achamos que a internação seja um mecanismo mágico, milagroso, que vai resolver o problema dos pacientes. Em nenhum lugar do mundo é assim. Desenvolvemos um núcleo gestor que tem a função de ir aos hospitais e identificar para onde o paciente internado vai quando sair”, disse Guerra.

Uma resposta to “Cracolândia: “Toda vez que eu estiver no comando, é bomba à vontade”, diz comandante da GCM”

  1. heloizahelenapiasblog Says:

    tem q acabar com esta cracolandia sim, é muito crime cometido nesta área, ali n tem inocente e sim somente criminosos. quem permanece ali n tem bom antecedentes, então tem q acabar com tudo.

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