Eletrobras: Um “cavalo de troia” das privatizações

Carlos des Essarts Hetzel, via Jornal GGN em 29/8/2017

Continua a incontrolável obsessão de Temer pela entrega de todo e qualquer patrimônio nacional, que represente a certeza de desenvolvimento do país com soberania e independência.

Depois da tentativa de repassar toda a infraestrutura de telecomunicações “de graça”, no valor subavaliado de R$105 bilhões às operadoras, chegou a hora da privatização da Eletrobras, um verdadeiro presente dos deuses para o capital internacional e um “presente de grego” para o povo brasileiro.

A privatização não está sendo preparada por amadores, mas por profissionais altamente qualificados em desnacionalizar o patrimônio nacional.

Neste caso, a estratégia é a do “cavalo de troia”. Dentro, escondido em nas entranhas, um segredo estratégico que ninguém pode ver.

Vamos aos fatos.

Os eixos principais dessa privatização, conforme descrito em documento entregue aos parlamentares do Congresso Nacional pela Federação dos Urbanitários, Sindicato dos Urbanitários de PE e Coletivo Nacional dos Eletricitários, são:

Privatização: repasse dos ativos da Eletrobras para o setor privado com o objetivo de tapar o rombo fiscal. De acordo com a proposta apresentada, 1/3 do valor arrecadado ficaria com a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e os outros 2/3 ficariam com a União, que poderá ou não repassar esse valor à Eletrobras.

Transferência do mercado regulado para o mercado livre da energia das usinas hidrelétricas com consequente elevação das tarifas para os consumidores.

A energia produzida por essas usinas passaria do valor médio de R$40,00/MWh para quase R$200,00.

O Ministério das Minas e Energia propõe a retirada, até 2028, de todos os subsídios para as fontes alternativas (Eólica, Solar, Biomassa), o que certamente freará o avanço do país nessas áreas, comprometendo inclusive os compromissos do Brasil com as metas do acordo climático firmado na COP-21.

Outro efeito nocivo será a criação de um mercado especulativo de energia, já que o governo propõe a ampliação do mercado livre para consumidores de até 75 KW. Ou seja, será criado um sem número de agentes atravessadores de energia no varejo que vão ganhar dinheiro sem produzir um único kWh de energia.

As consequências desse modelo que transforma a energia elétrica, um bem de interesse público, em um simples produto de mercado, serão desastrosas.

Como se não bastasse tanto entreguismo e desapego com o patrimônio nacional, com a nossa soberania, gostaria de esclarecer que este pacote de maldade, não para por aqui.

As rotas dos cabos de alta tensão, os chamados linhões, carregam em seu núcleo cabos de fibras óticas, que formam uma das maiores redes de fibra do planeta utilizando a tecnologia OPGW. Ou seja, entregam a Eletrobras a preço de banana podre e o comprador, com certeza, multinacional, leva, de lambuja, a maior rede de fibra óptica do país e uma das maiores do mundo.

A rede que forma um “cinturão óptico” foi construída ao longo de décadas por empresas estatais, ou seja, com dinheiro público, mais propriamente pela Eletrobras, com finalidades específicas como, por exemplo, o serviço de comunicação de dados em alta velocidade, a famosa “Banda Larga”, hoje prestado pela Telebras/Eletronet. Os contratos de prestação de serviços essenciais, certamente serão revistos quando privatizado o setor elétrico, com enorme prejuízo à população.

Rede atual da Eletrobras

Esta entrega é uma verdadeira afronta ao povo brasileiro e um desprezo e desrespeito à segurança nacional, logo, às Forças Armadas.

Como jabuti não sobe em árvore, devemos estar cientes que, isto que estamos vendo, mais uma vez, foi colocado por Temer.

Energia elétrica é a chave, comunicação o meio para o desenvolvimento do Brasil.

Este é o “combo” da entrega de setores estratégicos e essenciais da nossa soberania, que devemos evitar, pois não merecemos que esses apátridas entreguem de vez o nosso país.

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