Tereza Cruvinel: Sem Lula na disputa, as eleições de 2018 não terão legitimidade

Tereza Cruvinel em 28/8/2017

No domingo, dia 27/8, 49,7% dos amazonenses preferiram não votar ou anular o voto na eleição de um novo governador do estado, por conta da anulação do pleito de 2014. Pesquisa do Instituto Ipsos sobre a rejeição aos políticos também avisou: os líderes de todos os grandes partidos têm rejeição elevadíssima, muito superior à do ex-presidente Lula. Este quadro aponta um quadro temerário caso Lula seja impedido de disputar a eleição de 2018: o eleitorado nacional pode fazer como o do Amazonas e o novo presidente, se eleito por uma fração reduzida do eleitorado, terá um déficit de legitimidade perigoso, que afetará suas condições de governar, sujeitando o Brasil a uma continuada instabilidade política, com todas as suas consequências.

Amazonino Mendes foi eleito com 59% dos votos válidos, mas como a soma de brancos, nulos e abstenção foi de 49,7%, isso significa que o novo governador teve o apoio efetivo de cerca de 30% dos eleitores. Ou seja, 59% de 50,3% do eleitorado. Na prática, será um governante minoritário na sociedade, carregando um expressivo déficit de legitimidade.

Relativamente à rejeição, a pesquisa Ipsos é reveladora. O campeão de rejeição é naturalmente Temer, com 93,3%, seguido de Aécio Neves (PSDB) com 91,3%. Noves fora Eduardo Cunha, a lista segue, em ordem decrescente, com Renan Calheiros, José Serra, FHC, Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin e Rodrigo Maia, todos com rejeição superior à de Lula, que aparece com 66%, em quase empate com Ciro Gomes e Marina Silva. Na mesma pesquisa, é Lula que aparece com o maior índice de aprovação, 32%, batendo de longe os nomes do PSDB e todos os outros candidatos.

Se este retrato da rejeição ampla e geral aos políticos aumenta a incerteza sobre a eleição de 2018, o fato de Lula ser um dos menos rejeitados e o mais aprovado, além de líder de preferência em todas as pesquisas eleitorais, aponta para os limites de uma eleição da qual ele seja excluído. A rejeição ao “sistema” tende a se aprofundar, traduzindo-se em índice de absenteísmo similar ou maior do que o verificado no pleito sazonal do Amazonas.

Se tiver juízo, a elite política e econômica compreenderá que a candidatura de Lula tornou-se o único fator de equilíbrio capaz de garantir uma saída da crise por dentro do sistema político. Com Lula na lista de candidatos, para ganhar ou perder, a eleição terá uma participação legitimadora. Sem ele, torna-se elevada a possibilidade de um pleito que sufragará um presidente minoritário, carente de legitimidade e destinado a ser apenas um gerente da crise que continuará devorando o Brasil.

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