Lula indica advogado que acusa amigo de Moro como testemunha, mas pedido é negado

Moro e o amigo Zucolotto.

Mônica Bergamo em 29/8/2017

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentaram, na terça-feira, dia 29/8, requerimento “urgente” ao juiz federal Sérgio Moro pedindo a substituição de uma testemunha de defesa do petista que deporia amanhã, pelo advogado Rodrigo Tacla Duran, que já trabalhou para a Odebrecht.

No pedido, os advogados citam reportagens de autoria da própria colunista, que contam que Duran escreve um livro em que acusa o advogado Carlos Zucolotto Jr., amigo e padrinho de casamento de Moro, de tentar interferir junto à força-tarefa da operação Lava-Jato para melhorar um acordo de delação premiada. Em troca, Zucolotto receberia dinheiro via caixa dois para distribuir a pessoas que colaborariam com o processo.

Na ocasião, o juiz Moro afirmou, em nota, ser “lamentável que a palavra de um acusado foragido da Justiça brasileira seja utilizada para levantar suspeitas infundadas sobre a atuação da Justiça”. Tacla Duran atualmente encontra-se na Espanha, país em que tem cidadania. O advogado chegou a ter prisão decretada por Moro e ser detido no país europeu no fim do ano passado, mas foi solto um mês depois. A Espanha negou extradição para o Brasil.

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DURAN É MENTIROSO E FANTASIOSO, ACUSA MORO AO NEGAR PEDIDO DE LULA
“Não tem este julgador qualquer óbice a que sejam apuradas as mentirosas e fantasiosas afirmações extra-autos do foragido Rodrigo Tacla Duran”, posicionou-se pessoalmente o juiz do Paraná.
Patricia Faermann, via Jornal GGN em 29/8/2017

“A palavra de pessoa envolvida [Rodrigo Tacla Duran] […] não é digna de crédito, como tem reiteradamente decidido este Juízo e as demais Cortes de Justiça, ainda que possa receber momentâneo crédito por matérias jornalísticas descuidadas”, afirmou o juiz Sérgio Moro, como resposta ao pedido de incluir Duran como testemunha da defesa de Lula.

Os advogados do ex-presidente pediram que Rodrigo Duran entre como testemunha, após as divulgações da jornalista Mônica Bergamo de que o advogado Carlos Zucolotto, que atuava no acordo de delação de Duran, cometeu tráfico de influência e cobrou propina para fechar a negociação, sendo ainda amigo pessoal do atual juiz da Vara Federal de Curitiba e tendo atuado no mesmo escritório de advocacia da esposa do magistrado, Rosângela Moro.

Acusado de lavagem de dinheiro e organização criminosa e foragido no exterior, com prisão decretada por Sérgio Moro, Duran contou à jornalista que prometia publicar em livro os bastidores do jogo de influência entre seu advogado e a equipe da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba.

Com o escândalo, cobranças de respostas vêm sendo feitas a Moro, que admitiu que sua esposa teve sociedade com o escritório de Carlos Zucolotto, além de ter saído em defesa do advogado em nota oficial. A defesa de Lula decidiu, então, solicitar que Rodrigo Tacla Duran seja a testemunha de defesa, uma vez que outra arrolada, Maria Lúcia de Oliveira Falcon não foi encontrada oficialmente, por motivos de viagem.

“O requerimento deve ser indeferido”, decidiu Moro. “Não há base legal para a substituição de testemunha pretendida […]. Quanto a Rodrigo Tacla Duran, se a Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva tinha a oitiva dele como pertinente, deveria ter requerido a medida na resposta preliminar, máxime porque tal pessoa encontra-se no exterior, sendo a oitiva longa e demorada”, tentou justificar o juiz.

O magistrado de Curitiba entendeu, ainda, que o fato de Duran não ser acusado de participar do esquema que recai contra Lula, não seria digno de ser arrolado como defesa.

Por fim, Sérgio Moro usou o despacho para novamente se defender: “Não tem este julgador qualquer óbice a que sejam apuradas as mentirosas e fantasiosas afirmações extra-autos do foragido Rodrigo Tacla Duran. Mas não cabe fazê-lo nestes autos por motivos meramente protelatórios e duvidosos”.

Arquivo
Pedido da defesa de Lula
Despacho de Sérgio Moro negando pedido

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“Se a acusação do advogado Rodrigo Tacla Duran fosse contra alguém do PT, e não contra o Sérgio Moro, pode ter certeza que no domingo ele seria entrevistado no Fantástico. É assim a imprensa parcial”.
Gerson Carneiro

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