Luis Nassif: O pano de fundo para privatizar a Eletrobras

A 3G E O NEGÓCIO DO SÉCULO COM A ELETROBRAS
Luis Nassif, via Jornal GGN em 27/8/2017

O pano de fundo da privatização da Eletrobras é o seguinte.

O pai da ideia é o Secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, operador colocado para dar as cartas no MME. O ministro é figura decorativa.

Pedrosa é ligado ao fundo de private equity GP Investimentos, que nasceu das entranhas do Banco Garantia.

GP é Garantia Partners, que comprou a Cemar (Centrais Elétricas do Maranhão) quando essa estava sob intervenção da Aneel depois de ter sido devolvida pela Pennsylvania Power and Light, que perdeu US$330 milhões na primeira privatização da Centrais Elétrica do Maranhão e a entregou de volta por US$1,00.

Foi dada de graça a esse grupo apesar de haver uma proposta com dinheiro a vista do grupo norte-americano Franklin Park, operador do Fundo Guggenheim, um dos maiores fundos de private equity norte-americanos. Mas foi um leilão de cartas marcadas, no qual o trunfo do comprador estava na facilidade em renegociar os passivos da empresa com a Eletrobras.

Daí nasceu a Equatorial Energia, que depois comprou a Celpa (Centrais Elétricas do Pará).

Denunciei essa operação quando colunista da Folha de S.Paulo, através das colunas

O Caso Cemar, de 5 de abril de 2005
Gato no setor elétrico, de 4 de abril de 2005
O quebra-cabeças da Cemar, de 6 de abril de 2010

onde mostrava a influência do grupo de ACM e Sarney e dos movimentos incompreensíveis da Eletrobras.

O Ministério Público da Suíça tem um dossiê sobre as operações com a Cemar, e chegou a investigar o episódio através da Embaixada da Suíça em Washington. Mas, depois que perderam, os norte-americanos preferiram não se envolver.

Em todo caso, se o MPF brasileiro pedir o dossiê, é possível que o Ministério Público suíço colabore. Na época, tinham rastreado o dinheiro da propina e chegado ao beneficiário final.

A Equatorial faz parte do grupo de controle da Light Rio.

Paulo Pedrosa foi Conselheiro da Equatorial, da Celpa, da Cemar e da Light, portanto ligado ao grupo Equatorial que é controlado pelo GP Investimentos, hoje com novo nome de 3G.

O fundo 3G é hoje o segundo maior acionista privado da Eletrobras e foi um dos grandes compradores de ações na véspera do anuncio da privatização. A CVM está investigando. Para não aparecer, o 3G usou o J.P.Morgan e mais dois bancos como fachada.

Há vários meses há um grupo de trabalho interno da 3G debruçado sobre os ativos e passivos da Eletrobras.

A meta é assumir o controle da Eletrobras, o grande alvo do grupo Equatorial. Se bem-sucedido, seria um negócio do “padrão GP”. A Eletrobras, companhia com ativos avaliados em R$400 bilhões a R$600 bilhões, com dividas de R$39 bilhões e passivos ocultos de R$64 bilhões, mas que podem ser liquidados por um terço disso e cujo controle pode ser comprado por R$15 bilhões.

Seria o negócio do século. Com R$15 bilhões, o 3G compraria um patrimônio líquido real de R$300 bilhões a R$350 bilhões, uma operação na escala da Ambev e melhor ainda que esta.

Há pouco tempo o grupo 3G tentou comprar o controle da Unilever, e foi barrada pelo governo britânico, desconfiado do estilo corsário do grupo.

É um conflito de interesses gigantesco. Paulo Pedro, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, o idealizador do anúncio de privatização da Eletrobras. Sendo conselheiro de todas as empresas do Grupo Equatorial por trás do qual está a 3G.

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