EUA assumem controle de 83% da importação brasileira de óleo diesel

Via O Cafezinho em 18/7/2017

Em agosto de 2015, o juiz Sérgio Moro estava em plena campanha em favor do golpe. Dava palestras onde quer que lhe chamassem e suas decisões seguiam uma agenda estritamente conectada às forças de oposição que conspiravam para derrubar o governo Dilma.

No dia 31 daquele mês, Moro proferiu uma palestra com o tema “Corrupção sistêmica: as lições da operação Mãos Limpas”, num evento organizado pela editora Abril, em São Paulo.

O juiz responsável pela operação Lava-Jato, então no auge de sua popularidade, explicava aos executivos que se dispuseram a pagar R$1.800 por um ingresso, o que, na sua opinião, eram investimentos não baseados em razões de “ordem econômica e racional”.

Como exemplo, ele cita a refinaria Abreu e Lima, lembrando que o custo inicial da obra, estimado em US$2 bilhões, passara para US$18 bilhões.

Moro conta que alguns “colaboradores” capturados pela Lava-Jato lhe disseram que a obra jamais se pagaria.

Trajando seu tradicional terno preto, com uma expressão aflita no rosto, o juiz de Curitiba conclui que tudo isso “leva a uma natural suspeição: será que o fator de recebimento de propina não foi o agente motivador dessas decisões de investimento mal-sucedidas?”

Neste mesmo evento, ele admitiu que a operação Lava-Jato poderia causar transtornos a economia. Mas ele acreditava que, no longo prazo, o enfrentamento da corrupção sistêmica traria ganhos “às empresas” e “a economia”. Ele faz uma pausa e completa: “e a todos, de uma forma geral”.

Qualquer pessoa que estude um pouco o universo de refinarias, sabe que o escândalo em torno do custo da Abreu e Lima fez parte do processo de manipulação da opinião pública. O custo passou de 2 bilhões para 18 bilhões porque o projeto mudou completamente. Para começar, o custo inicial foi estimado em 2005, antes do descobrimento do pré-sal. O custo posterior refere-se a um projeto completamente diferente, após a descoberta pré-sal. Ninguém contou isso a Sérgio Moro?

Se você fizer uma pesquisa na internet sobre o custo de se construir uma refinaria, verá que ele, naturalmente, é calculado de acordo com a sua capacidade de produção.

Uma reportagem publicada apenas uma semana depois da palestra de Moro, num jornal do Canadá, comentava que uma refinaria em Alberta, com capacidade para processar 50 mil barris por dia, teria um custo de construção de US$8,5 bilhões.

A Abreu Lima deverá (ou deveria, antes do golpe) ter capacidade de processar, quando todas suas unidades estiverem em pleno funcionamento, 230 mil barris por dia. Ou seja, quatro vezes mais do que a refinaria canadense. Logo, deveria custar mais de US$24 bilhões.

Outra reportagem, publicada num jornal indiano, em julho do ano passado, fala que uma refinaria a ser construída na costa oeste do país, deverá custar mais de US$30 bilhões. Ela terá capacidade, segundo os planos das estatais responsáveis pelo projeto, de processar mais de 600 mil barris por dia. O custo é apenas uma estimativa, porque o governo ainda nem adquiriu as terras onde a refinaria será construída. O projeto é que a refinaria fique pronta em cinco ou seis anos a partir da aquisição das terras. Torçamos para que a obra não atrase, não custe muito mais do que o orçamento inicial, mas, sobretudo, que não apareça nenhum juiz indiano doido, megalomaníaco, que pretenda acabar com a corrupção na Índia através da destruição de sua indústria de petróleo.

O excelentíssimo Sérgio Moro deveria se informar melhor. A Abreu e Lima, assim como qualquer outra refinaria que viesse a ser construída no Brasil, não devem ser vistas apenas em função de seu custo de construção.

O Brasil, ainda hoje, é altamente deficitário em óleo diesel, gasolina e derivados. Essa é uma das consequências do golpe de 1964. Moro não deve conhecer história. Se tivesse tido a curiosidade de ler alguns livros, saberia que o golpe de 64 foi patrocinado pelos norte-americanos com o objetivo de assumir o controle sobre algumas orientações básicas da nossa política econômica. Era necessário, por exemplo, que a nossa estrutura de transporte fosse inteiramente baseada em rodovias. Como não tínhamos petróleo, muito menos refinarias importantes, teríamos que importar grandes quantidades de óleo diesel dos principais países exportadores, em especial os Estados Unidos.

Outra coisa que o senhor Moro parece não entender: o preço do diesel, principal combustível de nossa frota de caminhões, é um componente determinante na composição dos preços de produtos alimentícios vendidos no mercado interno brasileiro. Ter refinarias significaria ampliar o controle nacional sobre o preço dos nossos próprios alimentos, o que nos ajudaria a enfrentar a inflação e a planejar melhor a nossa economia.

Não é com juros altos que se combate a inflação, e sim com preços estáveis da energia e melhora da infraestrutura logística do país.

O plano de termos um conjunto de refinarias, condizentes com o nosso tamanho, é um sonho vinculado ao projeto de país soberano, com indústrias fortes. Mas talvez isso seja informação demais para um juiz provinciano.

Sérgio Moro também não conhece os números da balança comercial brasileira. Como só lê Veja e Globo, ficou achando que a Abreu e Lima era desperdício de dinheiro público, e que a decisão de construí-la nasceu apenas em função da propina a ser dada ao Paulo Roberto Costa…

Neste post, vamos tentar oferecer, gratuitamente, ao juiz Sérgio Moro, algumas informações importantes sobre seu país, e de quebra revelar alguns fatos intrigantes que aconteceram desde o impeachment.

O Brasil importou, no acumulado dos últimos seis anos, o equivalente a US$37 bilhões em óleo diesel. Ou seja, só com o que gastamos na importação de óleo diesel durante metade da era Lula/Dilma, poderíamos construir mais de duas refinarias Abreu e Lima.

Uma resposta to “EUA assumem controle de 83% da importação brasileira de óleo diesel”

  1. Geraldo Lobo Says:

    O QUERIDINHO DA REDE G-ROUBO ENGANA A TODOS (jamais se engana, pois isso é parte de sua tramoia geral) QUE QUEIRAM SER ENGANADOS SISTEMATICAMENTE ! NÃO SE CONCEBE QUE UMA PESSOA INFORMADA COMO ELE DEVERIA SER, PASSE IDEIAS, FATOS E INFORMAÇÕES TÃO EQUIVOCADOS, NÃO FOSSE O SEU INTERESSE ASSENTADO EM FAZE-LO EM SEU BENEFÍCIO E DE OUTROS QUE O SIGAM. O QUERIDINHO DA REDE G-ROUBO É OUTRO LADRÃO QUE SURRUPIA INFORMAÇÕES PRECISAS E CERTAS EM SEU BENEFÍCIO: DEPOIS VAI DIZER QUE NÃO SABIA DE NADA! ORA SE NÃO SABIA DE NADA DEVERIA TER FICADO CALADO!

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