O UFC entre Gilmar Mendes e Rodrigo Janot

Luis Nassif, via Jornal GGN em 22/8/2017

Vamos combinar.

No UFC entre Gilmar Mendes e Rodrigo Janot vale pernada, chute no saco e dedo no olho, conforme os juízes do Supremo Tribunal Federal admitem. Mas não vale atacar esposas, filhas e mães.

O patrocínio ao IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), por uma entidade presidida pelo réu, deveria ser motivo mais que suficiente para Gilmar se declarar impedido. Mas como o STF aceita pernada, chute no saco e dedo no olho, e aceita que seus ministros julguem processos em que são partes empresas que patrocinam seus próprios eventos, os procuradores procuraram apimentar a denúncia envolvendo a senhora Gilmar Mendes, Guiomar Feitosa.

Levantaram os seguintes fatos:

1) Um sobrinho de Guiomar se casou com a filha do réu. E?
2) No celular do réu havia o número do telefone de Guiomar. E? Não há registros de ligações, de mensagens trocadas.
3) O irmão de Guiomar e o réu são dois de um grupo de sócios em uma companhia de ônibus.
4) O réu tem como advogado a parte carioca do escritório Sérgio Bermudez, do qual Guiomar é sócia do escritório de Brasília. Ora, o próprio Janot sabe, por experiência familiar que, em um escritório de advocacia, ganha quem indica o cliente e quem defende a causa. Não há nenhuma indicação de que Guiomar tenha defendido qualquer causa do réu.

O que parece é o seguinte.

De um lado do ringue tem um grandão sem nenhum escrúpulo. Há um caminhão de casos passíveis de investigação, não fosse ele ministro do STF. Há a venda de cursos para o Tribunal de Justiça da Bahia nas vésperas da intervenção do Conselho Nacional de Justiça; patrocínios aos seus seminários por grupos com causas no Supremo, tendo ele como relator.

E não adianta alegar que ele, Gilmar, não tem nada a ver com a administração do IDP. Quando decidiu afastar o antigo sócio, Inocêncio Mártires, sua alegação era de que o IDP prosperava graças à sua influência. Se o MPF fosse mais audacioso, poderia requerer até auditoria nos sistemas de sorteio do Supremo.

Mas como o adversário é grandão, o máximo que o PGR faz é jogar para a plateia, dando jabs de leve para não parecer que está com medo, mas, ao mesmo tempo, para não irritar demasiadamente o grandão.

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