Os sábios tecnocratas da equipe econômica de Temer

8 MITOS (OU 7 ERROS E UM EQUÍVOCO) DE SÁBIO TECNOCRATA
Fernando Nogueira da Costa, via Blog Cidadania & Cultura em 20/8/2017

Marcos Mendes, chefe da Assessoria Econômica do Ministério da Fazenda, faz pelo menos uma mitificação em documento oficial do governo golpista “20 mitos sobre a reforma da Previdência”.

Argumenta que:

1) a Previdência é o principal componente da despesa primária da União, respondendo em 2017 por 57% do total;
2) recursos só podem ser usados para pagar os juros da dívida pública se o governo consegue fazer superávit primário, o que não ocorre desde 2013;
3) assim, não se pode afirmar que o governo tem desviado recursos que seriam destinados à Previdência Social para pagar juros;
4) o não pagamento de juros da dívida pública é o mesmo que calote, o que afugentaria os investidores que carregam a imensa dívida bruta;
5) a reforma da Previdência Social representa um sinal de solvabilidade do governo – capacidade de pagamento de sua dívida;
6) quanto maior o déficit da Previdência, mais recursos o governo precisa tomar emprestado;
7) isso significa que sobra menos dinheiro para ser emprestado para empresas que querem investir e às famílias que querem consumir;
8) o resultado é taxa de juros mais elevada, menos crescimento econômico, menos emprego e menos renda.

Esses oitos mitos (ou 7 erros e um equívoco) do sábio tecnocrata demonstram a incompetência da atual equipe econômica, nomeada pelo governo golpista, embora ela seja louvada cotidianamente pelos “célebres midiáticos neoliberais” desde o golpe em 2016. Ela aprofundou a maior depressão da história econômica e os idiotas, que não têm consciência do mal que fazem a si e ao País, ainda a exaltam!

A outra volta do parafuso é resultado de uma reunião de colegas neoliberais que se divertem contando histórias de horror para os 14 milhões desempregados. Em círculo vicioso, os idiotas cada vez apertam mais o parafuso, aprofundando a depressão. A overdose de juros os tornou ainda mais milionários, sem fazer nenhuma força, viciados que estão nessa droga inebriante que aumenta a renda do capital financeiro em desfavor da renda do trabalho.

Agora, a queda do produto real se soma à queda do ritmo que esperavam de crescimento inflacionário da renda nominal. Assim, não alcançam sequer a arrecadação fiscal prevista por eles mesmos. Terão de aumentar ainda mais a meta fiscal de déficit primário já escandalosa.

Cabe lembrar as “pautas-bombas” que o assecla do quadrilhão do peemedebismo (e aliados tucanos), Eduardo Cunha, lançava contra a presidenta eleita. Os golpistas “parlamentaristas” não toleravam aprovar um déficit muito menor antes de tomarem o Poder Executivo. E agora?! Vão pra rua, golpistas neoliberais!

Confira as falsidades dos argumentos do tecnocrata do governo golpista:

1) segundo dados do Banco Central (veja quadro da NFSP), a Previdência (INSS) não é o principal componente da despesa nominal da União já que responde, em junho de 2017, apenas por 2,6% do PIB no déficit nominal (NFSP), enquanto os juros nominais respondem por 6,49% do PIB (veja o segundo quadro acima);
2) sem o governo golpista conseguir fazer superávit primário, recursos captados em “dívida para rolar dívida” são usados para pagar os juros da dívida pública;
3) não se pode afirmar que “o governo golpista tem desviado recursos que seriam destinados à Previdência Social para pagar juros”, simplesmente, porque ele recorre cada vez mais ao endividamento;
4) o pagamento de juros menores pela dívida pública seria o mesmo que “dar um tiro-no-pé”: o governo golpista afrontaria sua base financiadora de malfeitos, constituída por alguns investidores, inclusive os “patos-amarelos” da Fiesp, que carregam a dívida mobiliária para ganhar os maiores juros reais no mundo;
5) a reforma da Previdência Social representa simplesmente um sinal de submissão do governo golpista a esses interesses privados que capturaram o Estado brasileiro, já que a capacidade de pagamento de dívida pública é avaliada por risco soberano, isto é, o monopólio da capacidade de emissão monetária que estabelece que o Tesouro Nacional nunca quebrará, faltando em seus compromissos contratados em moeda nacional;
6) quanto maior o déficit da Previdência, mais recursos o governo precisa tomar emprestado desde que ele não tribute progressivamente sua base de apoio político – os ricaços e seus capachos;
7) isso não significa que “sobra menos dinheiro para ser emprestado para empresas que querem investir e às famílias que querem consumir”, pois, ao contrário de orçamento doméstico de dona-de-casa, o orçamento geral da União não é predeterminado, já que o Estado tem a capacidade de tomar emprestado dinheiro que é multiplicado por crédito bancário;
8) é uma mitificação que “o resultado é taxa de juros mais elevada, menos crescimento econômico, menos emprego e menos renda”, pois isso só é verdade quanto às consequências de um juro disparatado, fixado por decisão discricionária de uma diretoria representante de O Mercado nomeada por O governo golpista para o Banco Central do Brasil, para defender os próprios interesses, i.e, os juros que enriquecem cada vez mais os golpistas e empobrecem a sociedade brasileira.

O equívoco por má-fé do sábio tecnocrata é que ele, no primeiro quadro acima, compara as despesas com juros com as despesas com benefícios previdenciários sem considerar as arrecadações previdenciárias para cobrir esses benefícios. Em outras palavras, o correto para estimar a NFSP, conforme faz o BCB, é comparar o déficit entre os fluxos de receitas e despesas previdenciárias– e não apenas as despesas. O sábio tecnocrata só engana seus pares da turma do “engana-me que eu gosto”.

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