Os feitos do procurador da República que acha que nazismo é de esquerda

O procurador federal Ailton Benedito de Souza, @AiltonBenedito, causou espanto no Twitter.

Procurador que causou espanto no Twitter já investigou banheiros “unissex” e tem longa história de usar o cargo com motivação ideológica.

Via Viomundo em 14/8/2017

Foi depois da manifestação da extrema-direita que terminou com o atropelamento e morte de uma militante em Charlottsville, na Virginia.

Em sintonia com direitistas brasileiros, que garantem que o nazismo é “de esquerda”, ele apresentou um print com o nome do partido de Hitler, Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, para “provar” a tese: está escrito “socialista” no nome, portanto o nazismo é de esquerda mesmo!

Houve uma enxurrada de respostas. Algumas irônicas. Uma delas sugeriu que Hitler foi mal-educado ao cometer suicídio antes de se confraternizar com as tropas soviéticas, comunistas, que derrotaram o regime nazista em Berlim.

A economista Laura Carvalho, colunista da Folha, escreveu:
“Tem alguma coisa errada com esses concursos [do MPF]”.

Pedro Nunes, @utops, brincou:
Cavalo marinho é equino, peixe boi é bovino, bicho pau é de madeira e fruta pão é de trigo.

Logo, deduz-se, se tem socialista no nome é necessariamente de esquerda.

Bernard @berieux foi mais fundo.

Ele apontou situações em que o procurador usou seu cargo no Ministério Público Federal “com propósitos ideológicos” ao longo dos últimos anos, sempre aliado e abraçando causas conservadoras, de direita, do combate aos direitos humanos à investigação da universidade pública, sempre em defesa de aliados:

Mandou investigar a expulsão da blogueira antifeminista Thais Azevedo de um debate na Universidade Federal de Goiás.
Mandou investigar fake news de que jovens brasileiros estavam sendo “doutrinados” na Venezuela.

Depois que o Enem pediu redação sobre “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, o promotor pediu que os conceitos sobre direitos humanos incluídos nas provas fossem divulgados previamente.

O procurador também pediu às polícias federal, rodoviária federal, civil e militar que impedissem estrangeiros de participar de manifestações políticas no Brasil, depois de boatos segundo os quais bolivianos seriam trazidos para protestar contra o impeachment de Dilma Rousseff em Brasília.

Ailton pediu a suspensão da campanha publicitária da Copa de 2014. Segundo ele, a frase “todos ganham” atingia “o inconsciente coletivo, de forma subliminar”.

Na ação, ele se baseou em notícias de jornal para escrever: “A situação evidencia os efeitos da desorganização, da falta de planejamento, da incompetência em executar o que se planejou quanto à infraestrutura e aos serviços voltados à realização da Copa”.

O mesmo procurador mandou investigar banheiros supostamente “unissex” da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, inclusive com a preservação das imagens de câmeras de segurança.

Com um colega, Ailton determinou a proibição de atos políticos na Universidade Federal de Goiás, contra ou a favor do impeachment de Dilma Rousseff, no momento em que a UFG tinha um dos poucos focos de resistência ao golpe midiático-jurídico-parlamentar.

Em audiência na Câmara dos Deputados, o procurador defendeu o projeto direitista do Escola Sem Partido, que pretende amordaçar professores em sala de aula. Ele já havia patrulhado a Universidade Federal de Goiás e fez audiência pública para tratar de “doutrinação”:

Para Ailton Benedito, não há que se falar em inconstitucionalidade na ação das famílias que visam inibir ou reparar abusos político-partidários contra seus filhos praticados por professores no âmbito do sistema de ensino. “Trata-se apenas do exercício da cidadania”, afirmou. Além disso, considera que a proposta legislativa “traz mais segurança aos professores, à medida que lhes proporciona clareza, transparência e publicidade sobre o que podem fazer em sala de aula”.

Atuação – Ailton Benedito instaurou em 2016 Procedimento Preparatório para apurar se as estruturas humana e física da Universidade Federal de Goiás (UFG) estariam sendo utilizadas para promoção de manifestações político-partidárias. O MPF/GO, por meio da PRDC, inclusive promoveu, em setembro do mesmo ano, audiência pública que teve por objetivo debater o tema da doutrinação político-partidária no sistema de ensino brasileiro, especificamente quanto ao reconhecimento ou não da existência dessa prática.

O procurador também assinou o manifesto de promotores de Justiça contra a “bandidolatria”, uma tese cara aos aliados de Jair Bolsonaro.

Mas, tem mais: Ailton Benedito instaurou inquérito civil público com o objetivo de apurar ações ou omissões ilícitas da União, do estado de Goiás, de organizações da sociedade civil e de “movimentos sociais” (grafado assim no texto) em manifestações sociais, protestos, movimentos paredistas e greves no território de Goiás.

Para a audiência pública que tratou do tema, ele convocou apenas duas organizações da sociedade civil: Movimento Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre, ambos de extrema-direita.

Pergunta que cabe fazer: quanto o MPF já gastou em tempo e dinheiro para satisfazer os pendores ideológicos do procurador?

Uma resposta to “Os feitos do procurador da República que acha que nazismo é de esquerda”

  1. Eliane Barroso Says:

    Tem alguma coisa errada com os concursos do MPF”. Eles não sabem nada da história do mundo. Pois fiquem sabendo que a maior perseguição de Hitler foi aos judeus comunistas. Poderiam pelo menos, ler o livro “Olga”.

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