Planilhas escondidas da Odebrecht foram recuperadas pela Suíça

Via Jornal GGN em 11/8/2017

Um dos principais mistérios das delações da Odebrecht que comprometiam boa parte das acusações contra políticos era a falta de acesso ao MyWebDay, um sistema utilizado pela empreiteira para registrar os repasses de caixa 2 e propinas a contas de beneficiários pelo setor de operações estruturadas.

Até recentemente, nem o próprio coordenador da força-tarefa de Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol, teria conseguido o acesso aos dados da contabilidade de remessas ilegais da Odebrecht. O arquivo havia sido descoberto no ano passado, quando uma funcionária do departamento foi presa, e indicou que os registros traziam as ordens de pagamentos não somente a políticos, como também integrantes do Judiciário, diplomacia e tribunais de contas.

Entretanto, as informações eram supostamente armazenadas pela Suíça, uma vez que os materiais são de extratos bancários de pagamentos a offshores no exterior, além de planilhas destas transferências bancárias e, segundo Dallagnol, o país ainda não tinha compartilhado os dados com os investigadores brasileiros.

A resposta do coordenador da força-tarefa foi dada à própria Justiça Federal do Paraná, quando os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediram o acesso a estes materiais para comprovar que não há provas das acusações de propinas ou favorecimentos da Odebrecht à ele.

Além da Suíça, teriam acesso à chave do sistema alguns executivos da companhia, como o diretor Hilberto Mascarenhas que, inicialmente, afirmou à Justiça que tinha a senha e depois voltou atrás, afirmando que havia se desfeito dela. De acordo com coluna da Monica Bergamo no início do mês, até o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o DOJ, teria tentado abrir o arquivo, sem sucesso, por ser “aparentemente inviolável”, apontou a jornalista.

O que se tinha de público do MyWebDay eram planilhas de alguns acordos de delações de executivos da companhia, que partiram de correspondências antigas entre diretores da Odebrecht. Entretanto, a defesa de Lula acreditava que os investigadores teriam, sim, o acesso aos dados, mas queriam criar dificuldades para a transparência junto aos advogados.

Tal mistério parece ter sido solucionado. Isso porque a força-tarefa de Curitiba teria recebido boa parte dos documentos do sistema MyWebDay. De acordo com os investigadores, os materiais poderão corroborar delações que não foram levadas adiante por falta de provas e, ainda, abrir novas frentes de investigações, podendo as planilhas e documentos indicar nomes de beneficiários de recursos ilícitos que ainda não foram investigados.

O silêncio, até agora, destes documentos foi justificado porque, segundo os procuradores, o programa criado nos anos 90 foi apagado em 2014, quando a Lava-Jato começou a apurar as irregularidades junto à Petrobras. Além de extratos bancários e comprovantes, planilhas com nomes e codinomes, valores relacionados a obras, e planejamentos de pagamentos ilícitos estavam registrados.

Os investigadores suíços teriam conseguido recuperar grande parte do material, entregue à Odebrecht, o que foi uma das portas de entrada da empreiteira para conseguir os acordos de delações e leniência junto ao Ministério Público Federal brasileiro. Os dados teriam chegado à Curitiba nesta semana.

Uma resposta to “Planilhas escondidas da Odebrecht foram recuperadas pela Suíça”

  1. Claudio Corrêa Says:

    Com certeza nessa planilha não constam os nomes de Lula e Dilma, senão o Jornal Nacional já teria dedicado um edição inteira ao assunto. Como o MPF tucano de Curitiba está escondendo esses dados a “sete chaves” desconfio que tem “pássaro de alta plumagem” no poleiro sujo suíço.
    Divulgam até a cor do lenço do Lula no depoimento, mas escondem o “caviar da maracutaia”?

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