Maioria dos deputados que são réus no STF votou por Temer

Entre aqueles que estão sendo julgados no STF, 70% disseram “sim” ao relatório.

Dos 51 legisladores atualmente julgados no Supremo, 36 votaram contra o avanço da denúncia e salvaram presidente. Maior parte de alvos de inquéritos na Lava-Jato também se posicionou assim.

Via Deutsche Welle em 3/8/2017

Logo após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentar a denúncia criminal por suspeita de corrupção contra o Michel Temer, o presidente fez um pronunciamento afirmando que o Ministério Público havia aberto “um precedente perigosíssimo”. Em julho, foi a vez de o advogado do presidente, Antônio Mariz de Oliveira, afirmar em uma sessão da Câmara: “Nós precisamos nos defender de um avanço indevido do Ministério Público”.

O recado foi claro: todos podiam se tornar alvos, e a resposta era a união em torno da figura de Temer.

Uma parte dos deputados parece ter concordado. Entre aqueles que estão sendo julgados no STF, 70% disseram “sim” ao relatório que pedia a rejeição da denúncia e consequentemente salvaram Temer. Foram 36 de 51 deputados que respondem a uma centena de ações no tribunal. Outros 12 votaram pela continuidade da denúncia e dois se ausentaram.

O número pode variar já que vários processos seguem em segredo de Justiça ou em alguns casos a denúncia já caducou, apesar de o sistema do STF ainda apontar que esses deputados ainda estão sendo julgados.

Entre os deputados que votaram a favor de Temer estão velhas figuras conhecidas da Justiça, como Paulo Maluf (PP/SP), condenado em maio a sete anos e nove anos de cadeia por lavagem de dinheiro e que ainda é réu em outra ação penal. Ao declarar seu voto, disse: “Pelo progresso e pelas reformas, voto sim”.

O deputado Wladimir Costa (SD/PA), que ganhou notoriedade nos últimos dias ao tatuar o nome “Temer” na altura do ombro, também é réu em duas ações, uma por crime de peculato e outra por ameaça. Quando votou, disse ao microfone: “Temer é um homem decente, preparado, transparente, e nós vamos votar para a oposição chorar hoje aqui com a vitória de Michel Temer!”

O recordista de ações no Supremo, Roberto Góes (PDT/AP), que tem nove processos penais, também votou para salvar o presidente. Há ainda um deputado réu por envolvimento no caso da máfia das sanguessugas, Nilton Capixaba (PTB/RO). O deputado Alberto Fraga (DEM/DF), réu em quatro ações no STF, também votou pelo relatório. “Para que o Brasil não se torne uma Venezuela, que é o que eles querem, voto sim”, disse em sua justificativa.

No grupo também estão os dois únicos deputados federais que se tornaram réus por envolvimento nos desvios investigados pela Operação Lava-Jato: Nelson Meurer (PP/PR) e Aníbal Gomes (PMDB/CE). Já condenado, o deputado presidiário Celso Jacob (PMDB/RJ), que durante o dia fica na Câmara e à noite dorme em um presídio, também votou contra a denúncia. Durante a votação, Jacob, que foi condenado por falsificação de documento público e dispensa de limitação, se limitou a dizer “voto com o relatório da CCJ, voto sim”.

Já entre os que votaram pela continuidade da denúncia estão Jair Bolsonaro (PSC/RJ, de mudança para o PEN), que aparece como réu por incitação ao crime de estupro e por uma queixa-crime por injúria e a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT/CE), que é réu por crime de responsabilidade.

Lava-Jato
No grupo de 61 deputados federais alvos de inquéritos no Supremo por envolvimento na Lava-Jato, 59% votaram para salvar Temer – um total de 36 pessoas. Outros 24 deputados votaram pelo prosseguimento da denúncia. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), que também é alvo de dois inquéritos, por corrupção e lavagem de dinheiro, não votou. Nesse grupo também estão os deputados Nelson Meurer e Aníbal Gomes, que já são réus.

Ainda entre os apoiadores de Temer que são alvos da Lava-Jato estão o sindicalista Paulo Pereira da Silva (SD/SP), Celso Russomano (PRB/SP), o ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) e Ônix Lorenzoni (DEM/RS).

Entre os investigados que votaram pelo prosseguimento da denúncia estão 13 deputados do PT e um do PC do B, entre eles Carlos Zaratinni (PT/SP) – um dos adversários mais barulhentos de Temer na votação –, Vicentinho (PT/SP) e Zeca Dirceu (PT/PR). O ex-presidente da Câmara Waldir Maranhão (PP/MA) também votou contra Temer. Outra investigada que votou contra o presidente, a deputada Maria do Rosário (PT/RS), disse em sua justificativa: “Meu voto é contra a corrupção, é contra Temer, é pela decência, é pelas diretas já”.

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