Suprema mutreta em São Paulo: Juízes tiram férias “picadas e esticadas”

5, 12 e 19: Intervalos em que é possível intercalar férias com finais da semana.

Fernando Brito, via Tijolaço em 24/7/2017

Quando você pensa que já viu tudo em matéria de privilégios para a casta judicial, sempre aparece uma mutreta nova para suas Excelências “se darem bem”, com menos trabalho e mais dinheiro.

A Folha revela hoje, com dados estatísticos, que suas majestades – digo, magistrados – data vênia, “picam as férias no calendário para terem mais dias gozados e menos contabilizados, gerando um saldo que vão receber em dinheiro.

No gráfico aí de cima você vê a concentração de pedidos de férias de 5, 12 e 19 dias de duração.

Não é por acaso: emendando os finais de semana, são férias corridas de 9, 16 e 23 dias.

Mesmo as menores, nove dias, dão para fazer uma bela viagem, como aquela que o ex-presidente do Tribunal – hoje secretário de Geraldo Alckmin – Jose Renato Nalini, considerava necessárias para comprar ternos em Miami.

Como os meritíssimos têm duas férias anuais, picando assim, em tese, ele poderia tirar até 12 férias de 5 dias que, na prática, representariam 108 dias (12 x 9 dias corridos). Somando o recesso de final de ano (oficial, de 20 de dezembro a 6 de janeiro, inclusive) dá 125 dias, mais de quatro meses de férias. Sem contar, claro, os dias de licença prêmio – 90 a cada 5 anos, ou 18 por ano.

Mas claro que nem todos os que apelam para o “picadinho” querem isso tudo de férias, até porque são certamente homens e mulheres cônscios de seus deveres com a sociedade, que lhes paga salários e penduricalhos à farta.

Então, o que fazem eles? Simples, “vendem” os dias não gozados das férias formais, facilmente supríveis com a fórmula “meio picadinho, meio recesso”.

Só no ano passado, segundo a Folha, foram R$148 milhões pagos pelo Tribunal em indenizações por férias não tiradas. Como são aproximadamente 2.500 juízes e desembargadores, dá uma média de R$60 mil “extras”, que ajudam suas excelências a enfrentar a vida dura que, segundo o Dr. Nalini, os deixa em depressão.

Quem sabe não seja o mínimo que possamos fazer para esta camada de gente ética, cheia de moralismos na boca e dinheiro no bolso?

Enquanto isso, a turma da “eficiência” acaba com a CLT, este entrave ao progresso do Brasil, não é?

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