Traição à vista: Temer chama Dória de “companheiro”, que por sua vez elogia “alma” do presidente

Via Jornal GGN em 7/8/2017

Em uma das tentativas de reaproximação com o PSDB, como sustento para se manter no poder no restante do mandato, Michel Temer e o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), trocaram elogios na segunda-feira, dia 7/8.

“Eu tenho um parceiro, um companheiro, alguém que entende os problemas do país. Jamais vi o João dividindo pessoas”, disse Temer, em tom de intimidade, durante evento fora do Palácio do Planalto, para anunciar a transferência de 20% da área do aeroporto Campo de Marte para a cidade.

Uma disputa judicial desde 1945 travava o terreno, que pertencia à União. Dória quer criar um parque e um museu aeroespacial na área que agora Temer concedeu. Durante o anúncio, ambos trocaram complacências. O tucano, por sua vez, disse que “sempre sua alma [de Temer] e sua índole foram pela conciliação” e que “é com base da conciliação que nós vamos fazer um novo Brasil”.

Recentemente, o prefeito da capital paulista havia afirmado que o PSDB teria uma saída gradual do governo peemedebista. Mas no encontro de hoje, ignorou toda a dissidência e, ao contrário, mostrou-se amigável à gestão de Temer, alegando que “situações extremadas” não ajudam o Brasil e a “confiança dos mercados”.

“O Brasil precisa estar conciliado para votar as reformas no Congresso Nacional”, disse Dória. Temer, na mesma linha, disse que é “inadmissível que brasileiros se joguem contra brasileiros”. “Esta história de ‘nós contra eles’ não pode prevalecer”, afirmou.

Depois do anúncio, que não teve a participação do governador Geraldo Alckmin, Dória foi questionado se não se sentia desconfortável com a amigabilidade de Temer. Negou: “Me sinto confortável em ser um bom brasileiro e é o que tenho procurado ser. Ser um bom gestor, bom administrador e, portanto, um bom brasileiro”.

***

DÓRIA, MEIRELLES E MAIA: O CHEIRO DA TRAIÇÃO SE ESPALHA
Fernando Brito, via Tijolaço em 7/8/2017

A frase é velha, mas nem por isso menos verdadeira: em política não há vácuo.

Os fatos estão bem evidentes, para quem os quiser ver.

Michel Temer, um Sarney pós- Plano Cruzado, está pendurado no neo-Centrão, com votos no Congresso e desprezo nas ruas.

O PSDB, desmoralizado nacionalmente, vai chegando ao impensável de que já lhe torçam o nariz em São Paulo. Quem imaginaria um editorial do Estadão lavrado nestes termos sobre o tucanato?

O errático comportamento do PSDB ao longo da grave crise política, econômica e moral que atinge o País vai muito além de sua anedótica indecisão. O fato de que 21 dos 47 deputados do partido votaram a favor da admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara, embora formalmente os tucanos sejam parte do governo, indica a profundidade da confusão que reina no PSDB […]
Partidos surgem e desaparecem, e não será surpresa se o PSDB se desfizer, consumido por suas dúvidas e hesitações acerca de como se comportar diante da crise, ou melhor, para superar a crise. Quando duas dezenas de deputados resolvem votar contra o presidente que seu partido apoia, colocando em risco a estabilidade do governo que esse mesmo partido integra desde o primeiro momento, é o caso de perguntar se esses parlamentares estão realmente interessados na resolução da crise ou se simplesmente estão respondendo a um cálculo eleitoreiro.
Alinhando-se aos irresponsáveis que desejam implodir o governo, a pretexto de não parecerem transigentes com a corrupção no País, esses tucanos na verdade renegam o espírito fundador de seu partido, comprometido desde sempre com o reformismo, com a responsabilidade fiscal e com a estabilidade econômica – as bandeiras do atual governo.

O jornal dos Mesquita, portanto, está na obrigação de celebrar a aliança de João Dória com Temer, na esperança que este venha a sufocar Geraldo Alckmin bem expressa nas palavras ditas pelo ocupante do Planalto, hoje, sobre o enfant gâté da direita: “Saio daqui mais animado ainda porque vejo aqui um parceiro, um companheiro, alguém que compreende como ninguém os problemas do país”.

Bem, é aí que entram as escaramuças que abordei no post anterior, onde é nítida a costura de uma aliança entre Rodrigo Maia e Henrique Meirelles, que se apresentam como os impiedosos algozes do gasto público.

Nenhum dos dois tem voto, claro, mas recordem sempre que mídia e mercado sempre se consideram “donos” do país e do povo e, portanto, capazes de sonhar com uma candidatura conservadora.

A traição, com seu cheiro nauseabundo, espalha-se por toda parte.

3 Respostas to “Traição à vista: Temer chama Dória de “companheiro”, que por sua vez elogia “alma” do presidente”

  1. heloizahelenapiasblog Says:

    vergonhoso tudo isso.

    ________________________________

  2. COPACABANA EM FOCO Says:

    O que acho engraçado que esses canibais acham que podem tudo. Deixe eles pensarem que estamos acéfalos de todos os acontecimentos do Império. Ri melhor é quem ri por último.

  3. Claudio Corrêa Says:

    Tá na cara que Temer que inflar Doria contra os tucanos históricos de S. Paulo e levá-lo para o DEM, atualmente o maior partido de apoio ao presidente golpista.
    A visita que Temer fez hoje ao Doria e em seguida a viagem que Doria fez à Salvador, atual feudo DEMoníaco, completaria o roteiro, só não contavam com a ovada do Povão.

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