Simpatizantes de Bolsonaro são alimentados com ração à base de notícias falsas e alarmismo

Nome do deputado Jair Bolsonaro é citado em mensagens alarmistas e islamofóbicas.

Via Folha on-line em 30/7/2017

Notícias falsas e comentários alarmistas de cunho islamofóbico alimentam a rede virtual de simpatizantes de Jair Bolsonaro (PSC/RJ), em um ambiente similar ao da campanha que elegeu Donald Trump nos EUA.

Muitas vezes, os conteúdos giram em círculos, mesmo depois de contestados, abastecendo grupos por semanas.

Em junho, ocorreu um caso exemplar. Viralizou um áudio atribuído ao senador Magno Malta (PR/ES) – ele nega – em que o narrador anuncia “a invasão de 1,8 milhão de muçulmanos” ao país.

Seria supostamente estratégia do governo Michel Temer para agradar a ONU, “que é completamente islâmica”, para obter assento permanente no Conselho de Segurança do organismo, que se define pela neutralidade política, geográfica e religiosa.

Não há sinais de “invasão” no Brasil. Segundo a Polícia Federal, 399 sírios pediram refúgio ao Brasil de janeiro a maio deste ano. Somando-se solicitações do Líbano e do Iraque, há 1.094 pedidos em 2017. A entrada é controlada.

Mas a mensagem pede “intervenção hoje”. “Bem-vindos ao Brasilquistão, a nova Turquia da América Latina. Espero que Bolsonaro ganhe, pelo amor de Deus. Espero que as Forças Armadas façam algo, porque [senão] o nosso país estará destroçado”, diz o narrador.

Bolsonaro está em campanha para viabilizar uma candidatura à Presidência em 2018. Desde o ano passado, quando foi batizado pelo pastor Everaldo no rio Jordão, faz acenos ao eleitorado evangélico enaltecendo Israel.

Essa agenda acabou por aproximá-lo de parte da comunidade judaica.

Terrorismo
Em um vídeo na semana passada, uma simpatizante de Bolsonaro que se identifica como Jane Silva, “pastora e presidente da Comunidade Internacional Brasil-Israel”, afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “deu de presente” uma embaixada para a Palestina.

“E para quê? Para trazer o terrorismo, eles financiam o terrorismo no Brasil”, disse.

O país condena o terrorismo e aprovou lei no passado que tipifica o crime. Tem como praxe doar áreas para embaixadas, como foi feito com a Palestina em 2010. Em reciprocidade, recebeu doação, em 2015, de terreno em Ramalá. A construção é custeada pelo país estrangeiro.

“O Brasil dá tudo de graça, pega o nosso arroz e manda para a Faixa de Gaza, pega o nosso dinheiro e investe numa embaixada caríssima, e nós passamos necessidades”, reclama essa pastora, em possível referência à doação de R$25 milhões anunciada por Lula à faixa de Gaza em 2010.

Em seguida, ela mira o ministro de Relações Exteriores: “Aloysio Nunes recebe ordens no Itamaraty daqui”.

O ministro entrou na rota dos ataques virtuais quando da tramitação da Lei de Migração, de sua autoria, que estabeleceu regras mais flexíveis para imigrantes.

[…]

***

PEN: LEGENDA EVANGÉLICA, NANICA E “ECOLÓGICA” ABRIGARÁ BOLSONARO

Via Folha on-line em 31/7/2017

À revelia de lideranças da Assembleia de Deus, maior igreja evangélica do país, o deputado Jair Bolsonaro escolheu o PEN (Partido Ecológico Nacional) para se lançar à Presidência em 2018.

Com a decisão, ele se desligará do PSC, vinculado à cúpula da denominação religiosa, para ingressar em uma sigla sem influência no segmento evangélico e de pequena estatura.

Em compensação, terá ascendência sobre o comando partidário e ocupará ao menos seis cargos na Executiva.

Fundado em 2012 pelo ex-deputado estadual Adilson Barroso, ex-PSC que se define como ambientalista não radical, o PEN tem três deputados federais e 15 estaduais.

A ida de Bolsonaro, se confirmada, deverá trazer uma leva de filiados. Segundo a Folha apurou, Eduardo Bolsonaro (PSC/SP), seu filho, e outros 15 deputados federais aproximadamente, além de 15 estaduais, são esperados.

O partido também promete mudar de nome. Uma enquete em rede social mostrou a preferência de simpatizantes pela designação Patriota.

“Está 99,9% fechado, estamos só esperando a assinatura do ‘casamento partidário’, por isso o 0,1%”, afirmou Barroso. A assessoria do deputado confirmou que a troca está acertada, mas não concluída.

A ampliação da bancada do PEN na Câmara pode ser fundamental para a campanha de Bolsonaro, caso o Congresso aprove o fim das coligações e, assim, restrinja o cálculo do tempo de TV ao número de cadeiras do partido do candidato.

Conselho de Malafaia
O potencial presidenciável contrariou a recomendação de líderes da Assembleia de Deus ao anunciar a desfiliação do PSC e tornar pública sua briga com o presidente do partido, Pastor Everaldo. Citado na Operação Lava-Jato, Everaldo perdeu prestígio no segmento evangélico.

Bolsonaro, cujo discurso é baseado na crítica à corrupção, menciona frequentemente o envolvimento de Everaldo na operação e o ataca por coligações com siglas de esquerda como o PCdoB.

“Eu falei para Bolsonaro que achava que ele tinha que ficar no PSC e conquistar o partido, independentemente do Everaldo”, afirmou o pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. “É uma maneira de mostrar a sua capacidade política”.

Dizendo-se dividido entre apoiar Bolsonaro ou o prefeito paulistano João Dória (PSDB) em 2018, Malafaia afirmou que o comando do PEN “é um zero à esquerda no mundo evangélico, não tem nenhuma influência”.

Fiel da Assembleia de Deus em Barrinha (SP), região de Ribeirão Preto onde foi cortador de cana na infância, Adilson Barroso reconheceu não ter influência na igreja, mas garantiu que vai se dedicar a conquistar votos.

“Não tenho entrada nenhuma, mas é natural que a gente vá a todos os segmentos, de todas as religiões, para mostrar que temos habilidade para gerir o Brasil, sem misturar política com religião”, afirmou.

Everaldo disse apenas que “deseja boa sorte” ao deputado “nessa nova jornada”.

Uma resposta to “Simpatizantes de Bolsonaro são alimentados com ração à base de notícias falsas e alarmismo”

  1. COPACABANA EM FOCO Says:

    Esses merdas precisam ter cacife do antigo KGB.

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