O consórcio de jornalismo chapa branca da Lava-Jato por trás da entrevista de Moro à Folha

Moro e sua mesa.

Kiko Nogueira, via DCM em 30/7/2017

A entrevista chapa branca de Sérgio Moro à Folha de S.Paulo foi motivada, segundo o juiz, por seu desejo de “incentivar o trabalho cooperativo de jornalistas investigativos”.

Moro se referia ao projeto de que o jornal paulista faz parte, chamado “Investiga Lava-Jato“, em nome do qual a conversa ocorreu.

Trata-se de um consórcio de vinte jornalistas de 11 países da América Latina e da África com foco na cobertura do escândalo de corrupção “que ultrapassou as bordas nacionais”, segundo a própria Folha.

A coordenação é de Milagros Salazar, do portal peruano Convoca, e de Flávio Ferreira, repórter da editoria de Poder, e a ideia é fazer uma investigação integrada.

Moro estava em sua zona de conforto e sabia disso. Surfou num bate papo amigável. Joaquim de Carvalho escreveu sobre sobre isso no DCM.

O site foi lançado no dia 4 de junho e tem, basicamente, notícias sobre obras da Odebrecht. Uma matéria do Convoca feita em fevereiro, assinada por Milagros, levou o título de “O juiz que encarcerou os poderosos”.

É uma reportagem de rádio. Segundo a apresentação, “Moro é um homem de 45 anos, que fala pouco e trabalha muito”. Ele “devolveu a confiança dos brasileiros na justiça”.

Quem faz a canonização de Moro num portunhol sofrível é Marcos Koren, descrito como “ex-chefe de segurança do magistrado”. Koren é assessor de comunicação da PF no Paraná.

“Moro é admirado em toda parte”, conta Koren. “Gosta de viver com modéstia, num bairro que está longe de ser o mais elegante. Não gosta de luxo, aparências”. Etc. etc.

Como João Dória, que leva repórteres em suas viagens jabazeiras e recebe de volta elogios disfarçados de matérias, Moro usa a mídia amiga para dar seus recados.

Não existe “jornalismo investigativo” na Lava-Jato e ele sabe disso. O que há são vazamentos para os suspeitos de sempre.

Mesmo com tudo a favor, ele demonstrou uma ignorância constrangedora sobre o que acontece nos vizinhos.

“Não tenho como avaliar o trabalho da Justiça no Peru”, afirma. “Não tenho detalhes do que aconteceu”, responde a um venezuelano.

A informação mais curiosa da entrevista é a bagunça – minha mãe diria “azáfama” – da mesa do homem em Curitiba.

No Twitter, alguém fez a piada de pedir para a mãe dele intervir. Moro tem sempre uma turma disposta a ajuda-lo a não falar nada.

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