Economista condenado por fraude dirige revitalização do porto do Rio

Antônio Carlos Mendes Barbosa, o Tata (de azul-marinho), em cerimônia na região portuária do Rio.

Via Folha on-line em 30/7/2017

Há quase 20 anos, o economista Antônio Carlos Mendes Barbosa, o Tata, busca explicar o depósito, em sua conta, de nove cheques provenientes de uma fraude no Postalis, fundo de pensão dos funcionários dos Correios.

Multado em R$500 mil pela CVM (Comissão de Valores Imobiliários) em 2005, o ex-superintendente de Desenvolvimento de Mercado da BM&F conseguiu há dois anos reduzir a pena à metade, sem ser inocentado. Ele tenta na Justiça Federal anular a condenação e provar que não participou do esquema.

Afastado da bolsa por iniciativa própria desde o início dos anos 2000, Barbosa assumiu neste ano a Cdurp, companhia responsável pela revitalização da região portuária do Rio, na gestão Marcelo Crivella (PRB).

No cargo, tenta desfazer o nó financeiro no projeto, que tem provocado dívida com a concessionária que realiza as obras no local e afetado a conservação da área.

Neste intervalo de quase 15 anos, o economista diz que, para se manter, orientou investimentos de alguns clientes. Se ficou longe dos holofotes, sua história foi inspiração para as telas do cinema.

Exibido no Festival do Rio em 2014, “Casa Grande” recebeu o prêmio de melhor filme pelo júri popular. Dirigido por Fellipe Barbosa, filho do presidente da Cdurp, ele narra as dificuldades financeiras de uma família rica após Hugo – interpretado por Marcello Novaes – ficar desempregado.

A produção não faz referências ao processo. Nas poucas cenas sobre a profissão de Hugo, ele aparece comentando ações do grupo X, de Eike Batista, e buscando recolocação no mercado financeiro. O protagonista é o filho Jean e as mudanças na sua vida.

“O que acontece com a família do filme aconteceu com meus pais em 2002, 2003. Fala de uma família da alta burguesia carioca que vai à falência e decide esconder do filho até que ele passe no vestibular”, afirmou Fellipe, em entrevista no Festival de Munique, em 2014.

Nessa fase, o diretor – premiado no Festival de Cannes com “Gabriel e a Montanha” – estava em Nova Iorque cursando mestrado em cinema na Universidade Columbia. “Minha inspiração foi querer corrigir minha ausência”.

Naquele período, Mendes Barbosa já havia se afastado da BM&F e respondia ao processo na CVM. O colegiado apurava uma fraude de R$2,2 milhões no fundo Postalis por meio da corretora Telles entre 1998 e 1999.

De acordo com o processo, dois laranjas eram beneficiados em operações com prejuízo ao fundo de pensão. Os valores eram repassados à dupla em cheques. Alguns deles foram entregues a outras pessoas. Nove, que somavam R$99 mil, foram depositados na conta de Tata.

O relator do caso, Sérgio Weguelin, afirmou que Barbosa “foi um inconteste partícipe da trama”.

O voto foi aprovado por unanimidade. Mas o então diretor da CVM, Marcelo Trindade, disse ter dúvidas sobre a participação de Barbosa.

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