Leandro Fortes: Venezuela à moda chilena

Leandro Fortes em 29/7/2017

Na Venezuela, o novo modelo de golpe midiático-judicial não pôde ser aplicado porque, antes de morrer, Hugo Chavez tomou duas providências cruciais: aparelhou o poder judiciário e politizou os pobres.

Goste-se ou não dessas medidas, elas estão na base da resistência do governo Maduro às investidas das mesmas forças reacionárias que derrubaram os presidentes de Honduras, Paraguai e Brasil – e se mantêm em armas contra todo governo que ouse ser popular, na América Latina.

Na Venezuela, diante da resistência do governo, a direita local apelou para a velha fórmula de asfixiar a economia, com redução artificial de oferta de alimentos e bens de consumo, para gerar o caos. Exatamente como fizeram com Salvador Allende, no Chile, no início dos anos 1970.

O resultado foi a ditadura genocida do general Pinochet e a entrega das riquezas chilenas a companhias dos Estados Unidos e da Europa.

Então, antes de condenar a reação de Maduro às manifestações financiadas por empresários fascistas, pense que, lá, como aqui, não tem ninguém preocupado de verdade com corrupção e liberdades democráticas.

O que os fascistas venezuelanos querem é colocar a mão de volta no oceano de petróleo que existe em baixo do país.

E voltar a passar os feriados em Miami.

***

Fernando Horta em 31/7/2017
Depois do que temos passado, desde 2010, no Brasil, é preciso reconhecer uma diferença entre a direita e a esquerda. A direita nunca foi oposição neste país. Ou forçava sua entrada silenciosa, mantendo votos em troca de corrupção e permitindo o governo, ou colocava o governo o abaixo. Ainda tem gente da esquerda falando em “oposição a Temer”. Se você fala em “oposição” é porque já se enquadrou no jogo da democracia que serve a eles quando convém. Deixemos de ser oposição e coloquemos o governo abaixo. Foi assim que eles fizeram.

Veja…

Retirar uma presidenta eleita sem motivo é “democracia” para eles. Maduro, que foi eleito, governar até o final do seu mandato é “ditadura”.

Fazer mudanças contra o povo, sem apoio e sem voto é “democracia”. Chamar uma constituinte por voto universal, como na Venezuela, é “ditadura”.

Não obedecer às ordens do judiciário no Brasil é “inaceitável”, na Venezuela é “resistência”.

No Brasil, juízes são sempre neutros, legalistas e corretos, na Venezuela sempre bolivarianos, partidários e políticos.

É preciso pararmos de fazer o jogo desta democracia com regras móveis que eles sempre manipularam. Jogar com cartas marcadas, contra a banca, e achar que vai ganhar é burrice. Para eles a democracia existe para mascarar a dominação do jogo todo. Quando eles não mais a querem não fazem “oposição”, colocam o governo abaixo.

É preciso acabar com o governo Temer, da forma que for.

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