O tráfico e o filho da desembargadora: Por que só os pobres ficam na cadeia?

Breno, filho da desembargadora: ostentação e uma vida marcada pela suspeita de crime pesado.

Joaquim de Carvalho, via DCM em 24/7/2017

O levantamento mais recente sobre o perfil dos presos no Brasil revelou que um terço está relacionado ao tráfico de drogas. O número de presos por esse tipo de crime aumentou quase 340% desde 2006, quando uma nova lei, mais rigorosa com o tráfico, entrou em vigor.

Ao mesmo tempo em que pessoas sem nenhuma passagem anterior pela polícia ocupam os presídios, surgem casos de impunidade, sempre relacionados a pessoas bem posicionadas na sociedade.

No início do ano, o Superior Tribunal de Justiça confirmou a condenação a quatro anos e 11 meses de prisão de um homem preso em flagrante por entregar a outro um cigarro com 0,02 grama de maconha.

Já a Justiça Federal do Espírito Santo ainda não julgou os quatro homens apanhados tentando desembarcar 445 quilos de cocaína de alta pureza, há quase quatro anos.

O que havia de diferente nos dois casos, além da brutal diferença de quantidade de droga apreendida?

O homem condenado a quatro anos e onze meses de prisão já se encontrava preso na Cadeia Pública de Cataguases, Minas Gerais, quando um policial civil o viu entregar a outro detento um pacotinho com a maconha, tão pequeno que era difícil enxergar de longe. Seria um pouco mais grosso que um palito de fósforo.

Já os 445 quilos de pasta base de cocaína foram apreendidos por uma força tarefa que uniu policiais federais e policiais militares do Espírito Santo e estavam sendo descarregados do helicóptero da família do senador Zezé Perrella, também de Minas Gerais.

A quantidade de drogas era tanta que encheu o porta-malas do Volkswagen Polo que aguardava no interior de uma fazenda pela chegada da droga, embarcada no Paraguai.

O helicóptero foi devolvido à família do senador, apesar da legislação prever o confisco de bens usados no tráfico. Os pilotos foram soltos seis meses depois do flagrante, assim como dois ajudantes. Já o presidiário de Cataguases vai passar mais alguns anos trancado na cadeia.

Tânia, desembargadora e agora tutora de um acusado de narcotráfico e ligações com o crime organizado.

Agora, do Mato Grosso do Sul, vem a notícia de que o filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, foi solto, apesar das provas que existem do envolvimento dele com o tráfico de drogas.

Breno Fernando Solon Borges, de 37 anos foi preso pela Polícia Rodoviária Federal em abril deste ano, com 130 quilos de maconha, 199 projéteis calibre 7.62 e 71 projéteis de pistola 9 milímetros, munição para armas de uso restrito das Forças Armadas.

O empresário é dono de metalúrgicas e serralherias em Campo Grande e outros estados, como Paraná e Santa Catarina, e foi preso pela Polícia Rodoviária Federal quando viajava com a namorada e um funcionário dele, em dois carros.

Interrogado, o filho da desembargadora não revelou a origem do armamento e das drogas e nem dos supostos compradores. Já tinha passagem pela polícia, por porte ilegal de arma, e era investigado sob a suspeita de participar de um esquema de tráfico de drogas e armas para traficantes do interior de São Paulo, utilizando como fachada a participação em corridas de motos.

O nome de Breno também apareceu numa investigação que apurava um plano para resgatar presos.

Nas redes sociais, ostentava uma vida de luxo.

Para ser liberado, seus advogados apresentaram um laudo médico que atribui a ele Síndrome de Borderline, doença que “consiste basicamente no desvio dos padrões de comportamento do indivíduo, manifestado através de alterações de cognição, de afetividade, de funcionamento interpessoal e controle de impulsos”.

O site Campo Grande News cobriu o caso e informou que, em uma das tentativas de libertar Breno, com o laudo em mãos, a mãe, presidente do TRE, se ofereceu como tutora para o filho ser internado em uma clínica médica. O juiz de primeira instância negou, dada a gravidade da acusação.

Na sexta-feira passada, o desembargador Ruy Celso Barbosa Florence tomou uma decisão diferente: liberou Breno da prisão. O compromisso assumido pela defesa é que ele se submeterá a tratamento psiquiátrico adequado, sob a tutela e responsabilidade da mãe, que se comprometeu a levá-lo a todas as audiências do processo.

Enquanto isso, as cadeias em todo o Brasil enfrentam o problema da superlotação por conta da chegada de novas levas de acusados de tráfico. Casos como o do presidiário condenado por conta de 0,02 gramas de maconha. Muitos dos presos são mulheres e negros, quase todos são pobres.

Munição apreendida com o filho da desembargadora: suspeita de que ele ajudaria no resgate de presos.

***

VIDA DE MILIONÁRIO DENUNCIOU FILHO DE DESEMBARGADORA PRESO POR TRÁFICO DE DROGAS
Via JD1 em 24/7/2017

Breno Fernando Solon Borges, de 37 anos, filho da desembargadora Tânia Garcia Freitas Borges, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, era conhecido por ser um frequentador assíduo das casas noturnas de Campo Grande e costumava gastar milhares de reais por onde passava.

De acordo com informações, essa vida de milionário de Breno foi uma das atitudes que fez a polícia desconfiar do filho da desembargadora.

O empresário era investigado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) desde o Carnaval deste ano, quando foi detido durante operação portando uma pistola 9mm municiada.

Na ocasião Breno vinha de São Paulo e foi parado no km 454 da BR-163. Após pagamento de fiança e foi liberado para responder pelo crime porte ilegal de arma em liberdade.

Porém o tipo de arma carregado pelo empresário chamou a atenção da polícia que passou a monitorá-lo.

Foi então que a polícia descobriu que o Jeep Renegade vermelho, apreendido no último sábado com o empresário, era responsável por levar maconha e munição restrita de Mato Grosso do Sul para São Paulo.

O material, provavelmente, seria oriundo do Paraguai. Com a informação de que um novo carregamento estava sendo levado para são Paulo uma operação foi montada e o empresário foi detido no km 141 da BR-262.

***

Bacana não fica aqui.

FILHO DA DESEMBARGADORA DEIXOU A PENITENCIÁRIA E JÁ ESTÁ NA CLÍNICA
Via Campo Grande News em 24/7/2017

Breno Fernando Solon Borges, de 37 anos, já foi transferido para clínica psiquiátrica. O empresário e filho da desembargadora Tânia Garcia Freitas Borges, presidente do TRE/MS (Tribunal Regional Eleitoral), é acusado de tráfico de drogas, armas e de participar de plano de fuga de um líder do crime organizado, mas conseguiu habeas corpus nesta semana.

Conforme apurou o Campo Grande News, Breno saiu no início da tarde de sexta-feira, dia 21/7, da Penitenciária de Três Lagoas.

A família pretendia levá-lo para tratamento em Atibaia, interior de São Paulo, mas pela ordem judicial, ele terá de ficar internado provisoriamente em clínica que fica em Mato Grosso do Sul.

A defesa conseguiu habeas corpus alegando que Breno é dependente químico e precisa tratar o vício.

Prende e solta – Flagrado com maconha e munições de uso restrito no Brasil, o filho da desembargadora foi preso no dia 8 de abril deste ano.

No dia 14 de julho, advogados de Breno conseguiram o primeiro habeas corpus, mas neste mesmo dia, ele teve a prisão preventiva decretada em processo que é acusado de ajudar a arquitetar plano de fuga de Tiago Vinícius Vieira, conhecido líder de organização criminosa, do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, o presídio de segurança máxima de Campo Grande.

Até a madrugada de sexta-feira, dia 21/7, o acusado de tráfico permaneceria na prisão, mas uma nova liminar, concedida durante o plantão do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), determinou que ele tivesse a “prisão preventiva substituída por internação provisória em clínica médica”.

Droga e armas – Breno foi preso no dia 8 de abril pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), em Água Clara – a 198 km de Campo Grande. Na ocasião, ele estava acompanhado da namorada Isabela Lima Vilalva e do serralheiro Cleiton Jean Sanches Chave.

Em dois veículos, o trio transportava 129,9 kg de maconha, 199 munições calibre 7.62 e 71 munições calibre 9 milímetros, armamento de uso restrito das Forças Armadas no Brasil.

Consta na denúncia, oferecida pelo Ministério Público Estadual, que “Breno era o mentor da associação e responsável pela tomada das principais decisões”. Já “Isabela figurava como auxiliadora do primeiro denunciado, instruindo-o, acompanhando-o e auxiliando-o naquilo em que fosse necessário”.

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: