Gregorio Duvivier: Este país que detesta mudança muito brusca

Gregorio Duvivier em 3/7/2017

Aécio não foi preso porque essa coisa de começar a prender senador seria uma mudança muito brusca, e Temer não deve cair pela mesma razão, e provavelmente não vamos ter eleições diretas, porque seria uma mudança brusca, e no Brasil não costuma acontecer nenhuma mudança brusca, mas se por acaso o Temer cair, o governo já prometeu que vai assumir alguém igual ao Temer, vai ser uma espécie de governo Temer sem Temer, porque o Brasil não gosta muito de mudança brusca, e o próprio Temer não foi uma mudança tão brusca porque o Temer já era vice da Dilma, sim, Temer foi o primeiro vice da história a tramar um impeachment que empossou ele mesmo, sim, eu sei que é estranho, é um pouco como você receber a herança de um parente que você matou, mas, desde então, Temer tem conseguido ser mais impopular que Dilma, que já era bem impopular, e pra explicar como ela foi eleita tem que voltar mais um pouco, porque as pessoas queriam que o governo Lula continuasse igualzinho, e não tivesse nenhuma mudança brusca, e Lula já não podia continuar porque já tava lá há oito anos, e só foi eleito na época porque tinha prometido que não ia ter nenhuma mudança brusca em relação ao governo Fernando Henrique, que já não podia ser reeleito porque já tava lá há oito anos, e só foi eleito porque tinha sido ministro no governo anterior, do Itamar, que ninguém gostava muito, mas o outro candidato era o Lula, e aquilo seria uma mudança brusca, e Itamar só assumiu porque era vice do Collor, que as pessoas só elegeram porque tinham medo que o Lula fizesse alguma mudança brusca, e mesmo que elas odiassem o Sarney ninguém queria uma mudança muito brusca, e antes do Sarney a ditadura só tinha acabado porque todo o mundo se comprometeu a não prender nenhum general e nenhum torturador, não, nenhum torturador foi preso no Brasil, e eram muitos, mas prender torturador seria uma mudança muito brusca, e todo o mundo queria o fim da ditadura, mas ninguém queria uma mudança brusca, mesmo que tudo estivesse uma bosta, e o golpe de 64 só aconteceu porque o Jango tava ameaçando fazer uma mudança brusca, quer dizer, na verdade nem chegou a ameaçar, mas o pessoal sentiu cheiro de mudança brusca, e tudo foi uma grande continuidade, e já não sei se alguma vez na nossa história houve uma mudança brusca, se você for ver os últimos 500 anos do Brasil foram um grande medo de mudança brusca, ou seja, por aqui, pode ter certeza de que nada de realmente novo vai acontecer por um bom tempo, tem muita gente trabalhando intensamente pra isso, por aqui mudam-se os tempos, mudam-se as vontades – mas, como diz o poeta, devagar, devagar, devagarinho.

2 Respostas to “Gregorio Duvivier: Este país que detesta mudança muito brusca”

  1. daysens Says:

    O evitar todo fato ou ato de modo brusco é antigo.
    Afinal, quando Cabral chegou na Terra Brasilis, só foi anunciada ao mundo a descoberta, tempos após a sua chegada aqui.
    Logo, esta coisa de evitar atos/fatos bruscos vem de séculos atrás.

  2. Péricles Pegado Cortez Says:

    É isso aí! O povão também não quer nada brusco, só queremos ser felizes! E as elites sabem disso. Os 100 mil mortos anualmente no Brasil e tudo povão ! Então que se fd…..

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