Janot blinda Henrique Meirelles em denúncia contra Temer

Joesley, o safadão, e Meirelles, que antes de ser ministro foi presidente do grupo J&B.

Cíntia Alves, via Jornal GGN em 29/6/2017

Não foi só parte da grande mídia que tratou de blindar o ministro da Fazenda Henrique Meirelles do impacto da gravação de Joesley Batista com Michel Temer, na calada de uma noite de março, no Palácio do Jaburu. A denúncia que o procurador-geral Rodrigo Janot apresentou ao Supremo Tribunal Federal não cita nenhuma linha do que Joesley demandou de Temer em relação a “Henrique”, seu antigo colega de Grupo J&F.

Janot apenas informou ao Supremo que a Polícia Federal solicitou o desmembramento da investigação no Cade e que o caso seria enviado à Procuradoria da República no Distrito Federal para averiguação. Isso porque funcionários interrogados pela PF admitiram que foram procuradores por Rodrigo Rocha Loures para discutir uma disputa que envolvia Petrobras e a empresa EPE, do grupo J&F, em torno da compra de gás boliviano. Mas negaram que tenham interferido na questão, já que a Petrobras decidiu refazer o contrato e atender as exigências da EPE.

Para o PGR, contudo, o que aconteceu ou não mudaria o fato de que Rodrigo Rocha Loures foi indicado por Temer a Joesley Batista como a pessoa de “confiança” que ajudaria o empresário a resolver seus problemas com órgãos do governo.

Ocorre que a indicação de Loures aconteceu na mesma conversa em que Joesley pediu para usar o nome de Temer para pressionar Henrique Meirelles a fazer mudanças de interesse do grupo empresarial. Joesley não detalhou as demandas, mas narrou resistência de Meirelles em atendê-lo.

“É só isso que eu queria, ter esse alinhamento. Para ele perceber que nós temos… Mas quando eu digo ir mais firme no Henrique, é isso… esse alinhamento que eu queria ter…”, disse Joesley, ao que Temer respondeu: “Tá bom, pode fazer.”

Em outro grampo, de Rocha Lourdes com Joesley, o empresário esclareceu que não queria indicar pessoas para ter “posições-chave” no Cade, CVM, Receita, Banco Central e Procuradoria da Fazenda. “Eu só preciso é resolver meus problemas, não é que eu gostaria que fosse João ou Pedro [o indicado]…”

Nada disso foi citado por Janot.

Diante de Joesley, Loures fez uma série de telefonemas para provar que podia ajudá-lo. Depois, foi filmado pela PF recebendo uma mala com R$500 mil da JBS.

Na denúncia, Janot sustentou que não era Loures, mas sim Temer o destinatário final da propina. E vinculou a mala aos assuntos no Cade, independente de como o litígio com a Petrobras tenha sido sanado.

Não há mais indícios de que Meirelles tenha participado do esquema, embora a menção a ele em conversa com Joesley tenha sido questionada a Temer pela Polícia Federal. Mas o ministro poderia, no mínimo, detalhar as exigências do sócio da JBS e dar a dimensão do quanto Temer pode ter aberto a porteira do governo para o empresário.

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