Luis Felipe Miguel: Algo acontece no reino da Lava-Jato

Luis Felipe Miguel, via Jornal GGN em 28/6/2017

O fato político mais importante de ontem [27/6] não foi o discurso com as bravatas de Michel Temer, que simplesmente seguiu o script. Foi a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, revertendo o veredito de Sérgio Moro e absolvendo João Vaccari.

Quatro elementos tornam a decisão memorável. Primeiro, Vaccari não é personagem secundária da história. Se a Lava-Jato tem apenas um alvo prioritário, que é o ex-presidente Lula, Vaccari certamente vem logo depois, no segundo batalhão. Trata-se de um revés importante para Moro, ainda mais porque (e este é o segundo elemento) a condenação anulada é a mais pesada das cinco que o juiz do PSDB paranaense aplicou a Vaccari.

A anulação parece também sinalizar uma mudança no comportamento do TRF4 em relação a Sérgio Moro. Não custa lembrar que foi este Tribunal que, no dia 22 de setembro do ano passado, consagrou o estado de exceção no Brasil, ao determinar que o juiz de primeira instância de Curitiba estava desobrigado de cumprir a lei, tornando facultativo, para ele, o respeito às regras processuais vigentes.

Por fim, o mais importante de tudo: os juízes do TRF4 entenderam que a condenação não se sustentava porque era baseada exclusivamente nas denúncias acertadas nas delações premiadas. Estabeleceram, em suma, a ideia revolucionária de que são necessárias provas incriminatórias. É fácil imaginar o impacto que esse julgamento, caso se consolide como padrão no tribunal revisor, terá sobre outras decisões de Moro.

Pode ser que, em função de novas pressões, o TRF4 recue no futuro breve. Afinal, a política da Lava-Jato é intrincada. Mas que há algo acontecendo, isto há.

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Uma resposta to “Luis Felipe Miguel: Algo acontece no reino da Lava-Jato”

  1. Oscar Pereira de Barros Says:

    O que acontece na “lava-jato” é muito mais do que, o exposto. Jamais qualquer promotor inquiriu os réus para saber de onde saíra o dinheiro em espécie para pagamentos de propina. Somente o Marcelo Odebchet declarou pagamentos superiores a 3 bilhões de dólares, e, mais, disse ter retirado 1 milhão e meio de reais por dia em tranches de 500 mil cada um, para efetuar pagamentos. Retirou de onde? As importâncias depositadas no exterior, compraram casas, automóveis e jóias no Brasil, como esse dinheiro chegou por aqui? Se limitaram a dizer: Via Cambista ou pior “operador Financeiro”. Não por acaso duas atividades absolutamente esdruxulas ao mercado financeiro. O que há na verdade, estariam os bancos desobedecendo os regulamentos do BACEN e, fornecendo altos volumes em dinheiro constantes em “contabilidades paralelas” ( aconteceu antes), ou essa dinherama toda estaria sendo fornecida por “banqueiros de bicho”, ou ainda por traficantes de drogas e armas? Somente os seguimentos mencionados trabalham com dinheiro vivo. Outro ponto obscuro, diz respeito as tais delações premiadas que, segundo advogados tem custo a partir de 5 milhões até 15 milhões. Setra que, tais importâncias param em mãos apenas dos advogados, ou existe como sempre existiu um “raxide” ( termo policial ) entre advogados e os “comandantes” da tal lava-jato, tais como, policiais da federal, promotores e juiz ? Penso ser o buraco bem mais embaixo….

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