Quem é o misterioso Edgar suspeito de receber propinas em nome de Temer

Polícia Federal não faz ideia de quem seja Edgar, usado por Rodrigo Rocha Loures para receber propina em espécie da JBS, em nome do governo Temer. Pelas informações da Lava-Jato, trata-se de alguém próximo do presidente e que trabalha de São Paulo. Na década de 1990, Temer dividiu escritório de advocacia com um Edgar.

Cíntia Alves, via Jornal GGN em 6/6/2017

Uma das 82 perguntas que a Polícia Federal enviou a Michel Temer, a reboque das acusações da JBS à Lava-Jato, questiona se o presidente conhece “Edgar”.

“Vossa Excelência tem alguém chamado ‘EDGAR’ no universo de pessoas com quem se relaciona com certa proximidade? Se sim, identificar tal pessoa, mencionando a atividade profissional, eventual envolvimento na atividade partidária, descrevendo, ainda, a relação que com ela mantém”.

O misterioso Edgar aparece em conversas gravadas por Ricardo Saud, da JBS, com Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer, preso no sábado, dia 3/6, após ser flagrado pela PF carregando uma mala com R$500 mil em propina.

Um relatório da Lava-Jato mostra que Saud, em encontro com Loures, citou um atual esquema de corrupção em benefício dos interesses do grupo J&F junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que renderia a coleta de R$500 mil em propina, em média, por semana.

Saud demonstrou urgência em decidir quem seria o responsável por retirar o dinheiro. Loures, então, afirma que vai conversar com Edgar, que seria o novo responsável por intermediar o recebimento da propina, pois “outros caminhos estavam congestionados”.

“Pelo conteúdo da conversa”, diz a Lava-Jato, “a aceitação dos valores ilegítimos já tinha se processado, restando pendente de definição a forma como seriam realizados os pagamentos periódicos. Antecipadamente, RODRIGO LOURES mencionou que caberia à pessoa de EDGAR intermediar tais operações (uma vez que ‘outros caminhos estavam congestionados’), chegando a aventar, ao final, a inserção de alguma empresa para a emissão de notas fiscais”.

O pagamento com nota fiscal foi descartado por Saud e ficou acertado, então, que a transação seria em espécie e ocorreria em um colégio de São Paulo.

“Ao tratarem mais a fundo dessa possibilidade, RODRIGO foi claro ao afirmar, em suma, que o ‘coronel’ não poderia mais apanhar o dinheiro, razão pela qual tal tarefa seria confiada a ‘EDGAR’ ou a ‘RICARDO’, este mencionado como ‘xará’”.

Coronel, para a Lava-Jato, pode ser um amigo de Temer desde a década de 1990, que se chama João Baptista Lima Filho, mais conhecido como Coronel Lima – também objeto de perguntas da Polícia Federal ao presidente. A JBS afirma ter entregue ao Coronel Lima R$1 milhão em propina com destinação a Temer.

Edgar ainda não foi identificado pelos investigadores, mas Ricardo, o “xará” citado na conversa como alternativa a Edgar no recebimento de propina, é Ricardo Conrado Mesquita, vinculado à Rodrimar, na visão da Lava-Jato.

Uma reportagem de 2001, da Folha, mostra que Temer também tem um Edgar em seu círculo de amizades desde os tempos de deputado federal. Trata-se de Edgar Silveira Bueno Filho. Não necessariamente o Edgar buscado pela força-tarefa. Mas um especialista em “agências reguladoras e concorrenciais”, justamente o assunto que dá dor de cabeça à JBS.

Edgar Bueno é desembargador aposentado do Tribunal Regional Federal de São Paulo e foi presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais) em 1993. De acordo com a Folha, “dividiu escritório de advocacia com o deputado federal Michel Temer (PMDB/SP)”.

O advogado chegou a palestrar sobre a revisão judicial dos atos administrativos de órgãos reguladores e de defesa da concorrência em 2003, em seminário organizado pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal.

O ex-sócio de Temer aparece ligado a escândalo envolvendo a desapropriação de um prédio pelo TRF, em 1990. O Ministério Público considerou a expropriação indevida porque o imóvel teria sido superfaturado (valia 10% do valor cobrado por ele).

O caso, segundo o jornal, gerou à União um prejuízo de R$200 milhões. Após a investida do MP contra a desapropriação, o poder público recuou, mas não sem a família dona do imóvel entrar com uma ação bilionária de indenização. Edgar Bueno teria feito a defesa da família, contratado por Roberto Elias Cury. Leia mais aqui.

Pode ser apenas coincidência de nomes. Pode ser que não. A prisão de Rocha Loures deve elucidar a dúvida sobre a identidade de Edgar.

Operação Patmos – Rodrigo Rocha Loures

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EDGAR CITADO POR LOURES ESTÁ LIGADO AO PORTO DE SANTOS
Via Jornal GGN em 16/6/2017

O “Edgard” citado em uma gravação entre Ricardo Saud, executivo da J&F, e Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Michel Temer, pode ser o diretor jurídico de uma empresa que trabalha no Porto de Santos, Edgard Laborde Gomes.

De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, investigadores da Operação Patmos afirmam que essa é uma das linhas de investigação sobre quem seria Edgard. Nas 82 perguntas da Polícia Federal enviadas para Temer, uma delas questiona o presidente sobre o nome citado na conversa entre Saud e Loures.

Por meio de nota, Egdard Laborde afirmou que manteve um escritório na mesmo prédio de uma sala de Michel Temer “há mais de 20 anos”. Ele também afirma que, desde então, não teve qualquer contato com o peemedebista. Entretanto, os dois se encontraram na cerimônia em que foi assinado documento que prorrogou por 70 anos as concessões do Porto de Santos.

Já o presidente Michel Temer negou contato com Edgard e afirmou, por meio de sua assessoria, que “desconhece a empresa citada e os personagens a ela relacionados”. Sobre a cerimônia do Porto de Santos, o Palácio do Planalto disse que o presidente “tem contato contato com milhares de pessoas todos os anos” e que cabe a cada ministério fazer os “convites relacionados aos assuntos da pasta”.

Outros “Edgares”
Há cerca de uma semana, o Jornal GGN analisou quem poderia ser o Edgar usado por Rodrigo Rocha Loures para receber propina em espécie da JBS, em nome do governo Temer. Edgar Silveira Bueno Filho, especialista em “agências reguladoras e concorrenciais” e desembargador aposentado do Tribunal Regional Federal de São Paulo, “dividiu escritório de advocacia com o deputado federal Michel Temer (PMDB/SP)”, segundo reportagem da Folha de S.Paulo de 2001.

Bueno Filho aparece ligado a escândalo envolvendo a desapropriação de um prédio pelo TRF, em 1990. O Ministério Público considerou a expropriação indevida porque o imóvel teria sido superfaturado.

Outro nome aventado para ser o “misterioso Edgar” seria Edgar Santos Neto, citado em delação de um um ex-diretor da Odebrecht como o operador do PMDB que recebeu propina destinada a Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil de Temer.

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