Andrea Neves e o ritual do linchamento

Luis Nassif, via Jornal GGN em 14/6/2017

O ministro Marco Aurélio de Mello é uma figura anacrônica. Quando discute a resistência do presidente do Senado, Eunício de Oliveira, em afastar Aécio Neves, empunha a Constituição e fala grosso contra ele. Quando analisa as razões para manter Andréa Neves na prisão, invoca a Constituição e os códigos para defender o fim da prisão provisória.

Nesses tempos em que cada jurista interpreta a Constituição de acordo com seus interesses midiáticos, ideológicos ou partidários, e que ministros, como Luís Roberto Barroso, se julgam no direito divino de reescrever a Lei Magna, Marco Aurélio teima nesse anacronismo de continuar considerando o STF o guardião da Constituição e de interpreta-la de acordo com a vontade dos constituintes.

E ele indaga: qual o motivo da manutenção de Andrea Neves na prisão, antes de qualquer instrução, qualquer processo?

O episódio de Andrea sendo achincalhada no momento da prisão é vergonhoso, da mesma maneira que os escrachos contra Gleise Hoffmann no aeroporto de Curitiba ou as manifestações estridentes na frente do apartamento José Dirceu, em Brasília, ou de Adriana Ancelmo, esposa de Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro.

Assisti, por acaso, as manifestações na frente do apartamento de Adriana. Não respeitaram filhos pequenos. Um grupo de desocupados babando sangue, representando a pior escória humana, os linchadores do Santo Ofício, os vampiros do macarthismo, as hordas do nazi-fascismo, berrando palavras de vingança. Eram personalidades retorcidas, como nas sessões de exorcismo, espíritos ruins contaminando o comportamento da Nação.

Não é por coincidência – nem por visão moralista da história – que, depois da sessão escabrosa, em que a Câmara votou a favor do impeachment, os mais retumbantes moralistas caíssem alvos de operações anticorrupção.

No Facebook ocorreu um movimento curioso. Sempre que aparecia alguma denúncia contra golpistas e meliantes de várias estirpes, internautas corriam para analisar seu perfil na rede. E constatavam que a maioria deles tinha sido ativo participante das cruzadas moralistas pró-impeachment.

O linchamento é o momento em que os piores gozam a possibilidade de se confraternizar com os bons; e os “bons” conseguem explicitar seus sentimentos mais tenebrosos, como se estivessem em um desses ambientes de realidade virtual, em que são autorizados a matar, linchar sem riscos, com o álibi de estarem a favor de uma causa do bem.

Ainda que o grupo de Aécio tenha mandado para a prisão um jornalista cardíaco, por supostos crimes de opinião.

2 Respostas to “Andrea Neves e o ritual do linchamento”

  1. COPACABANA EM FOCO Says:

    Eu sou da velha filosofia, cachorro morto não se chuta.

  2. Geraldo Franco Says:

    A queridinha do outro deve estar bem servida de fêmeas em seu novo pedaço. Pode passar o resto da vida nessa outra vida que não vai fazer diferença negativa, ao contrário!

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