Ad perpetuam rei memoriam

Maria Fernanda Arruda, via Jornal GGN em 10/6/2017

Feitos históricos – Há os de valor épico e há os histriônicos – É citada a batalha vencida por Napoleão em Austerlitz, estudada por seu brilho estratégico em todas as escolas militares. E, segundo consta, o próprio general dizia que todos os que lutaram nesse episódio seriam considerados como bravos.

Mas, dois séculos passados, só assistimos batalhas jocosas. Mudando-se a face geográfica, ora situando Brasília (DF), assistimos uma que deverá ficar com registro nos anais e almanaques como o desvendar de uma era em que tudo se ousa por vaidades, mesmo que para figurar em tela de TV.

Assistimos, pasmos, todos os brasileiros e alguns curiosos do resto do mundo, ao show de fardados, togados que sob prévia arrumação de melenas e maquiagens desta feita sob profissionais de TV, se expuseram galhardamente em poses a ser registradas nos filmes que certamente guardarão para gáudio de avós ou descendentes.

Durante período de um mês, todos o staff da mais alta corte de justiça brasileira de pôs, com brilho nos olhos como debutantes de palco a debulhar uma farsa a que a força das palavras chamou de “mensalão” do PT. Isso por efeito de outros mensalões mais antigos não entrarem como cogitações dignas dos 11 mosqueteiros que nesta digladiaram como paladinos do bem, justiça e moralidade…

Nada como holofotes para despertar os valores antes encobertos. Não só valores como segredos. E não havendo nos códigos brasileiros, porque não usar de outros países como meio de incriminar petistas, esquerdistas?

Se em outros códigos também não se encaixava o ódio todo, usando-se uma dica de um certo alemão, Claus Roxin, que já teve analisando fobias assemelhadas contra nazistas. Não era a letra adequada, mas o ódio sim!

E, mais, toda a mídia, caudatária da TV patrocinadora queria e torcia por “sangue”, como em touradas ou lutas do Coliseu romano ou de ringue de outras lutas. Mas se a causa era de final programado e todos sabiam qual o desideratum, não se poderia desprezar o lado estético.

Ministras não iriam perder o rebolado e, se era para condenar, nem provas precisavam. Bastaria a bravata de um assessor de médio ou pequeno saber a dizer que na “literatura” tudo se permite e, assim condena-se e – pronto!

Os penteados masculinos também foram destaque. Fux com sua goma capilar derretendo parecia o brilho intelectual se expondo! Para não ter preocupação sobre ser julgado por esse lado teve a inspirada estratégia de fazer eco e quase repetir tudo o que dizia o relator, também acusador. Isso como se relato não se prendesse aos fatos quando o ódio tem de ter presença já que foi previamente pago pela TV…

Os demais coadjuvantes optaram por seguir a boiada como se fossem Pilatos lavando as mãos, já que sem querer obstar o corpulento e agressivo relator – talvez – ficassem ao menos na dúvida se era esse o leitmotiv que sonharam antes de chegar às suas posições…

Mas, tal qual os soldados de Napoleão, ao serem lembrados como participantes dessa batalha sempre serão chamados de truões.

Maria Fernanda Arruda é escritora e ativista digital.

Uma resposta to “Ad perpetuam rei memoriam”

  1. magda f santos (@magdafsantos) Says:

    BRILHANTE ANALISE!

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