A bolinha de papel de Míriam Leitão

Luis Nassif, via Jornal GGN em 14/6/2017

Não gosto de me meter em brigas de jornalistas. Mas o episódio abaixo teve intenções políticas óbvias, que transcendem as meras quizílias corporativas.

Estamos em plena era das redes sociais. Hoje em dia, celulares captam PMs assassinando pessoas em ruelas escuras, políticos sendo escrachados na rua, em casa, em aviões. Um funcionário da United foi filmado retirando um passageiro do avião.

Segundo a jornalista Míriam Leitão, no dia 3 de junho, ou seja, dez dias atrás, ela foi escrachada em um avião da Avianca por um grupo do PT. Segundo Míriam, não foi uma manifestação qualquer, foram duas horas (!) de ofensas.

“Durante o voo foram muitas as ofensas, e, nos momentos de maior tensão, alguns levantavam o celular esperando a reação que eu não tive. Houve um gesto de tão baixo nível que prefiro nem relatar aqui. Calculavam que eu perderia o autocontrole. Não filmei porque isso seria visto como provocação. Permaneci em silêncio. Alguns, ao andarem no corredor, empurravam minha cadeira, entre outras grosserias”.

Segundo depoimento do advogado Rodrigo Mondego, no Facebook, presente ao voo:

Cara Míriam Leitão,
A senhora está faltando com a verdade!
Eu estava no voo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime. O que houve foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país. A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de voo, ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso.

Um incômodo, certamente, mas irrelevante, em que sequer seu nome foi mencionado, ao contrário da versão da jornalista, de ter sido vítima de duas horas de escracho.

Um segundo depoimento foi de Lúcia Capanema, professora de Urbanismo da UFF – Universidade Federal Fluminense:

[…] Fui a última a entrar no avião, e quando o fiz encontrei um voo absolutamente normal. Não notei sua presença pois não havia nenhum tipo de manifestação voltada à sua pessoa. O episódio narrado por mim na semana passada a respeito da entrada de um agente da Polícia Federal no voo 6342 da Avianca no dia 3 de junho foi confirmado em nota oficial pela própria companhia aérea. Você pode dizer na melhor das hipóteses que não viu o agente, mas não pode afirmar que “Se esteve lá, ficou na porta do avião e não andou pelo corredor”. Andou, dirigiu-se ao passageiro da poltrona 21A e o ameaçou (clique aqui).
Durante as duas horas de voo nada houve de forma a ameaçá-la, achincalhá-la ou mesmo citá-la nominalmente. Por duas ou três vezes entoou-se os já consagrados cânticos “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” e “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”; cânticos estes que prescindem da sua presença ou de qualquer pessoa relacionada a empresa em que você trabalha, como se pode notar em todas as manifestações populares de vulto no país. Veja bem, estávamos a apenas seis fileiras de distância e eu só fui saber de sua presença na aeronave na segunda-feira seguinte, depois de ter escrito o relato publicado por várias fontes de informação da mídia alternativa. […]

Quem falou a verdade, eles ou Míriam?

Nada melhor do que a prova do pudim.

Alguém pode imaginar uma cena dessas, de duas horas de escracho, em um voo comercial em uma das rotas aéreas mais frequentadas do país, passar em branco durante dez dias, sem uma menção sequer nas redes sociais ou mesmo no próprio blog da jornalista? Não teve uma pessoa para sacar de seu celular e filmar as supostas barbaridades cometidas contra a jornalista. Não teve um passageiro para denunciar os absurdos no seu perfil? E a jornalista disse que não filmou por ter se sentido intimidada e estoicamente guardou durante dez dias as ofensas que diz ter sido alvo.

Sinceramente, como é possível a uma pessoa empurrar ostensivamente a cadeira de um passageiro, de uma senhora, sem provocar uma reação sequer dos demais? Tivesse sido alvo de um escracho real, teria toda minha solidariedade. Não foi o caso.

Mesmo assim, imediatamente – como seria óbvio – a denúncia de Míriam provocou manifestações de solidariedade não apenas de entidades de classe como de jornalistas que não se alinham ao seu campo de ideias. De repente, foram relevadas todas as opiniões polêmicas da jornalista, nesses tempos de lusco-fusco político, de ginásticas mentais complexas para captar os ventos da Globo, para que explodisse uma solidariedade ampla.

No início do governo Dilma, houve episódio semelhante com Míriam, com a tal manipulação de seu perfil na Wikipédia por algum funcionário do Palácio. As alterações diziam que ela teria cometido erros de avaliação em alguns episódios.

Não existe um personagem público que não tenha sofrido com interferências em seu perfil na Wikipédia. E tentar transformar em atentado político, por ter partido de um computador da rede do Palácio, é o mesmo que acusar uma empresa por qualquer e-mail enviado por qualquer funcionário.

Mesmo assim, Míriam tratou o episódio como se fosse uma ofensa profunda à sua moral e um ato de intolerância política.

O lance pegou uma presidente ansiosa por demonstrar solidariedade que, imediatamente, ordenou a abertura de um inquérito para apuração de responsabilidades. Um episódio insignificante ganhou, então, contornos de um quase atentado terrorista.

E, assim como agora, todos os amigos e adversários de Míriam esqueceram as diferenças, por alguns instantes, para se irmanar em um daqueles momentos em que todos amainam a visão crítica e se solidarizam com a suposta vítima.

E depois se diz que são as redes sociais que criam a pós-verdade.

***

COMO REALMENTE FOI O ESCRACHO A MÍRIAM LEITÃO

COMO MÍRIAM LEITÃO DISSE QUE FOI O ESCRACHO

Leia também:
Leandro Fortes: A arapuca e o republicanismo do PT

5 Respostas to “A bolinha de papel de Míriam Leitão”

  1. Heloiza Helena Pias Says:

    n achei nado estranho, ela nunca me passou crdibilidade em nada, ela age a mando d suaemissora q a paga para fazer estrelismo em toda a parte q passar, precisa e quer ser notada, q peninha dela, tão estudade e tão burrinha em pensar q alguém acreditaria em sua mais nova historinha.

  2. Rogério Guimarães Oliveira Says:

    A Leitão é uma PHD e uma Pós-Doutorado na escola que frequenta, a Universidade Globo de Mentiras e Enganações. Neste episódio, ao que se conclui, ela apenas faz aquilo que sabe fazer muito bem e para o que recebe o seu salário todos os meses: mentir. Ela mente muito. E mente sobre o tal escracho. E mente de forma descarada.

  3. magda f santos (@magdafsantos) Says:

    A leitoa não merece nem comentários!!

  4. gustavo_horta Says:

    Republicou isso em Gustavo Hortae comentado:
    “Eu é que sou um imbecil!”
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2017/06/09/eu-e-que-sou-um-imbecil/
    “Hoje descobri que sou tolo, foi um colega meu na Universidade que
    me fez sentir isto.
    Eu não aceito que o Lula seja um corrupto, e somente pode ser consequência
    de minha extrema burrice. Lula é um mala de primeira qualidade, uma
    desonesto extremamente inteligente, e eu sou um tolo.
    Afinal, fhc e sua corja imunda são todos malfeitores, mas são criminosos …”

  5. gustavo_horta Says:

    “Eu é que sou um imbecil!”
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2017/06/09/eu-e-que-sou-um-imbecil/
    “Hoje descobri que sou tolo, foi um colega meu na Universidade que
    me fez sentir isto.
    Eu não aceito que o Lula seja um corrupto, e somente pode ser consequência
    de minha extrema burrice. Lula é um mala de primeira qualidade, uma
    desonesto extremamente inteligente, e eu sou um tolo.
    Afinal, fhc e sua corja imunda são todos malfeitores, mas são criminosos …”

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