Luis Nassif: Brasil, um país controlado pelo crime organizado

Luis Nassif, via Jornal GGN em 5/6/2017

PEÇA 1 – O CRIME APOSSANDO-SE DO ESTADO
Há uma preocupação global com a tomada do poder nacional pelo crime organizado. O Brasil se tornou um caso emblemático, inédito de jovem democracia que, após inúmeros avanços sociais, morais e econômicos, teve como desfecho a subordinação do país ao crime organizado. E não se está falando das vinculações entre o tráfico e o Congresso, que ainda não foram devidamente apuradas.

Por aqui, montou-se o mais esdrúxulo pacto da atualidade. Em troca de entregar reformas profundamente antipopulares, excessivamente radicais, enfiadas goela abaixo da população sem nenhuma negociação – e, por isso mesmo, de vida curta –, a organização que se apossou do poder ganhou salvo conduto para assaltar.

Temas de alto interesse nacional, com reflexos sobre as próximas décadas, como a venda de terras públicas, a flexibilização ampla no licenciamento ambiental, a demarcação de terras indígenas, concessões portuárias, tudo está sendo entregue, no mais amplo processo de desmonte a que o país foi submetido.

Há muitas dúvidas sobre a oportunidade ou não das diretas-já. Mas há uma certeza: Temer não pode continuar.

O país está no estágio do chamado trem desgovernado. Há um início de reorganização da opinião pública, os partidos políticos tentando entender o momento, mas ainda assim, um estado de estupor generalizado, caracterizado pelos seguintes pontos:

1) Um assalto ao Estado, através de aparelhamento indiscriminado da máquina, disseminação de portarias, sede para negociatas, sem nenhuma forma de controle.
2) Uso do Estado para subornar todos os poderes, incluindo a mídia, conforme se apurou em grampo recentes do senador Aécio Neves. Compra a mídia com publicidade, parlamentares com leis e portarias, autorização para venda de terras públicas, flexibilização selvagem das leis ambientais, concessões de portos e de teles.
3) O único fator de contenção é a perspectiva de queda de Michel Temer. Qualquer sinal de fortalecimento de Temer significará uma ampliação desmedida dos processos de assalto aos cofres públicos.

PEÇA 2 – TEMER É INSUSTENTÁVEL
Por qualquer ângulo que se imagine, só há uma certeza inabalável: o governo Temer é insustentável.

Ele comanda uma organização criminosa que se aboletou no comando do país. É o grupo que chantageou todos os governos eleitos, desde a redemocratização, composto por políticos sem compromisso de país empenhados exclusivamente em fazer negócios.

Mais que isso, não parou depois de assumir o cargo. Levou para dentro do governo seus próprios operadores pessoais. E foi flagrado combinando acertos com Joesley Batista, da JBS, todos os passos documentados: a indicação de Rodrigo Loures, como seu homem de confiança; o acerto de taxa de sucesso, se o pleito junto ao Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico) fosse acolhido; e o pagamento de propina, em dinheiro, devidamente registrado pela Polícia Federal.

Em qualquer outro país, o escândalo levaria multidões à rua, a vergonha se espalharia pelas páginas de jornais, revistas, pelas imagens de TV, pelos programas de rádio.

No entanto, com o controle do governo, Temer apossou-se de um conjunto de poderes que estão sendo utilizados para impor as negociatas. A organização Temer ganha salvo-conduto para depenar o Estado.

Enquanto persistir com o Executivo na mão, há o risco do mesmo poder corruptor ser exercido sobre outras instâncias, além do Congresso e da mídia. É evidente o chamado periculum in mora para a democracia brasileira.

PEÇA 3 – AS ELEIÇÕES INDIRETAS
O risco de eleições indiretas seria subordinar a presidência à mesma quadrilha parlamentar.

Ora, hoje em dia a presidência está entregue ao alto comando dessa quadrilha. Por tal, se entenda o pessoal mais profissional no exercício da corrupção política, que mantém a grande articulação do assalto sistemático ao Estado.

Na pior das hipóteses, mantém-se o polvo sem cabeça, se dá um freio nesse assalto indiscriminado ao país e de impõe um mínimo de recato na vida pública.

Na melhor das hipóteses, há a possibilidade do novo eleito promover um mínimo de conciliação, visando pacificar o país com vistas às eleições de 2018.

PEÇA 4 – AS ELEIÇÕES DIRETAS
Nada tira a legitimidade do voto direto. O que se discute são as eleições diretas agora ou no próximo ano.

A vantagem das eleições diretas seria promover uma reaglutinação de forças e voltar a discutir o futuro. O inconveniente seria reacender o clima bélico da polarização, além de acirrar o protagonismo político da Polícia Federal e da Lava-Jato. E, no quadro atual de desestruturação partidária, a possibilidade de abrir espaço para aventureiros.

PEÇA 5 – A SAÍDA IDEAL
Qualquer saída – diretas ou indiretas – terá que levar em conta a resultante final: eleições gerais com regras que impeçam a manutenção do controle do Congresso pela bancada eleita por empreiteiras e pela JBS.

A saída ideal seria uma Constituinte exclusiva, com candidatos eleitos pela população para um mandato de no máximo dois anos, não podendo voltar a se candidatar.

Seria a maneira da sociedade brasileira assumir o controle, dar uma arrumação geral na casa e devolver a política aos políticos profissionais.

É um tema capaz de mobilizar o Ministério Público, para impedir abusos de poder econômico, e abrir espaço para novas referências em uma sociedade em que os melhores nomes não têm espaço dentro do universo de banalidades criado pela mídia e pelas redes sociais.

3 Respostas to “Luis Nassif: Brasil, um país controlado pelo crime organizado”

  1. magda f santos (@magdafsantos) Says:

    INFELIZMENTE E ISSO AI, DEPOIS QUE O MELIANTE-MOR-PRESIDENTE NOMEOU PARA O JUDICIÁRIO O BRAÇO DIREITO DO PCC E NOMEIA JUIZES PARA SE BENEFICIAR, É O CAOS!! FORA TEMER JÁ!!

  2. Maria De Fátima De Sousa Says:

    E o que fez o povo do Ceará? Deu cadeira cativa pro tasso gereissati no senado.

  3. Francisco Nóbrega Says:

    QUANDO tasso jereissatI ERA GOVERNADOR DO CEARÁ, ELE COLOCOU NO BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S.A. (BNB) PARA PRESIDÍ-LO UM HOMEM CHAMADO byron queiroz COM O ÚNICO INTUITO DE ESVAZIAR O BANCO DO NORDESTE, PARA POSTERIORMENTE, PRIVATIZÁ-LO, E TOMAR, TAMBÉM, VÁRIAS MEDIDAS PREJUDICIAIS AO CORPO DE FUNCIONÁRIOS DO BNB. É VÁLIDO LEMBAR QUE FOI EXATAMENTE NAQUELE TEMPO QUE OCORREU O ROMBO DE 8,5 BILHÕES DE REAIS, NO BANCO DO NORDESTE. byron queiroz, LOGO DE CARA, “TOMOU”, 50% (CINQUENTA POR CENTO), ÀS VEZES ATÉ MAIS, DOS SALÁRIOS DE TODOS OS BENEBEANOS, SIMPLESMENTE “CORTOU” A METADE DOS VENCIMENTOS, INDO CONTRA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A TODAS AS DEMAIS LEIS. O SINDICATO DOS BANCÁRIOS DO ESTADO DO CEARÁ, ENTROU COM PROCESSOS NA JUSTIÇA FEDERAL CONTRA ESSE DESPAUTÉRIO E ESSA INJUSTIÇA. OCORRE QUE OS PROCESSOS DOS FUNCIONÁRIOS DO BNB, NÃO SE SABE A RAZÃO, CAIU NAS MÃOS DE napoleão nunes maia filho, ESTE MUITO AMIGO MUITO AMIGO MESMO DE tasso jereissatI O QUE ESSE JUIZ FEZ PARA PARA DIFICULTAR UMA TOMADA DE DECISÃO SOBRE A QUESTÃO, NÃO ESTÁ NO GIBI. O QUE HOUVE PARA QUE ISSO ACONTECESSE ? É FÁCIL OU É DIFÍCIL ENTENDER ? SÓ SE SABE QUE SOMENTE COM MAIS DE 6 ANOS DE IDADE DO PROCESSO EM QUESTÃO É QUE FORAM RESOLVER AS ARBITRARIEDADES E AS INJUSTIÇAS DA PERDA DA METADE DOS SALÁRIOS, E ISSO COM MUITOS PREJUÍZOS PARA OS FUNCIONÁRIOS. ESTÁ TUDO REGISTRADO !

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