Luis Nassif: Permanência do Temer é humilhação para o país

Elite precisa decidir logo pela saída de peemedebista, se quiser evitar a união dos brasileiros por Diretas Já.

Luis Nassif em 29/5/2017

Nos próximos dias vai esquentar mais ainda o clima político. As cartas estão na mesa: de um lado, no domingo, dia 28/5, o presidente Michel Temer fez uma troca de ministros nas direções da Controladoria Geral da União (CGU) e do Ministério da Justiça. O Torquato Jardim, que estava na direção do primeiro órgão, foi para o Ministério da Justiça, e o Osmar Sarraglio, que estava na Justiça, foi para a CGU. Evidentemente que essa manobra é para enquadrar a Lava-Jato.

Por outro lado, os procuradores e policiais federais da Lava-Jato avançaram nos últimos dias em áreas absolutamente sensíveis ao presidente Michel Temer. Foram até a casa do Coronel da Polícia Militar aposentado, Lima Filho, amigo de Temer, levantaram várias informações, apreenderam documentos, computadores. Chegaram até o senador Aécio Neves e levantaram nas casas dele, no Rio e em Brasília, materiais. E temos ainda o Aécio com aquela genialidade de quem se considera inimputável.

Aécio
Você tinha no mesmo material, contra Aécio, documentos do Norbert Muller, doleiro do Rio de quem, anos atrás, o Ministério Público e a Polícia Federal levantou uma conta do senador em Liechtenstein, através de uma offshore das Ilhas Virgens e isso aí foi abafado pelo Ministério Público Federal, na Procuradoria Geral da República, pelo então procurador Roberto Gurgel, depois pelo Rodrigo Janot, até recentemente. Nas provas divulgadas pela PGR, teve grampo com o Aécio, documentações, um conjunto de fatores aí que vai levar até Temer e, possivelmente, até Gilmar Mentes, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Gilmar Mendes
Gilmar foi apanhado em uma gravação. Ontem a Folha de São Paulo levantou que a sua família fornece gado para a JBS. Até aí, tudo bem, graças ao BNDES, o frigorífico ganhou um poder de monopólio em diversas regiões do país levando os produtores a ficarem à mercê dele. O que tem que se explicar é a quantidade de patrocínios que a JBS dava para os eventos do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do ministro Gilmar Mendes.

Então temos todos esses fatores para explodir proximamente. É evidente, ainda mais com a retaguarda da Rede Globo, que a Lava-Jato vai começar a soltar mais informações sobre o Temer.

Padilha, el benefactor
O que saiu até agora, em qualquer país sério seria o fim do presidente da República. Estamos falando de um presidente que levou para dentro do Palácio do Planalto seus quatro operadores privados, aqueles que atuavam diretamente com ele, independentemente dos parceiros políticos, que estavam dentro também, como Eliseu Padilha, Moreira Franco.

A permanência do Temer é uma humilhação para o país. Os jornais, como grupo Bandeirantes, Folha de S.Paulo, Estadão, dependendo dessas campanhas de publicidade, gerenciadas pelo Eliseu Padilha, que se transformou em uma espécie de el benefactor, o benfeitor da mídia.

Folha e Estadão
Mas isso é extremamente grave. A Folha, por exemplo, que se consagrou a partir dos anos 1990 em defesa das diretas, assume a defesa das indiretas agora e, mesmo assim, é o jornal que tem sido um pouco mais equilibrado, porque o restante é tudo ordem unida. No Estadão, um dos grandes analistas que permanece não tem espaço mais. Hoje você critica um ato de governo ali, depois você elogia. Dentro de uma mesma política de governo você faz a seleção do que é positivo e do que é negativo. Então temos agora a imprensa pagando o preço mais alto da sua história, porque está bancando perante os seus telespectadores, ouvintes e leitores o governo mais impopular e mais corrupto da história.

Então vamos ver as consequências disso, com as manifestações das Diretas Já desse domingo, um evento significativo no Rio de Janeiro.

Desqualificação das Diretas por Celso de Mello
É interessante pessoas como o ministro Celso de Mello, ou como jornalistas, sem nenhuma formação jurídica, ou mesmo política, tentando desqualificar as Diretas, afirmando que não é o momento. Não é momento para quem? Era o momento de tirar o voto popular, quando a Dilma saiu, mesmo com todos os erros dela? Ela tinha sido eleita dentro de uma proposta de projeto de país, que ela negou no primeiro momento que assumiu o segundo mandato. Mas, com o impeachment, entrou Temer com um grupo de parlamentares que, comprovadamente, fazem parte de uma bancada corrupta, financiada por Eduardo Cunha e Temer, e que impôs um conjunto de reformas que é contra a maioria absoluta da população! Então como achar que isso é legítimo?

Fora Temer unindo o país
Vamos ter nos próximos dias um jogo pesado, e muito animado, mas a única coisa que tem unanimidade, que não dá para aguentar nem a porrete é a permanência do Temer. Não gosto de apelar para a adjetivação forte, mas neste caso é uma quadrilha que se apossou do poder. A primeira demonstração de reação de anticorpo brasileiro foi quando o Janot, finalmente, através da JBS, chegou em Temer e sua equipe.

O que está segurando peemedebista até agora é a falta de consenso sobre o momento seguinte. Então que acelerem aí porque, em pouco tempo, vocês vão ver aí MST e MBL juntos contra o Temer e contra essa quadrilha que se apossou do país.

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