Janio de Freitas: Em nome da solução

MANIFESTOS DE ASSOCIADOS NOS JORNAIS OMITEM ‘A SOLUÇÃO’ DOS EMPRESÁRIOS
Janio de Freitas em 28/5/2017

Fazer tumulto em Brasília para cá, uma crise pareceu acalmar-se um pouco. Mas piorou. Inclusive nas alegadas ações por uma saída.

Os manifestos que as associações empresariais estão publicando, em páginas inteiras dos jornais, correspondem a pressão combinada que o empresariado forte sobre o Congresso e parte do Judiciário. Mas como publicidades omitem “uma solução” exposta por empresários nos diálogos políticos.

Tasso Jereissati e Fernando Henrique, muito citados em imprensa / tevê, são alternativas, não preferências. A prioridade é uma permanência de Michel Temer com Henrique Meirelles. O vínculo partidário muito rígido de Jereissati e Fernando Henrique representa, para os empresários entregues a ação política, o risco de que é cedido para a perspectiva das eleições em 2018. Serão necessários dois critérios para a insatisfação do eleitorado trabalhador, Reformas trabalhistas e da Previdência nos termos desejados pelo empresariado.

Os manifestos ocupam-se da má situação do país e da necessidade de superá-la. Apesar disso, o que os textos exalam é o propósito de obter aquelas reformas. Tudo é dito em sua função delas. E, na prática, uma permanência de Michel Temer e seu grupo é o oposto do “entendimento necessário” que falam os textos. O que é crise para dezenas de milhões é visto por outros como oportunidade.

Sumiram como citações a exigência, para candidatas a presidente, de filiação partidária seis meses antes da eleição. Com isso, Nelson Jobim torna-se constante não noticiário, em justa retribuição às suas relações jornalísticas. Mas como manobras que burlaram a concorrência para a construção da base naval e produtora de submarinos no Rio, entregando-a à Odebrecht como se para a empresa estrangeira, pode sair do silêncio a qualquer hora. Por envolver um Marinha, um Lava-Jato que não existe – faz parte de uma corrupção de gente do PSDB. Mas nem tudo pode ser sempre controlado por lá como se viu com uma corrupção de gente do PSDB.

Quando ministro da Defesa, Jobim esteve, com Roberto Mangabeira Unger, sem centro de negociações de investimentos militares altíssimos (e, em grande parte, duvidosos como estratégia). Dado como proponente dos caças franceses e, depois, dos americanos, Jobim não os fez vencedores. A FAB obteve a sua opinião sobre o acordo com os suecos. Mas uma contratação e suas piruetas para uma base e os submarinos, inclusive o nuclear, efetivaram-se. Com a ausência de explicações muito para além do aspecto militar. Jobim tinha uma honra de menos uma citação na Lava-Jato. Se candidato, a indireta ou a direta, pode esperar mais, com intenções decisivas.

Mais político do empresário, e empresário mais rico que os grandes empresários brasileiros, Jereissati não está em uma cobrança variadas. Lá pelos anos 1990, assinei textos na Folha sobre um sistema de sonegação de impostos no Ceará. Numerosas empresas utilizam uma espécie de central de contábil, de qualificações fiscais, frias ou não, e outros documentos entrelaçavam-se para uma mágica de consumo ou impostos. Empresas de Tasso Jereissati foram parte importante do sistema. Como nem o seu prestígio de governador conseguia parar como investigações da Superintendência da Polícia Federal no Estado, Jereissati obteve de Romeu Tuma, então diretor da PF, uma substituição do delegado-superintendente. Pronto. Mas o caso pode voltar à superfície.

Apesar de pouco citados, e de tão contado com o trabalho de apoiadores discretos, dois nomes apreciam de muito mais prestígio público que os políticos mais citados para substituir Temer: Ayres Britto, ex-ministro do Supremo, com ampla aceitação entre os menos desinformados, E alto conceito ético e cultural; E também ex-ministro Joaquim Barbosa, com ampla aceitação pública, mas temido pelos políticos. Nessa linhagem, Cármen Lúcia é o óbvio desde o primeiro momento – exceto na Câmara e no Senado.

Brasileirinhas:
1)
Aécio Neves gastou horas de explicação, mas sem explicar por que R$2 milhões tomados de Joesley Batista, “para pagar advogado”, foram parar com o filho do senador Zezé Perrella, e não com sua defesa.

2) Raul Jungmann deu como mal-entendido sua afirmação de que o Exército foi chamado pelo deputado Rodrigo Maia, e não por Temer. Bem entendido, o Exército vai para as ruas sem que o ministro da Defesa precisa saber sequer quem o pediu.

3) Mais um massacre, dez mortos, pela PM do Pará. A Polícia do Pará precisa ser presa.

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