Atos de 1º de Maio ecoam “Fora Temer” e repúdio a reformas

Foto de Paulo Pinto / AGPT.

Em São Paulo, organizadores estimam em 200 mil o número de pessoas que participaram de ato da CUT, CTB e Intersindical. Manifestação da Força também criticou presidente. Centrais vão a Brasília na terça-feira, dia 2/5.

Vitor Nuzzi, via RBA em 1º/5/2017

Os atos de 1º de Maio tornaram-se manifestações de repúdio ao governo Temer, com mais intensidade no protesto convocado pela CUT, CTB e Intersindical em São Paulo, com presença das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. Mesmo com dificuldades com o poder público municipal, os organizadores estimaram em 200 mil o número de participantes, entre a Avenida Paulista, onde o ato começou, e a Rua da Consolação, por onde seguiu uma passeata no final da tarde até chegar à Praça da República, na região central, palco de apresentações musicais, que iriam até a noite.

Sindicalistas e ativistas responderam ao governo Temer, que teve alguns porta-vozes falando em “fracasso” da greve geral da última sexta-feira. “Fracasso é o seu Temer, é o golpe que ele deu e já está indo por água abaixo”, reagiu o coordenador da Frente Povo Sem Medo e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. “Com mais de 90% de rejeição, (o governo) quer aprovar reformas infames.”

Durante a manifestação, ele afirmou que a greve de sexta tem três presos políticos, acusados de agir contra a ordem pública. “Foram presos com acusações absurdas, sem nenhuma prova. Ordem pública é o povo com casa, é trabalhador com direito. Nós é que defendemos ordem pública”, disse Boulos. Em referência a uma das acusações contra os militantes – provocar incêndio –, ele respondeu: “Se acham que vão nos intimidar, estão enganados. Agora é que vão ver o que é incêndio”.

A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, condenou a violência policial e citou a agressão ao estudante ante Mateus Ferreira da Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), integrante do Centro Acadêmico, sexta-feira, em Goiânia. “Ele foi barbaramente espancado e gravemente ferido”, lembrou Carina. “Nós lutamos pelo futuro do Mateus e pelo direito de lutar.” E a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, destacou, além desses dois episódios, a invasão ocorrida à sede da entidade, na noite de sexta.

Defensor do impeachment de Dilma Rousseff, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical e do Solidariedade, também falou em novas paralisações contra as reformas. “Se o governo não entendeu, vai ter mais”, afirmou durante a festa da central, na praça Campo de Bagatelle, zona norte da capital paulista. O ato da CSB, no Sambódromo, também na região norte, teve mais críticas ao presidente Temer. “Essa reforma trabalhista vai acabar com os direitos históricos dos trabalhadores, com a Justiça do Trabalho e com o Ministério Público”, disse o presidente da central, Antônio Neto. A entidade organizou em 50 mil o número de presentes. Já a Força falou em 700 mil.

O ato de CUT, CTB e Intersindical ocorreu em clima tranquilo, mas teve alguns incidentes. Pela manhã, os sindicalistas não puderam estacionar o carro de som diante do vão livre do Masp, como previsto. Tiveram de parar alguns quarteirões adiante, na esquina da Paulista com a Rua Haddock Lobo, perto de um prédio residencial, o que provocou reclamações dos moradores. “Eu disse ao síndico que isso é culpa do Dória (o prefeito João Dória, do PSDB), não é culpa nossa”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas. Durante a manifestação, o prefeito foi várias vezes “lembrado” nos discursos.

Outro incidente ocorreu já na passeata pela Rua da Consolação, após os manifestantes deixarem a Paulista, rumo à Praça da República. No início do percurso, a Polícia Militar impediu o acesso de um caminhão de som. Sindicalistas tentaram negociar, chegaram a anunciar um acordo, mas depois informaram que a PM “confiscou” as chaves do veículo, que permaneceu parado, enquanto a marcha continuou. Mais adiante, uma senhora em um prédio provocou manifestantes com um “pixuleco” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e foi vaiada. Por outro lado, crianças em uma ocupação gritavam “queremos moradia” e “Fora Temer”.

Mídia
Vagner destacou a importância do movimento de sexta-feira contra as reformas e o papel da imprensa. “A greve geral foi pauta no mundo inteiro, em toda a mídia mundial E a mídia golpista escondeu. Precisamos imediatamente voltar a ter democracia no Brasil e fazer o marco regulatório dos meios de comunicação. Acho que a greve geral foi a gota d´água.”

Segundo ele, a paralisação mostrou apoio popular e reprovação da sociedade contra as “reformas” da Previdência e trabalhista. “Estamos na ofensiva e temos de continuar. Vamos ocupar Brasília integralmente e não permitir que haja votação de retirada de direitos.” Na próxima quinta-feira, representantes de todas as centrais e de movimentos sociais vão se reunir para discutir os próximos passos. Mas amanhã uma comitiva de sindicalistas vai a Brasília conversar com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e com a bancada do partido, para articular a resistência na Casa, para onde seguiu o substitutivo de mudança da legislação trabalhista.

Os discursos também defenderam a antecipação das eleições gerais de 2018 para este ano. “Nada funciona no Brasil porque não há credibilidade”, disse o presidente da CUT.

O vice do PCdoB, Walter Sorretino, propôs a formação de uma “grande frente ampla para defender a democracia”. “Esse governo usurpador colocou o país num grande impasse”, afirmou. “Além de retirar direitos, o governo golpista vem aumento a repressão contra os movimentos sociais”, acrescentou o presidente nacional do PT, Rui Falcão, também a favor a antecipação das eleições. “Em vez da PEC da Previdência, queremos a PEC das diretas.” Também usaram o palco representantes do PSOL, PCO e PCR. Entre os políticos presentes, estavam os deputados federais Arlindo Chinaglia, Carlos Zarattini (ambos do PT/SP) e Ivan Valente (PSOL/SP), além do vereador paulistano e ex-senador Eduardo Suplicy (PT).

Já na República, os shows começaram com a apresentação do grupo As Bahias e A Cozinha Mineira. “Todos juntos contra a reforma da Previdência”, afirmaram, também com homenagens ao cantor e compositor Belchior, que morreu neste final de semana. Depois iriam se apresentar Leci Brandão, MC Guimê e Emicida.

***

No 1º de Maio da Paulista, Guilherme Boulos fala sobre pedido de liberdade negado aos presos políticos do MTST na greve geral do dia 28.

BOULOS: “GREVE GERAL TEM PRESOS POLÍTICOS. PAÍS VIVE REGIME DE EXCEÇÃO”.
“É um governo que governa de costas para 90% do governo brasileiro. Não tem autoridade moral e apela para a repressão”, disse o ativista, que esteve no 1º de Maio da Paulista.

Vitor Nuzzi, via RBA em 1º/5/2017

O coordenador da Frente Povo Sem Medo e do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, disse hoje [1º/5], em São Paulo, que a greve geral da sexta-feira, dia 28/4, deixou presos políticos – três manifestantes do movimento foram detidos, na zona leste de São Paulo. Eles ainda não haviam sido foram liberados e podem ser levados a presídios a partir desta terça (2). “Eles estão detidos até agora e tiveram pedidos de liberdade negados por motivos esdrúxulos. por uma juíza que alegou defesa da ordem pública, o que é típico de um regime de exceção. São presos políticos da greve geral”, afirmou o ativista. As declarações foram dadas durante manifestação pelo 1º de Maio organizada pelas centrais sindicais CUT, CTB e Intersindical e pelas frentes populares, na Avenida Paulista.

Luciano Antônio Firmino, Ricardo Rodrigues dos Santos e Juracy Alves dos Santos estão detidos no 63º DP, em Jacuí, região de São Miguel Paulista, zona leste da capital. Segundo a juíza Marcela Filus Coelho, eles cometerem crimes dolosos e foram indiciados por explosão, incêndio criminoso e incitação ao crime.

Sobre a greve geral, Boulos afirmou ter sido “um sucesso absoluto” e, para ele, prova do alcance nacional alcançado pelo movimento foi a manifestação do “interlocutor suspeito, aquele cidadão que é ministro da Justiça [Osmar Serraglio, que tentou diminuir o impacto da greve geral]”.

“É um governo que governa de costas para 90% do governo brasileiro. Não tem autoridade moral e apela para a repressão. Tiveram a cara de pau de dizer que a greve geral foi um fracasso. Fracasso é o senhor Michel Temer, o golpe que ele deu e que já está indo por água abaixo”, concluiu Boulos.

Táticas
Para o coordenador da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim, foi uma greve singular. “Os movimentos sociais foram fundamentais em várias ações”. Ele refutou comentários veiculados na imprensa, de que os movimentos teriam feito “guerrilha urbana”. “Não foi guerrilha urbana, foi uma tática de organização popular nas favelas e nas periferias. “Vamos usar de todos os meios necessários para deter essas reformas, para que a gente possa voltar a ter crescimento econômico e democracia.”.

Segundo os ativistas, o indiciamento dos três militantes do MTST é mais uma mostra da tentativa de criminalizar os movimentos sociais e da repressão policial às manifestações populares. No ano passado, militantes do movimento foram indiciados em Goiás e no Paraná sob alegação de integrar “organização criminosa”. Em consequência, acabaram enviados a presídios. No início de 2017, o próprio Guilherme Boulos foi detido durante um protesto em São Paulo.

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