As bombas no Rio de Janeiro e em São Paulo encerram a farsa desta democracia e do jornalismo da Globo

Leo Mendes, via DCM em 29/4/2017

E agora, ainda é exagero dizer que esta democracia é uma farsa?

Está registrado, eram trabalhadores, num protesto pacífico na Cinelândia, no Rio de Janeiro, pedindo, quase implorando para que a polícia não jogasse bombas, e poucos minutos depois foram varridos dali com uma enxurrada de bombas…

Há inclusive imagens de psicopatas de farda atirando bombas em senhoras sozinhas, agachadas numa escada, depois da multidão já ter dispersado.

A GloboNews transmitiu ao vivo o momento, e logo depois parou com a transmissão para falar sobre a necessidade da reforma da Previdência ser aprovada e sobre os voos cancelados no aeroporto de Brasília.

Antes de serem interrompidos pelas circunstâncias, o repórter e a apresentadora diziam que havia duas manifestações distintas no centro do Rio de Janeiro: uma pacífica, no local em que estava o palco na Cinelândia, e outra de vândalos baderneiros, que incendiavam ônibus na Lapa e faziam barricadas contra a ação da PM.

Mas eis que ao vivo a GloboNews foi surpreendida com a polícia lançado bombas sobre a manifestação que a própria Globo afirmava pacífica. Bombas jogadas até mesmo no palco em que lideranças sindicais discursavam.

Como sustentar agora o mantra de que foram os vândalos que provocaram a PM?

Melhor cortar a transmissão e falar sobre a necessidade da reforma da previdência.

Mas depois os apresentadores dão chiliques quando aparece alguém atrás do repórter ao vivo chamando a Globo de golpista ou sonegadora.

Dizem que é um ataque ao trabalho dos jornalistas.

Mas será que meus nobres colegas jornalistas que trabalham nessa emissora não tem nenhuma vergonha na cara de se prestar a esse serviço sujo e ainda dizer que são jornalistas?

Será que não sentem vergonha quando o Jornal Nacional apresenta suas “reportagens” no formato de propaganda político-partidária?

Será que não fica evidente mesmo para o telespectador “Homer Simpson” que o que a Globo faz não é jornalismo?

Mas, de fato, foi um grande furo de reportagem o flagra das bombas ao vivo sobre o palco de uma manifestação pacífica. Não me lembro de já ter visto algo semelhante.

Um furo aterrorizante, revoltante, constrangedor, solenemente ignorado pela Globo e seus capangas “jornalistas”.

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A GREVE GERAL TERMINOU EM GRANDE ESTILO: GÁS E BALA EM JORNALISTAS NA PORTA DE TEMER
Pedro Zambarda, via DCM em 29/4/2017

Pouco antes das 20h de sexta-feira, dia 28/4, a mobilização da Frente Povo Sem Medo chegou até a frente do bloqueio da mansão do presidente Michel Temer.

Por praticamente 20 minutos, houve provocações e palavras de ordem. As pessoas queriam chegar mais perto e a Tropa de Choque já estava posicionada para impedir o avanço.

No centro da rua, colados no bloqueio, estavam os manifestantes. À esquerda e à direita estavam os repórteres. Os Jornalistas Livres estavam fazendo transmissão ao vivo e uma jornalista do SBT tentava fazer uma entrada.

A repórter de TV foi hostilizada, chamada de “golpista”, “adoradora de Sheherazade” e “bajuladora do Silvio Santos”.

Mais cedo, por volta das 17h, os manifestantes mandaram o repórter José Roberto Burnier, da TV Globo, ir embora do Largo da Batata.

No dia anterior, o Jornal Nacional não deu uma notícia sobre a greve geral. No dia das mobilizações que mexeram com o Brasil, a Globo só falou de vandalismo e do “drama” de quem não conseguiu ir trabalhar.

No momento que os policiais começaram a atirar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, miraram no canto direito, onde eu estava, e acertaram o meu tórax e meu cotovelo.

A bala acertou em cheio a jornalista que estava ao meu lado, que ficou protegida por seu agasalho mais grosso. Meus ferimentos foram leves e ocorreram porque eu estava de camiseta, com alguns arranhões.

Inalei uma quantidade considerável de gás tentando fotografar e filmar o momento em que os manifestantes derrubaram a cerca da mansão de Temer. Recuei para perto do caminhão de som com Guilherme Boulos, que falou no megafone sobre as pessoas machucadas.

São Paulo teve três grandes manifestações na cidade toda. A primeira foi de professores na frente da Prefeitura, seguida de uma na Avenida Paulista da Conlutas com o PSTU que durou apenas uma hora, além da principal no Largo da Batata com CUT, CTB, os principais sindicatos.

A Frente Povo Sem Medo estimou uma concentração de 70 mil pessoas.

A Polícia Militar não deu dados de quantos manifestantes estavam no local.

Havia idosos e crianças pequenas entre os manifestantes, especialmente mais próximos do caminhão do MTST de Boulos.

Por este motivo, a Tropa de Choque não avançou tanto com sua habitual brutalidade no fim do protesto, que acabou por volta das 21h.

“Acho que a Reforma Trabalhista não vai passar. Sabe aquela proposta de terceirização que lançaram na época do Cunha? Foi aprovada na Câmara há um ano e não andou no Senado. Essa greve geral vai ter um impacto muito grande e ela começa a derrubar o governo Temer. Há um grupo de senadores que vai apresentar uma proposta de antecipação de eleições para outubro de 2017”, disse Lindbergh Farias ao DCM.

No caminhão de som, além de Guilherme Boulos do MTST, discursaram o próprio Lindebergh, Gleisi Hoffman, Ivan Valente e líderes sindicais, além de representantes dos indígenas que protestaram em Brasília.

Foram mais de 130 cidades com manifestações contra Temer no dia 28 de abril, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Curitiba, Porto Alegre e outras.

A Folha de S.Paulo informou que 38 delas interrompeu os transportes públicos. A PM acertou o olho de um idoso em Brasília, segundo os Jornalistas Livres.

Houve bancos depredados no Largo da Batata e 21 detidos na capital paulistana, mas muito dos atingidos por balas de borracha eram manifestantes que não cometeram nenhum tipo de crime.

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