Dória, a mortadela e o caviar

Fernando Brito, via Tijolaço em 29/4/2017

Esta aberração marqueteira que ocupa o cargo de prefeito de São Paulo anda precisando de quem lhe enfrente e certamente não merece que seja Lula, porque isso é tudo o que ele quer, já que sua ação política e administrativa, como tudo o que fez na vida, é marketing.

Agora está nos jornais dizendo que as pessoas que protestaram, ontem [28/4], contra a reforma da previdência, foram lá para ganhar R$100, um sanduíche e uma lata de refrigerante.

Foram, diz ele, porque “adoram estas boquinhas”.

É natural que João Dória pense assim.

Sempre foi desta forma que viveu.

Ou não é recebendo verbas de governos e de empresas para seus eventos e suas revistas – o título de uma delas, Caviar Lyfe Style, bem revela com quem elas falam – que Dória fez sua fortuna?

Verdade que não são boquinhas, mas “bocões”, bocas ricas.

A promoção política não lhe deu uma viagem de van, mas um jato executivo, mas o processo é o mesmo que ele acusa manifestantes, com poucas diferenças.

A primeira é na quantia.

A mortadela doriana é de dezenas e centenas de milhares de reais a cada merchandising que fazia (ou será que ainda faz?).

A segunda, ainda é maior.

A causa.

Povo, pobre, trabalhador, no universo de Dória, é cenário.

O macacão de gari é fantasia da cashmère, a média com pão e manteiga é folclore do champanhe e dos canapés.

João Dória é destes micro-organismos que proliferam na superfície de uma elite apodrecida, inculta, escravista, incapaz de produzir arte, cultura, inteligência para o bem geral.

A única coisa boa é que, exposto à luz, não dura muito.

***

DÓRIA, QUE CHAMA TRABALHADOR DE “VAGABUNDO”, FOI TRABALHAR DE HELICÓPTERO
Via Brasil 247 em 28/4/2017

O prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), chegou de helicóptero no prédio da Prefeitura na sexta-feira 28, dia de greve geral em protesto contra as reformas do governo Temer que retiram direitos dos trabalhadores (confira no vídeo acima, divulgado por Marcelo Rubens Paiva).

Mais cedo, ele havia dito que chegaria sem problemas no prédio da Prefeitura, localizado no centro da capital paulista, porque os manifestantes “acordam tarde”, mas vê-se que, independente do horário dos protestos, o tucano daria um jeito de chegar – pelo ar.

João Dória obrigou os servidores do município a irem trabalhar nesta sexta, sob ameaça de que terão o ponto cortado. Mesmo que a cidade esteja com o transporte completamente parado: ônibus, trens e metrô.

Há dois dias, ele havia anunciado um acordo com a Uber e a 99 Táxi para que as empresas levassem os servidores de graça ao trabalho, mas as categorias também aderiram à paralisação e o plano foi por água abaixo.

Dória também chamou de “vagabundos” e “preguiçosos” os trabalhadores que acordam às 5h, mas decidem lutar por seus direitos: “Volto a dizer a esses grevistas, que quiseram inclusive bloquear meu acesso, que acordem mais cedo. Vagabundos! Porque o prefeito acorda cedo. Da próxima vez acordem mais cedo se quiserem bloquear o acesso do prefeito ao seu espaço de trabalho”.

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