A greve geral do dia 28 de abril e o despertar para os dias que virão

“A luta por direitos vai além do aspecto ideológico porque é uma regra.”

A história já comprovou isso: só quando a população se organiza é possível brecar o mercado financeiro e sua ganância.

Francisco Toledo, via HuffPost Brasil em 26/4/2017

“Propôs diminuir a idade de aposentadoria e aumentar vários
benefícios sociais, além de diminuir impostos para
pequenas empresas e o imposto de renda”.

De quem é a proposta acima?

Lula? Algum sindicalista da CUT? Bernie Sanders? Maduro? Guilherme Boulos?

Na verdade a proposta acima faz parte do plano de governo da candidata da extrema-direita na França para a presidência, Marine Le Pen, que chegou ao segundo da eleição presidencial francesa neste último fim de semana.

Assim como Le Pen, o republicano Donald Trump foi eleito nos Estados Unidos com promessas parecidas. Mais emprego, proteger o trabalhador norte-americano e principalmente beneficiar as empresas deste país que decidem investir na mão de obra local. Não demorou muito. Nem 100 dias para ser exato, e Donald Trump parece dar sinais de que Wall Street decidirá sua política econômica.

Do outro lado do extremo, na esquerda, não foi diferente. Em 2015, Alexis Tsipras foi eleito na Grécia defendendo o desejo da população grega, cansada e deteriorada pela austeridade econômica que arrasou o país na última década. Com o seu partido, o então “revolucionário” Syriza, sua principal bandeira era a retirada da União Europeia e o calote aos credores do bloco. Recuou no último momento, traindo seu eleitorado.

No final das contas é assim que funciona, e provavelmente Le Pen – caso eleita – deve cair na mesma armadilha: na política atual, abrir mão da austeridade em prol da classe trabalhadora é uma obra de ficção, prometida pela classe política como nos livros de ficção.

E isso ocorre porque nos atuais moldes da democracia burguesa o Estado depende do mercado financeiro para funcionar – e vice e versa, apesar das teorias utópicas e falaciosas de grupos liberais como o Movimento Brasil Livre. Se um governante opta por abrir mão do mercado financeiro, é praticamente um suicídio político. Se um empresário abre mão do Estado, é se jogar em um abismo jamais visto. Eles dividem não só o poder, como também a propina.

O capital corrompe o Estado, que corrompe a classe política, que afeta diretamente você, cidadão comum.

E de vez em quando, é preciso cortar algumas cabeças para proteger o mais importante: esse sistema de trocas de favores e benefícios. Aqui no Brasil, os escolhidos foram as principais figuras do Partido dos Trabalhadores que, por sua vez, se permitiram jogar nesse mar de lama. Foram corrompidos, achavam que haviam entrado no clube dos privilegiados. Se enganaram. Não foram sozinhos. Alguns empresários desceram morro abaixo, como é o caso da família Odebrecht.

Como então, diante desse desastre político, passar por cima da austeridade e defender direitos conquistados na nossa história?

A resposta é simples. A luta por direitos vai além do aspecto ideológico porque é uma regra. É uma conquista. É como abrir mão de uma democracia porque ”ela não funciona”. Quem quer ser livre? Quem quer ter férias e décimo terceiro?

Não por acaso, Le Pen e Tsipras defendem, no aspecto econômico e trabalhista, bandeiras similares. Porque entendem que a classe trabalhadora é quem mais tem sofrido com a austeridade e com as reformas impostas pelo mercado financeiro. Não devem cumprir suas promessas, mas isso prova que o discurso governista no Brasil de que “a possibilidade de greve geral contra as reformas é partidarizada” é uma falácia absurda.

Não vai ser Le Pen, Lula, Tsipras ou Trump que defenderá seus direitos. E sim você mesmo. A história já comprovou isso: só quando a população se organiza é possível brecar o mercado financeiro e sua ganância. Por isso a importância da greve geral convocada para esta sexta, dia 28 de abril.

Não se trata de uma bandeira de um partido, muito menos de um só sindicato ou de um político específico. Esqueça isso. Trata-se do seu futuro, do futuro de seus filhos e netos que poderão viver em uma sociedade onde direitos são privilégios. E não são.

A propaganda pode enganar. Meninos bem arrumados e que defendem ”a população de bem que não gosta de baderna” também podem tentar te seduzir. Mas quem eles defendem no final das contas? Quem mantém esse jogo político no qual, hoje, eles estão inclusos? Quais partidos eles escolheram para se candidatar? DEM? PMDB? Você confia nesses partidos? Qual a posição dessas siglas sobre as reformas trabalhistas e da previdência? Quem financiou a campanha política dos deputados e senadores desses partidos? Foram empresas, certo? E quem sairá vitorioso com a aprovação dessas reformas? Os empresários que investem nesses políticos ou você, que de forma ingênua acredita no discurso desses jovens meninos engravatados que se dizem livres? Livres de quê?

Parar no dia 28 é acordar nos dias que virão. Acorde. Pare.

Francisco Toledo é fotojornalista e cofundador da agência Democratize. Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

Uma resposta to “A greve geral do dia 28 de abril e o despertar para os dias que virão”

  1. Geraldo Franco Says:

    SÓ O POVO INTEIRO PODE DESFAZER ESSA SACANAGEM GENERALIZADA QUE CHAMAM DE GOVERNO FEDERAL, ACABAR COM A GANG QUE IMPERA NO PLANALTO, E É PRA JÁ!!!

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