A impopularidade de Temer no Congresso e nas ruas

Manifestação em São Bernardo do Campo, no dia 15 de março. Foto de Adonis Guerra/SMABC.

Via Jornal GGN em 24/4/2017

Se as reivindicações contra o governo de Michel Temer se intensificam a cada dia, o reflexo da insatisfação popular no Congresso também deixa registros. Desde o fim do último ano, a aprovação das medidas políticas como saídas econômicas vem caindo, com uma porcentagem de menos 12 pontos desde julho de 2016 até abril deste ano.

A informação foi contabilizada pelo Basômetro, do Estadão, fazendo um balanço das votações nominais realizadas na Câmara, em comparação com as orientações formais do governo. O ápice da modificação visível nos apoios ocorre em paralelo à tentativa das aprovações das reformas previdenciária e trabalhista.

Se nas primeiras 20 votações colocadas em pauta pelo Planalto, 92% dos parlamentares seguiram a orientação de Temer, nas últimas 20, foram apenas 68% dos deputados. Dessa forma, a falha na principal estratégia para condução do governo – a extensão da governabilidade do peemedebista na Câmara e no Senado – mostra uma real crise política.

Os próprios peemedebistas e base aliada admitem a instabilidade. Se a postura recente do líder do governo no Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), já mostrou a insatisfação desde o início do ano, na Câmara, o vice-líder Darcísio Perondi (PMDB/RS) também revela a origem da queda no apoio.

Segundo o deputado, o apoio ficou mais difícil quando o governo Temer exigiu compromissos que reformas impopulares, tanto nos eleitores, quanto nos próprios parlamentares. “As propostas ficaram mais duras e mais transformadoras. Precisa de mais entendimento (por parte dos parlamentares). Não é fácil isso”, disse.

Já o líder da minoria na Casa, o deputado José Guimarães (PT/GE), defende que o erro esteja na falta de diálogo e aprofundamento da crise política, associada à falta de perspectivas dos parlamentares para 2018. “Nunca um governo teve um nível de aprovação tão baixo como o Temer. É um governo que não tem quem defenda. Como o deputado vai defender?”, questionou.

Se a crise de governabilidade da gestão Temer chega a seu maior patamar, entre a população a rejeição permanece alta. Se os últimos dados de levantamento, em março, já mostravam os 89% de rejeição nas redes sociais, e na última semana a Vox Populi mostrava um índice de 5% de aprovação do governo, as reformas são evidentemente o que mais concentra baixas para a imagem do mandatário.

O levantamento encomendado pela CUT, feito pela Vox Populi, mostrou que 93% dos entrevistados são contra o aumento da idade mínima da aposentadora e 80% reprovam a Lei de Terceirização.

É nessa insatisfação massiva que a grande greve anunciada para sexta-feira, dia 28/4, deve impactar ainda mais o Planalto e alertar Michel Temer das reivindicações. Espera-se uma grande adesão à greve geral, que traz como principal pauta a negativa à reforma da Previdência e as mudanças na legislação trabalhistas.

Convocadas por movimentos sociais e sindicatos, as manifestações ocorrem entre diferentes categorias de todos os Estados da Federação. O objetivo é paralisar o país.

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