Viagem de Dilma aos EUA tem saldo positivo e leva o Brasil real ao mundo

Emir Sader, via RBA em 21/4/2017

A presidenta destituída Dilma Rousseff conclui sua mais longa viagem a um país desde o golpe, voltando a Harvard, onde havia começado a longa trajetória. O início havia sido em um seminário que pretendia reunir as mais diferentes expressões do diversificado panorama político brasileiro e o final foi sobre a realidade latino-americana contemporânea, ambos em Harvard.

O fio condutor do discurso da Dilma, ao longo das exposições em 10 das maiores universidades dos Estados Unidos, em reuniões com movimentos sociais e grupos de brasileiros, nas entrevistas com as principais publicações da mídia, foi a denúncia do impeachment como um golpe. Em seguida, ela passou a explicar porque se deu o golpe.

Três argumentos fundamentaram essa sua explicação: a misoginia revelada claramente na linguagem usada na campanha da oposição contra ela; a busca de “estancar a sangria” que representa a Lava-Jato para os membros do atual governo, o que só seria possível com o golpe contra ela; a recolocação do Brasil, do ponto de vista econômico, social e geopolítico, nos marcos do neoliberalismo.

Este último, para Dilma, foi a razão de fundo do golpe: retornar ao projeto dos anos 1990, que tinha sido interrompido com a vitória de Lula em 2002. Em seguida ela resume os principais avanços dos governos que se opuseram à lógica neoliberal, desde as conquistas sociais até a da retomada do crescimento econômico, da política externa multipolar.

Suas intervenções desembocam no “encontro marcado que temos com a democracia em 2018” e com as tentativas de evitar que o povo brasileiro recupere o direito de decidir por sua própria contra o seu futuro. Dilma chama a atenção sobre os riscos de nova ruptura, seja via casuísmos, seja pela já derrotada via do parlamentarismo, seja por alguma forma de condenação, sem fundamentos, do Lula.

As exposições da Dilma desembocam naquela que tem sido uma referência central dos seus discursos e da sua atuação – “A democracia é o lado certo da história” – e que a tornaram a principal líder na defesa da democracia no Brasil.

O balanço geral da sua viagem é extremamente positivo. Encontrou um clima de recepção favorável, acumulado seja nos argumentos da própria mídia norte-americana de condenação do governo saído do golpe, seja nos grupos de brasileiros que se constituíram e se mobilizaram durante a luta de resistência ao golpe e núcleos acadêmicos muito esclarecidos sobre o que acontece no Brasil.

Mas é certo também que a consistência do discurso da Dilma, combinando argumentos políticos com a força moral da sua trajetória, fortaleceu ainda mais a visão democrática sobre o que aconteceu e segue acontecendo no Brasil. Essa consistência se contrapõe a todo o noticiário sobre o governo golpista, seus atentados à democracia, aos direitos da população, os vexames da sua presença internacional, a mediocridade de todos os seus representantes.

Dilma se consolida, ao lado da liderança na defesa da democracia, como uma presença internacional relevante, demandada por todos os lados, aplaudida, reverenciada mesmo, reconhecida como uma estadista, uma liderança internacional não apenas na defesa da democracia, mas também na denúncia da financeirização da economia em escala mundial, das desigualdades sociais que ela incrementa e nos atentados à democracia que implica.

Dilma tem agora de encontrar formas de combinar todos os convites que tem de tantos países com a sua indispensável presença na luta democrática brasileira. Nesta viagem ficou comprovado como sua imagem de líder política só cresceu desde o golpe e se afirmou, junto com Lula, como as duas presenças fundamentais com que conta o povo brasileiro para reconquistar a democracia, o desenvolvimento econômico e a justiça social.

***

INTELECTUAL NORTE-AMERICANO DIZ QUE MÍDIA BRASILEIRA DISTORCEU IMAGEM DE DILMA
Via Brasil 247 em 23/4/2017

Um dos mais importantes brasilianistas, o historiador norte-americano James Naylor Green publicou um relato em que conta como a mídia brasileira distorceu a imagem da presidente deposta Dilma Rousseff.

Green esteve com Dilma nas quase duas semanas em que ela deu palestras em diversas universidades dos Estados Unidos, como Brown, Columbia, the New School, City University of New York e Harvard.

“Conheci uma pessoa totalmente diferente da imagem promovida pela grande imprensa e pela mídia no Brasil”, diz ele. “Conheci uma mulher íntegra e com princípios firmes, que a incentivaram a entrar na luta contra a ditadura em 1965 e seguir lutando contra a desigualdade econômica e social durante o seu governo e agora na resistência ao golpe”, acrescentou.

Para o intelectual, “fica muito evidente que a grande mídia criou uma imagem totalmente falsa sobre esta pessoa sensível e comprometida. É difícil prever o futuro, mas acho que ela ainda vai cumprir um papel importante nas lutas pela justiça e igualdade no Brasil”.

Confira a íntegra:

DUAS SEMANAS COM PRESIDENTA DILMA NOS ESTADOS UNIDOS
Durante as quase duas semanas com a Presidenta Dilma Rousseff em Providence, New York, Boston e Cambridge, conheci uma pessoa totalmente diferente da imagem promovida pela grande imprensa e pela mídia no Brasil.

Ouvi ela falando em diversas universidades – Brown, Columbia, The New School, City University of New York e Harvard, entre membros da comunidade brasileira em Boston e New York e com acadêmicos como os professores Skip Gates e John Comaroff de Harvard – quando servi de intérprete.

Também acompanhei a presidente em diversos momentos onde ela foi reconhecida por brasileiros, argentinos, uruguaios e mexicanos, que deram abraços e solidariedade por sua força e determinação. “Estamos com você”, falaram em português e espanhol. E é claro, pediram uma foto. Ela sempre abraçou a pessoa e conversou com ela, com uma atenção e interesse impressionante.

Dilma Rousseff é uma mulher culta, que insistiu em visitar as livrarias de Harvard e Nova Iorque nos minutos livres. No Strand Bookstore, o famoso sebo na rua 12 com a Broadway, ela procurou livros sobre Inglaterra no século 19 porque estava interessada em entender a política do Primeiro Ministro Lord Palmerston em relação a Guerra Civil nos Estados Unidos.

Conversamos longamente sobre o seu passado na resistência à ditadura militar, a situação atual, as eleições de 2018 e as perspectivas para a luta contra a implantação do projeto neoliberal no país.

Cabe a ela compartilhar estas ideias com o público, mas como escrevi em outra postagem, conheci uma mulher integra e com princípios firmes, que incentivaram ela para entrar na luta contra a ditadura em 1965 e seguir lutando contra a desigualdade econômica e social durante o seu governo e agora na resistência ao golpe.

Fica muito evidente que a grande mídia criou uma imagem totalmente falsa sobre esta pessoa sensível e comprometida. É difícil prever o futuro, mas acho que ela ainda vai cumprir um papel importante nas lutas pela justiça e igualdade no Brasil.

3 Respostas to “Viagem de Dilma aos EUA tem saldo positivo e leva o Brasil real ao mundo”

  1. daysens Says:

    A Dilma é uma grande Cidadã Brasileira. E, como tal, ama o seu País, o seu Povo e as liberdades democráticas.
    A história revelará toda a sua grandeza.

  2. Péricles Pegado (@PericlesPegado) Says:

    Tirem-se as calças para a mais importante mulher na história brasileira em todos os tempos: DILMA ROUSSEFF! A guerreira do povo brasileiro! Ela me anima e entusiasma! Não há inimigo que não possa ser vencido!

  3. Marco Sousa Says:

    Excelente!

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