Após ser eleito prefeito, revista de Dória passa a ser mensal e com anúncios do governo tucano de Goiás

Jabazinho para a farmácia do amigo.

Via Socialista Morena em 28/3/2017

Desde que assumiu a prefeitura de São Paulo, o tucano João Dória Jr. tem dado todos os sinais de que não está nem um pouco interessado em respeitar o princípio da impessoalidade na administração pública. Sua gestão tem se destacado pelo personalismo e pelo populismo, com uma promiscuidade entre o público e o privado que se choca frontalmente com o discurso de “moralidade”.

Em três meses à frente do cargo, Dória já fez propaganda das vitaminas de uma rede de farmácias, parceira da prefeitura, em pleno exercício da função; já cobrou apoio financeiro à sua empresa para fazer palestras como prefeito; usou dinheiro privado para promover sua gestão em partida da seleção brasileira; e, agora, utiliza a visibilidade como prefeito para fazer sua própria revista crescer.

Foi o grupo Dória mesmo quem anunciou, na semana passada, que a revista Lide, principal publicação da Dória Editora, vai passar a circular mensalmente e não a cada dois meses como acontecia. Todas as edições agora também passam a ser acompanhadas de encartes temáticos sobre varejo, empreendedorismo, marketing, saúde e agronegócio. Tudo regado a muita publicidade pública e privada, lógico. Interessante que a revista parecia parada antes de o prefeito assumir: a última postagem no Twitter é de dois anos atrás.

Com 124 páginas e tiragem de 40 mil exemplares, a primeira revista Lide mensal vai chegar às bancas de todo o país ao preço de R$15,00, e está destinada ao público “triplo A”. Segundo os editores, a publicação conta com 21 anunciantes: Audi, Convention Center, Copacabana Palace, Easy Way, Fórum Nacional do Varejo, Fórum Empresarial, GJP, Galeria Bia Dória, Hap Vida, Hotel das Cataratas, HZ Eventos, Person of The Year, Piselli, Prodent, Rodeio, Sapore, Vivo e TV Lide. Em tempos em que a publicidade na mídia escasseia e os veículos estão demitindo gente, pode-se dizer que a revista do prefeito de São Paulo é a única que cresce no país.

Chama a atenção que, entre os anunciantes da revista de Dória, estejam duas empresas farmacêuticas, a Ultrafarma e a EMS, que anunciaram recentemente uma parceria com a Prefeitura para entregar medicamentos na rede municipal de saúde (foi também a Ultrafarma quem patrocinou a faixa “Cidade Linda” no Brasil x Uruguai). Salta aos olhos ainda que a publicação do prefeito, que alardeia seus anseios privatistas, continue a receber anúncios públicos do governo do Estado de Goiás, administrado pelo tucano Marconi Perillo, colega de partido de Dória.

Em setembro do ano passado, foi noticiado que os governos tucanos do Paraná, Mato Grosso, Goiás e São Paulo repassaram mais de R$10 milhões a empresas de Dória desde 2010. Também veio à tona que só o governo de São Paulo, capitaneado por seu padrinho político Geraldo Alckmin, pagou R$1,5 milhão por anúncios nas revistas da Dória Editora. O que espanta é que, mesmo com Dória ocupando cargo público, governos do PSDB continuem anunciando na revista do prefeito. Republicanismo para quê?

Agindo assim, Dória, que foi eleito dizendo não ser político, comporta-se de forma clientelista e fisiológica como qualquer coronel da velha política, promovendo uma mistura imoral entre o público e o privado. Nesta toada, termina o mandato como prefeito com sua revista virando semanal. Isto é, se não se lançar à presidência antes.

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Dória, o não-político. Apenas um fanfarrão oportunista.

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