A sinuca do PT: Votar contra ou a favor da lista fechada, agora defendida pela direita?

Katia Guimarães, via Socialista Morena em 22/3/2017

Bandeira histórica do PT para a reforma política, o voto em lista fechada está sendo agora adotado pela direita no Congresso, encabeçada pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ). Há quem diga que a proposta foi feita para garantir a eleição de envolvidos na Lava-Jato, que apareceriam no topo das listas, garantindo assim a manutenção do foro privilegiado. Mas e o PT, como vai fazer? Irá votar a favor ou contra uma proposta que sempre defendeu? As principais lideranças do partido garantem que sim.

“Finalmente o Congresso entendeu uma proposta antiga do PT”, afirmou o líder na minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT/CE). Para o líder na minoria no Senado, Humberto Costa (PT/PE), a proposta também irá impactar no custo das campanhas políticas, barateando as eleições. A líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann (PR), também argumenta a defesa histórica do partido à lista fechada. “Ela não é conjuntural e sim programática”, pondera. Gleisi lembra ainda que a lista fechada foi pensada para favorecer a maior participação da mulher no parlamento, com a adoção da lista intercalada por gênero.

Prevista no programa partidário do PT, a lista fechada é tida como fundamental ao fortalecimento dos partidos, evitando assim a personificação da política. Além do PT, o PCdoB e o PSOL sempre foram entusiastas da medida. Mas o PSOL já admite abandonar a defesa da lista fechada para evitar o uso por parlamentares corruptos para se livrar da punição na Lava-Jato. “Neste momento, a lista fechada está sendo utilizada para que alguns candidatos se escondam atrás dela”, adverte o líder do PSOL na Câmara, deputado Glauber Braga (RJ). Segundo ele, haverá uma reunião com a direção do partido para decidir a posição da legenda sobre o tema.

“A lista fechada neste momento é uma forma de burlar as circunstâncias de não colocar expostos na urna eletrônica os nomes de políticos envolvidos em corrupção”, atestou o senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), que disse ser contrário à matéria. “Essa reforma política é a oportunidade para o PMDB continuar mandando. As esquerdas não podem cair neste canto da sereia”.

No início da noite, em discurso no plenário, o senador Jader Barbalho (PMDB/PA), em momento de sinceridade, questionou como os partidos políticos, inclusive o dele, podem discutir a adoção da lista fechada em um cenário político como o atual, com o “nível de desgaste” a que a classe política chegou.

“Eu não sei se o meu partido, presidido pelo senador Romero Jucá, terá condições de sensibilizar a opinião pública nacional para dizer: vamos votar na lista do PMDB! Eu não sei se o PSDB terá essas condições. Não sei. Há uma generalização desgastando todos”, ponderou. “Com todo o respeito ao PT, não sei como o PT vai se apresentar com lista fechada”.

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