O que FHC pode fazer para salvar Aécio desta vez?

Via Brasil 247 em 19/3/2017

Há exatamente duas semanas, o número dois da Odebrecht, Benedicto Júnior, depôs ao ministro Hermann Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral, e denunciou o caixa 2 de R$9 milhões ao senador Aécio Neves (PSDB/MG), que foi distribuído para aliados como o senador Antônio Anastasia (PSDB/MG), relator do golpe no Senado, e Dimas Fabiano Toledo, filho do responsável pela notória lista de Furnas.

Benjamin mandou colocar tarjas pretas sobre o nome de Aécio, mas o estrago estava feito. Aécio, que propôs ação no TSE contra a presidente eleita Dilma Rousseff, foi desmoralizado, mas conseguiu uma nota pública de apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que lançou a tese do “caixa 2 do bem”.

“No importante debate travado pelo país distinções precisam ser feitas. Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa 2 para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção”, disse FHC (relembre aqui).

Agora, no entanto, Aécio foi delatado pelo número um da empreiteira, Marcelo Odebrecht, que denunciou o pagamento de R$50 milhões ao presidente nacional do PSDB, como contrapartida aos investimentos da Cemig, estatal mineira, e Furnas fizeram numa das usinas do Rio Madeira. Parte da propina teria até sido paga em Cingapura a um operador de Aécio (leia aqui).

Será que este caso também se enquadra na teoria do “caixa 2 do bem”? O que fará FHC para defender seu pupilo?

Na realidade, FHC deveria apenas se desculpar diante dos brasileiros por ter avalizado o golpe contra a democracia liderado por Aécio – o político com maior número de pedidos de inquéritos na lista de Janot.

Leia, abaixo, a íntegra da nota anterior de FHC:

Lamento a estratégia usada por adversários do PSDB que difundem “noticias alternativas” para confundir a opinião pública.

A imprensa é instrumento fundamental da democracia. Usada por quem não é criterioso presta um mau serviço ao país.

Parte do noticiário de hoje sobre os depoimentos da Odebrecht serve de sinal de alerta. Ao invés de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht, de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa 2 para aliados.

O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE.

É preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa.

Ademais, independentemente do noticiário de hoje tratar como iguais situações diferentes, não é o caminho para se conhecer a realidade e poder mudá-la.

Visto de longe tem-se a impressão de que todos são iguais no universo da política e praticaram os mesmos atos.

No importante debate travado pelo país distinções precisam ser feitas. Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa 2 para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção.

Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais.

A palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação. É preciso que a Justiça continue a fazer seu trabalho, que o país possa crer na eficácia da lei e que continue funcionando.

A desmoralização de pessoas a partir de “verdades alternativas” é injusta e não serve ao país. Confunde tudo e todos.

É hora de continuar a dar apoio ao esforço moralizador das instituições de Estado e deixar que elas, criteriosamente, façam Justiça.

Fernando Henrique Cardoso
presidente de honra do PSDB

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