Lava-Jato vai acabar com o Brasil antes de acabar com a corrupção

Alex Solnik em 17/3/2017

A Lava-Jato é uma desgraça que se abateu sobre o país há três anos.

Não por coincidência, três anos de recessão, três anos de ódio, três anos de instabilidade política, três anos de retrocesso democrático.

Nenhuma “operação” radical que se propõe a destruir alguma coisa gigante trouxe coisas boas nem foi bem-sucedida.

A Inquisição quis acabar com o judaísmo. Teve apoio popular porque queimava os hereges em praça pública e sem cobrar ingressos.

Roma quis acabar com os cristãos. Saciava a sede de sangue da massa promovendo grandes torneios em que cristãos desarmados eram obrigados a enfrentar leões famintos.

Milhares de judeus foram queimados, milhares de cristãos foram dilacerados, mas o judaísmo e o cristianismo não acabaram.

A Lava-Jato ganhou popularidade propondo acabar com a corrupção, uma tarefa tão inviável quanto acabar com o judaísmo ou o cristianismo.

Mas se tornou popular queimando petistas vivos.

Isso foi no início, quando a ideia era dizimar o PT; agora que os petistas foram queimados a Lava-Jato cumpre a tarefa de acabar com o PMDB.

Além de promover espetáculos públicos de destruição de biografias e incitar a população contra um governo eleito, a Lava-Jato praticou o maior atentado à constituição já praticado desde a redemocratização, ao grampear e divulgar o grampo de uma presidente da República.

E inaugurou o hábito de prender antes de julgar, a pretexto de “manutenção da ordem pública”.

E incentivou a delação, criando a figura do “delator premiado”.

Sob o silêncio cúmplice de instâncias superiores, cujo papel é defender a constituição.

Dá impressão que a Lava-Jato se transformou no Quarto Poder, pairando no céu da pátria como “uma esperança” semelhante à de encontrar um pote de ouro no fim do arco-íris.

O messianismo sobrevive no Brasil. O Dom Sebastião do momento é Sérgio Moro, que formalmente é um juiz, mas na prática atua mais como inquisidor.

Apesar da voz desagradável, do cabelinho curto e das ideias idem ele tem uma legião de seguidores fanáticos.

Não é possível explicar racionalmente a atração da classe média por essa figura estranha, para dizer o mínimo.

Em três anos de atuação a única coisa que a Lava-Jato conseguiu foi mostrar algo que as pessoas bem informadas já sabiam há muito tempo: que a relação entre governos e empresários é espúria; que não se faz negócios com o governo sem pagar pedágio; que não se faz doação eleitoral sem uma boa contrapartida.

O que a Lava-Jato conseguiu foi mostrar ao mundo que o Brasil é um país de corruptos.

A Lava-Jato conseguiu acabar com um governo em início de mandato, associada a um grupo de políticos golpistas que agora trata de também alijar do poder.

A Lava-Jato passou a ser o principal assunto do país, passou a ditar a pauta nacional. Assuntos urgentes, como a recuperação econômica e os juros exorbitantes, que dilapidam a economia popular, passaram ao segundo plano.

Os brasileiros querem saber quem é o próximo poderoso a cair em desgraça.

Quem será o próximo queimado vivo.

A Lava-Jato não melhorou o país, não melhorou a vida de um só brasileiro. Não encheu a barriga de ninguém. Trouxe o desemprego em massa como maior legado.

E não vai acabar com a corrupção.

Antes, vai acabar com o Brasil.

Uma resposta to “Lava-Jato vai acabar com o Brasil antes de acabar com a corrupção”

  1. Wagner Ortiz Says:

    A PF e o MPF são a verdadeira quadrilha instalada no poder.

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