Fãs de Sérgio Moro são indiciados e presos

Altamiro Borges em seu blog em 18/3/2017

Os falsos moralistas, que seduziram os ingênuos nas marchas pelo “Fora Dilma”, estão cada dia mais desmoralizados. No início de março, a empresária Renata Loureiro Borges Monteiro postou no seu Facebook a foto do juiz Sérgio Moro e a cínica mensagem: “É de cabeça erguida que iremos limpar o país”. Na terça-feira, dia 14/3, porém, ela foi intimada coercitivamente e levada por agentes da Polícia Federal para prestar depoimento sobre um milionário esquema de propina no Rio de Janeiro. Já na sexta-feira, dia 17/3, outro fã do chefão da Lava-Jato, o médico veterinário Flávio Evers, funcionário da Seara, foi preso e teve bens bloqueados como resultado da Operação Carne Fraca. Os dois casos confirmam que é sempre bom desconfiar dos vestais da ética. Geralmente, eles são bandidos!

No caso da empresária, ela foi intimada em decorrência da chamada Operação Tolypeutes, um dos braços da Lava-Jato no Rio de Janeiro, que investiga crimes de corrupção e pagamento de propina em contratos da linha 4 do Metrô. Na ação, foram presos o diretor da Companhia de Transportes sobre Trilhos (Rio Trilhos), Heitor Lopes de Sousa Junior, e o atual subsecretário de Turismo do Estado e ex-subsecretário de Transportes, Luiz Carlos Velloso – que é casado com Renata Loureiro. A ativa bajuladora do chefão da Lava-Jato é suspeita de ter participado diretamente no esquema de desvio de recursos púbicos. O Ministério Público Federal já pediu o bloqueio de R$12 milhões do casal.

Já no caso do médico veterinário Flávio Evers, a revista Época deu mais detalhes sobre a sua suposta participação nos crimes cometidos pela Seara – só evitou citar a estrela global Fátima Bernardes, a principal garota-propaganda da poderosa empresa. Segundo a matéria, “alvo da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, Flávio Evers, funcionário da Seara, empresa controlada pelo grupo JBS, publicou posts no Facebook pedindo rigor da Justiça e exaltando rigidez de caráter. Na sexta-feira, dia 17/3, ele foi preso e teve os bens bloqueados durante ação da PF para reprimir uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários e empresários. A polícia se refere a Flávio Evers como executivo da Seara, mas a empresa garante que o cargo dele é de médico veterinário”.

Época lembra que “a Operação Carne Fraca foi desencadeada após quase dois anos de investigação. A PF emitiu mandados de prisão e busca e apreensão ao constatar que superintendências regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público. Irregularidades como reembalagem de produtos vencidos, propina e venda de carne imprópria para consumo humano foram encontradas”. Já sobre o médico veterinário, a reportagem revela a sua ativa militância de direita nas redes sociais.

“Em uma postagem feita por Evers em 6 de janeiro de 2015, o veterinário compartilhou um artigo que exalta o trabalho do juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos de 1ª instância da Operação Lava-Jato. “Se o juiz Sérgio Moro desaparecesse hoje, boa parcela dos empresários que representam o PIB nacional se sentiria aliviada… E teríamos festa nos arraiais do PT e seus assemelhados”, diz o primeiro parágrafo do texto. Em seus posts, o funcionário preso mostra que é opositor do Partido dos Trabalhadores (PT). Ainda em janeiro de 2015, ele republicou um post da página “Dilma Rousseff, NÃO”, que pedia ironicamente a importação de juízes da Indonésia depois da vinda de médicos cubanos. Na ocasião, a imprensa do Brasil repercutia a execução de dois brasileiros condenados no país asiático por tráfico de drogas”.

“Às vésperas do primeiro turno das eleições de 2014, Evers apoiava “tirar o Brasil do vermelho”, ao pedir a saída do PT do governo. O executivo era crítico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da então candidata Marina Silva. Ele compartilhou publicação da página “União Contra a Corrupção” dizendo que a ex-ministra até teria “muitas qualidades”, mas seria “fundamentalista religiosa”, “comunista de carteirinha” e “amiga íntima do LULADRÃO””. Em outras postagens, o veterinário da Seara faz inúmeras pregações pela rigidez moral. “Ética é o que você faz quando está todo mundo olhando. O que você faz quando não tem ninguém por perto chama-se caráter”, lê-se em uma imagem compartilhada por ele em dezembro de 2014. “Da vida não quero muito… Quero apenas saber que tentei tudo o que quis, tive tudo o que pude, amei tudo o que valia e perdi apenas o que, no fundo, nunca foi meu”, sustenta em outra publicação no Facebook.

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