A Operação Carne Fraca e o reino dos imbecis

Luis Nassif, via Jornal GGN em 18/3/2017

A Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, traz uma comprovação básica: o nível de emburrecimento nacional é invencível. O senso comum definitivamente se impôs nas discussões públicas. E não se trata apenas da atoarda que vem do Twitter e das redes sociais. O assustador é que órgãos centrais da República – como o Ministério Público, a Polícia Federal, o Judiciário – tornaram-se reféns do primarismo analítico.

Como é possível que concursos disputadíssimos tenham resultado em corporações tão obtusamente desinformadas, a ponto de não ter a menor sensibilidade para o chamado interesse nacional. Não estou julgando individualmente delegados ou procuradores. Conheço alguns de alto nível. Me refiro ao comportamento dessas forças enquanto corporação.

Tome-se o caso da Operação Carne Fraca.

A denúncia chegou há dois anos na Abin (Agência Brasileira de Inteligência). O delator informou que a Secretaria de Vigilância Sanitária no Paraná tinha sido loteada para o PMDB. Levantaram-se provas de ilícitos em alguns frigoríficos.

Por outro lado, há uma guerra fitossanitária em nível global, em torno das exportações de alimentos. Se os delegados da Carne Seca não fossem tão obtusos, avaliariam as consequências desse bate-bumbo e tratariam de atuar reservadamente, desmantelando a quadrilha, prendendo os culpados.

Mas, não. O bate-bumbo criou uma enorme vulnerabilidade para toda a carne exportada pelo país. Os anos de esforços gerais para livrar o país da aftosa, conquistar novos mercados, abrir espaço para as exportações ficaram comprometidos pelo exibicionismo irresponsável desse pessoal.

Ou seja, havia duas formas de se atingir os mesmos resultados:

1) Uma investigação rápida, discreta e sigilosa.
2) O bate-bumbo de criar a maior operação da história, afim de satisfazer os jogos de poder interno da PF.

As duas levariam ao mesmo resultado e a primeira impediria o país de ter prejuízos gigantescos, que pudessem afetar a vida de milhares de fornecedores, o emprego de milhares de trabalhadores, a receita fiscal dos impostos que deixarão de ser pagos pela redução das vendas – e que garantem o salário do Brasil improdutivo, de procuradores e delegados.

Qual das duas estratégias seria mais benéfica para o país? A primeira, evidentemente.

No entanto, o pensamento monofásico que acomete o país, não apenas entre palpiteiros de rede social, mas entre delegados de polícia, procuradores da República, jornalistas imbecilizados é resumido na frase-padrão de Twitter: se você está criticando a Carne Fraca, então você é a favor de vender carne podre.

Podre se tornou a inteligência nacional quando perdeu o controle de duas corporações de Estado – MPF e PF – permitindo que fossem subjugadas pelo senso comum mais comezinho. E criou uma geração pusilânime de donos de veículos de mídia, incapazes de trazer um mínimo de racionalidade a essa barafunda, permitindo o desmonte do país pela incapacidade de afrontar o senso comum de seus leitores.

Veja bem, não se está falando de capacidade analítica de entender os jogos internacionais de poder, a geopolítica, o interesse nacional, as sutilezas dos sistemas de apoio às empresas nacionais. A questão em jogo é muito mais simples: é saber discernir entre uma operação discreta e outra que afeta a imagem do Brasil no comércio mundial.

No entanto, essa imbecilidade, de que a destruição das empresas brasileiras contaminadas pela corrupção, permitirá que viceje uma economia mais saudável, é recorrente nesse reino dos imbecis. E se descobre que a estultice da massa é compartilhada até por altos funcionários públicos, regiamente remunerados, que se vangloriam de cursos e mais cursos aqui e no exterior. O sujeito diz asneiras desse naipe com ar de sábio, reflexivo. E é saudado por um zurrar unânime da mídia.

Discuti muito com uma antiga amiga, quando mostrava os impactos dessas ações nos chamados interesses nacionais e via mão externa, e ela rebatia com conhecimento de causa: não são conspiradores, são primários.

Imbecil é o país que se desarma completamente, Judiciário, mídia, organizações que se jactam de ter Escolas de Magistratura, de Ministério Público, de Polícia Federal e o escambau, permitindo mergulhar na mais completa ignorância institucional.

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Uma resposta to “A Operação Carne Fraca e o reino dos imbecis”

  1. Geraldo Franco Says:

    O caso específico da febre dita aftosa marca o ramo como dos mais neurotizados no mercado na exportação global; primeiro que não se vê caso da febre em humanos há séculos (que o diga a organização da ONU a Panaftosa, ligada a WHO, e em operação no Rio de Janeiro, em Caxias) pra ser preciso. Tenho seguido, de longe, os mesmos: não passa de um bando de vigaristas, com um belo laboratório montado e que não é usado pra porra nenhuma, vive vazio, às moscas! A guerra contra a doença é travada na mídia e nada mais que ali. A WHO trata o assunto como se fosse uma nêmesis: dá pra botar em uso a sua contrainformação e a manter o tema da febre aftosa no ar como se fosse assunto sério. É sério quando se vendem as tais vacinas, e todo o gado tem de ser vacinado, mas, e daí? Não há follow up ou seguimento nenhum dos animais. O que há é de repente estourar a ‘vaca louca’ pra fuder de um tudo em volta e mostrar que a aftosa seja um perigo iminente e eminente. Quando de fato não é.Talvez esse seja um bom momento para as autoridades veterinárias e agrícolas do país pararem pra pensar no que seja bom e para quem será bom. O gado no interior do país continuará a ter grandes níveis de reprodução, a soja será mantida como comida de reserva caso toda a grama se torne uma pira incandescente, como acontece vez por outra. Mas o país vai ficar na mão com todos os seus contratos, os bons e os ruins cancelados. Pior pra quem? Perguntem aos lobistas do ramo no Congresso Nacional, se é que entendem mesmo do assunto, se é que querem se sair meno male da situação, tipo vaca louca que aprontaram pela sua inércia e incompetência !

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