#GreveGeral: Temer cumpre sua promessa e começa a unir o povo brasileiro

Via Mídia Ninja em 16/3/2017

Após muito tempo, apenas um tema conseguiu unir lado a lado fãs de BBB, adoradores de Kardashians e a esquerda no Twitter: a repulsa à reforma da Previdência.

Durante o dia 15/03, marcado por manifestações contra a reforma da Previdência e o governo Temer, capturei ocorrências que contivessem os seguintes termos: #15M, #GreveGeral, #QueroMeAposentar e “Reforma da Previdência”.

#15M no Twitter durante o dia 15 de março.

Como podemos observar, o maior agrupamento durante o período foi o representado pela cor verde – e aqui está o ponto mais interessante desse cenário capturado pela análise: trata-se um agrupamento de usuários que raramente se envolve no embate político no Twitter. Material gráfico que retrate concretamente os prejuízos da reforma para a população, bem como manifestações de setores de trabalho que possuem contato direto com esse público jovem (professores, por exemplo), tem enorme impacto entre esses usuários. Voltado a assuntos do cotidiano, BBB e temas especificamente trends no Twitter, voltaram suas atenções para a reforma da Previdência e impactaram dezenas de milhares de usuários que não são impactados pelo outro agrupamento engajado nessa disputa contra a reforma: os agrupamentos amarelo/rosa/vermelho.

Esse “emaranhado” de agrupamentos formado, na realidade, por cerca de seis agrupamentos significativos, engloba os usuários regularmente engajados no debate e cobertura política dos eventos progressistas no Twitter. Conta também com alguns perfis que foram os responsáveis por “produzir e alimentar” a intersecção entre ambos grande-clusters que se uniram, de certa forma, contra a reforma da previdência.

No que podemos chamar de centro-oeste do mapa estão os usuários da imprensa dita tradicional brasileira, que se revezaram entre a ausência da cobertura das manifestações e notícias acerca dos “transtornos” causados pelas greves e paralisações, alimentando assim outro cluster representativo: o agrupamento azul, localizado na parte superior do grafo. Aqui, não é surpresa, o principal e potencial usuários é – e será – o Movimento Brasil Livre, responsável por dar uma nova “roupagem” nos próximos dias a reforma proposta por Michel Temer. No que se refere ao Twitter, mora aqui a principal esperança do governo Temer de “mudar a maré” acerca da reforma e da opinião pública.

O que o #15M nos mostrou foi, mais uma vez, a completa ausência de uma cobertura massiva da imprensa tradicional que se assemelhasse aquelas realizadas durante o processo de impeachment. Esse ponto foi levantado por muitos usuários que, cada vez mais, encontram em usuários como Mídia Ninja, Brasil de Fato, RBA, Jornalistas Livres, The Intercept Brasil e outros canais de mídia independente, uma luz no fim desse longo, macabro e escuro túnel que é a imprensa brasileira.

É também interessante – para não dizer irônico – que um governo que semanas atrás foi acusado de tentar comprar o apoio de jovens youtubers e influenciadores de rede tenha conseguido, em tão pouco tempo, criar um buzz capaz de envolver no debate político do Twitter um agrupamento de influenciadores tão importante para a rede e tão alheio ao debate político como é o agrupamento verde, destacado no início do texto.

Fato é que, ao contrário do que Temer afirmou, a sociedade está longe de entender, compreender e até mesmo apoiar as reformas proposta por seu governo. E o #15M demonstrou que, para além das ruas, as redes também demonstram que não, não se trata apenas de mais um embate “sindicatos x governo”. Dessa vez, o buraco é mais embaixo.

***

PROTESTOS ANTIRREFORMA ASSUSTAM GOVERNO E CONGRESSO
Helena Chagas, via Os Divergentes em 15/3/2016

Foi maior, muito maior do que imaginavam o governo e a própria oposição o movimento que paralisou transportes e escolas Brasil afora e culminou em manifestações nas principais capitais, destacando-se a reocupação da Paulista pelas forças vermelhas em São Paulo. Haverá, com certeza, guerra de versões em que os organizadores tentarão inflar os números e os governistas irão minimizar seu tamanho. Bobagem. O principal, a esta altura, é avaliar o impacto do 15 de março. É o que todo mundo, inclusive alguns interlocutores de Michel Temer, está fazendo.

Até a mídia, que vem mantendo firme apoio às reformas que o movimento de hoje quer derrubar, abriu espaço para transmissões e flashes ao vivo à medida em que o movimento foi engrossando, à tarde, depois dos incômodos com o trânsito e o fechamento de ruas e escolas pela manhã.

Não há dúvidas de que as manifestações foram significativas e vão repercutir, com a possibilidade de dois efeitos imediatos:

1) O temido (pelo governo) efeito cascata, desencadeando outros protestos. Hoje, mobilizaram-se claramente em torno da rejeição à reforma da Previdência, mas o “fora Temer” esteve presente e tornou-se audível em diversos momentos mostrados ao vivo. Para os aliados do presidente, há um risco real nisso.

2) O efeito Congresso. A maior preocupação governista hoje é com o impacto das manifestações junto a quem vai votar a reforma da Previdência. Por mais que a base de Temer seja forte e fiel, parlamentares costumam ser extremamente sensíveis às ruas, sobretudo em anos pré-eleitorais. Se, conforme já admitiam aliados do Planalto, o governo ainda não havia garantido a maioria de 308 votos na Câmara para a sua PEC, agora é que vai ficar mais difícil.

A coincidência dos protestos com o momento em que o Planalto e sua base de sustentação, tendo à frente o PMDB e o PSDB, se fragilizam com a divulgação da Lista de Janot versão 2.0, também é ruim para o governo. Por isso, já há quem veja a possibilidade de o Planalto, finalmente, sair do discurso do tudo ou nada e se sentar para negociar mudanças importantes no projeto.

O importante para a governabilidade, a esta altura, é fazer passar alguma reforma, ainda que seja “modestíssima” – palavra usada hoje pelo presidente, possivelmente antes de se inteirar das dimensões do movimento nas ruas.

Uma resposta to “#GreveGeral: Temer cumpre sua promessa e começa a unir o povo brasileiro”

  1. Geraldo Franco Says:

    Moro (verbo morar, que o outro é mais verborragia que nada) no Rio e até agora não sei o que aconteceu aqui.Pode?

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