Padilha simboliza o apodrecimento do sistema

Jeferson Miola em 14/3/2017

O ministro Eliseu Padilha, batizado com o codinome de “Primo” nas planilhas de propinas da Odebrecht, é um cadáver putrefato; mas esse é, incrivelmente, o fator curricular que lhe confere função de proa no governo golpista.

A cada dia surgem detalhes esclarecedores da sua participação nos esquemas de corrupção que têm protagonistas como Eduardo Cunha, Michel Temer, Lucio Funaro, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco, José Yunes etc.

Nas delações em que foi citado, não faltaram pormenores da destinação dos R$10 milhões de propinas que Temer solicitou à Odebrecht durante jantar realizado em pleno Palácio Jaburu – a residência oficial do vice-presidente da república que foi convertida em Estado-Maior da conspiração e do crime pela cleptocracia que assaltou [também] o poder.

Ao reassumir o cargo depois da providencial licença de 13 dias para a cirurgia de próstata, e com a tranquilidade própria dos inimputáveis e protegidos, Padilha arrotou: “Não vou falar sobre o que não existe. Está tudo baseado num delator”. E de fato, ele nada falou, e ficou o dito pelo não dito.

Embora pretexte que “está tudo baseado num delator”, na realidade segue uma estratégia bem definida de defesa: “Qualquer fala agora é prejudicial. Ficarei quieto” [sic].

A imprensa conivente nada perguntou a Padilha sobre, por exemplo, o relato de José Yunes, que não é delator, e sim parceiro do Temer, que denunciou a transação dele com o doleiro Lúcio Funaro, e o plano de compra de 140 deputados para derrubar a presidente Dilma.

Não é só a mídia que assegura tranquilidade e sossego ao Padilha. O MP, a PF e o judiciário também o deixam trabalhar em paz, “em nome da necessária governabilidade”, como diria o tucano Gilmar Mendes.

Estivesse o Brasil na plenitude do Estado de Direito, e não do regime de exceção, Padilha seria afastado da Casa Civil e suas atividades delituosas investigadas. Mas isso, por enquanto, não acontecerá.

Mesmo em estado adiantado de putrefação, Padilha ainda vale muito: é o fiador da entrega [1] do filão previdenciário ao mercado financeiro, aos bancos e às companhias de previdência privada; e [2] do desmanche da CLT para aumentar a taxa de exploração e rentabilidade do capital.

Outro aspecto é fundamental para a sustentação do Padilha: tudo o que ele faz ou fez é de pleno conhecimento e da absoluta concordância do Temer.

O presidente usurpador, mesmo que possa avaliar que a demissão seria a melhor escolha para aplacar a crise política e moral do governo golpista, não consegue demiti-lo, porque são muitos os segredos e cumplicidades que o prendem ao seu chefe da Casa Civil.

E assim Padilha e Temer, enquanto a justiça não chega e o Estado de Direito não é restaurado, vão levando uma vida de carcereiro e prisioneiro, um refém e cúmplice do outro. Como filosofa Padilha, “em time que está ganhando não se mexe”.

Padilha simboliza o apodrecimento do sistema político do Brasil.

***

PADILHA VOLTA AO GOVERNO PARA ARTICULAR REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Via Jornal GGN em 13/3/2017

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, retornou às atividades após 21 dias de licença médica. A primeira agenda de Padilha foi em reunião junto ao presidente Michel Temer e representantes militares para discutir o Plano Nacional de Segurança, para desembolsar parte dos investimentos da pasta número dois em gastos do governo Temer, a Defesa. Ainda na agenda de Padilha para esta segunda [13/3] está a articulação para acelerar a reforma da Previdência.

No encontro marcado pela manhã com Temer, Padilha participou da reunião com representantes dos Ministérios da Justiça, Defesa, do Gabinete de Segurança Institucional, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Estado Maior Conjuntos das Forças Armadas. A pauta era o Plano Nacional de Segurança, com entre os objetivos, o de construir mais presídios, aumento de efetivo nas ruas e outras estratégias para a redução de homicídios nas capitais.

Mas além do Plano de Segurança, integrou o diálogo de Temer com os militares o da previsão de mais R$9,7 bilhões de repasses do Ministério da Defesa às Forças Armadas para este ano. Apenas no fim de 2016, foram desembolsados um total de R$9,15 bilhões do Orçamento ao setor.

A Defesa é o segundo Ministério de Temer com maiores gastos federais, ficando atrás apenas do Ministério dos Transportes e à frente, inclusive, da Educação. Em 2016, o gasto total da Defesa foi de R$87,6 bilhões, que representa 1,4% do PIB Brasileiro. Deste total, a maior parte (73,7%) é gastos com pessoal, seguidos de 13,6% para custeio e apenas 10,4% para investimentos.

Além das conversas de investimentos em Segurança e militares, Padilha teve em seu primeiro dia de volta às atividades outra grande preocupação: a dar sequência à Reforma da Previdência da agenda Temer.

Está marcada uma reunião às 17h, nesta segunda [13/3], com líderes parlamentares e o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbahassy, sobre a reforma. O encontro será com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB/RR); Aguinaldo Ribeiro (PP/PB), líder do governo na Câmara; Lelo Coimbra (PMDB/ES), líder da maioria na Casa, e André Moura (PSC/SE). Entre os temas, está a articulação do governo com o Congresso para a aprovação, o quanto antes, da proposta ainda neste semestre.

A urgência, além de se justificar como uma das principais medidas do governo Temer para o ajuste fiscal e econômico, guarda relação com as ameaças frente à gestão do peemedebista, antes que as delações da Odebrecht e que envolvem seu amigo e ex-assessor, José Yunes, provoquem mais desgastes em sua imagem.

Já com grandes resistências, Temer acredita que o quanto antes seja aprovada a reforma da Previdência, menos tempo para críticas e oposições da população e opinião pública contra a medida econômica.

Uma resposta to “Padilha simboliza o apodrecimento do sistema”

  1. Geraldo Franco Says:

    O último Padilha que se conheceu na política policial brasileira foi um delegado que caçava, e punia, no Rio de Janeiro dos anos de 1950, os namorados que se beijavam nas praças e locais públicos da cidade. Hoje temos um verdadeiro criminoso comissionado por entidades suas superiores, que beija o chão aonde o povo deveria passar para se aposentar, pensa e diz que faz um favor à humanidade. É mais um gangster à serviço de sua turma.

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