O fantasma da culpa assombra: Temer deixa o Alvorada e volta para o Jaburu

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Após 11 dias, Michel Temer desiste de morar no Palácio da Alvorada e voltará ao Palácio do Jaburu. Ele até tinha mandado colocar rede pra proteger o Michelzinho.

Fernando Brito, via Tijolaço em 1º/3/2017

Freud explica. Ou melhor ainda: Sartre.

Michel Temer, 11 dias depois de ir morar no Palácio da Alvorada, com uma reforma que fez desaparecer móveis, tapetes e outros objetos, muitos do tempo de JK, porque tinha a cor telha ou vermelha, desistiu, diz a Folha.

Volta para o Palácio do Jaburu, residência do vice-presidente.

A desculpa é que o Alvorada é “grande e longe demais”.

Longe, não é, porque não deve distar sequer 1 km do Jaburu, e isso é nada para quem só anda de carro oficial.

Quanto ao grande, tem razão, mas talvez essa “grandeza” seja mais fruto da pequenez do ocupante, que sabe estar ali por uma usurpação.

Nada contra se Temer não quisesse morar num palácio, mas o Jaburu também é um. Um pouco menor, mas não pequeno. A diferença é que é mais discreto e recolhido, como um vice deve ser.

O mais provável é que tenha sido mesmo a velha culpa, aquele sentimento opressivo que vem a quem assassinou politicamente uma presidente eleita e, pelo crime, apossou-se do seu cargo e de seu lugar de moradia.

O cargo, Temer exerce sem remorso ou contenção.

Mas a casa, com aqueles imensos salões, à noite, é cheia dos fantasmas do remorso, que Sartre simbolizou tão bem como moscas: afasta-se-as (mesóclise é para todos), mas elas voltam, insistem, teimam.

Eram, na peça, a Erínias gregas, as filhas da noite, horríveis demais para serem olhadas, que perseguiam e atormentavam os criminosos fossem para onde fossem, por mais que insistissem em se livrar delas.

Ou, talvez, para dar uma explicação mais à altura da turma que chegou ao poder, seja melhor recorrer a Cinderela, dos Irmãos Grimm: está chegando a hora de voltar a ser abóbora.

***

michel_temer397_michelzinhoPALÁCIO DA ALVORADA, TOMBADO PELO IPHAN, GANHA REDE PARA PROTEGER MICHELZINHO
Via Revista Fórum em 27/2/2017

A família Temer se mudou para o Palácio da Alvorada na última semana. Uma das várias modificações por que passou o local, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi uma rede de proteção que alcança até o teto da sacada do primeiro andar do prédio, onde fica a área residencial, com o quarto de Michelzinho.

A família Temer se mudou pouco mais de cinco meses após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que deixou de morar no Alvorada em 6 de setembro. Desde então, Temer usava o palácio somente para reuniões e jantares com políticos e Marcela, para atividades do programa Criança Feliz, do qual é embaixadora. Nesse intervalo, mesmo com Temer já como presidente, o casal continuou morando no Jaburu.

Antes da chegada da família Temer, parte das instalações internas do palácio passou por pintura e foram executados reparos no mobiliário. A pedido da chefia de gabinete da primeira-dama, Marcela Temer, foram retirados alguns móveis do térreo do Palácio do Alvorada.

A nova decoração segue “gostos pessoais”, afirma o ex-secretário-executivo da Comissão de Curadoria dos Palácios Claudio Soares Rocha. “O palácio é um prédio público, tombado. Não faz o menor sentido esse tipo de interferência num espaço público”, diz Rocha.

Uma resposta to “O fantasma da culpa assombra: Temer deixa o Alvorada e volta para o Jaburu”

  1. magda f santos (@magdafsantos) Says:

    E NÓS PAGANDO PELOS DESVARIOS DO LOUCO NO PODER!!

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