O rei do engodo: João Dória coloca até cemitérios à venda em São Paulo

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Via Pragmatismo Político em 16/2/2017

João Dória anuncia que a cidade de São Paulo está à venda: Parque Ibirapuera, Pacaembu, Mercado Central, Interlagos, terminais de ônibus, iluminação pública, complexo Anhembi e até cemitérios. Tudo foi apresentado a estrangeiros em um vídeo narrado em inglês

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Parque Ibirapuera, Pacaembu e até cemitérios: em vídeo, Prefeitura de São Paulo coloca cidade à venda.

Em vídeo publicado na segunda-feira, dia 13/2, no canal do YouTube da Prefeitura de São Paulo, a administração de João Dória (PSDB) apresenta “o maior programa de privatização da história da cidade” a investidores estrangeiros, e lista até cemitérios como estruturas à venda.

Narrado em inglês, o vídeo apresenta São Paulo como uma “cidade do mundo”, destacando seu potencial para negócios e investimentos.

A “maior cidade das Américas” é o “maior centro financeiro no hemisfério sul”, diz o vídeo, que foi apresentado a investidores estrangeiros em Dubai, nos Emirados Árabes, por Dória na terça-feira, dia 14/2, segundo o portal de notícias G1.

Entre as estruturas à venda, constam cemitérios, terminais de ônibus, iluminação pública, o sistema Bilhete Único de cobrança de passagem de transporte público, o estádio do Pacaembu, Parque Ibirapuera, complexo Anhembi, autódromo de Interlagos e outros “ativos” disponíveis para receber investimentos estrangeiros.

O vídeo também destaca o fast-track, dispositivo que possibilita a aceleração de processos e redução de burocracias, o que “garante que todos os projetos de investimentos sejam implementados com sucesso” para “facilitar e fortalecer novos negócios”.

***

O REI DO ENGODO
Flavio Gomes em 15/2/2017

Não vou postar o vídeo aqui porque há limites para o embuste. Quem quiser que procure no Facebook. Mas o prefeito de São Paulo, João Dória Jr., saiu em périplo pelos Emirados Árabes (e rádios e jornais da cidade enviaram repórteres, e desconfio que sei quem pagou suas viagens) para “buscar investimentos”. Aí passou pelo autódromo de Abu Dhabi, o qual descreveu como um “modelo” que deveria ser seguido por Interlagos. Está lá, no seu post.

“Pessoal, viemos conhecer o Complexo de Automobilismo de Abu Dhabi – Yas Marina, que possui uma arquitetura ímpar e conta com espaço para eventos, além de Shopping Center e Hotéis. Esta área é aproveitada 365 dias por ano para diversas atividades, como provas de atletismo, shows e eventos corporativos. Esse é o modelo ideal para a privatização do Autódromo de Interlagos. Vamos deixar São Paulo no patamar que ela merece!”

No vídeo, Dória diz que Abu Dhabi é “um exemplo de gestão privada”, tem “hotel, autódromo desenvolvimento imobiliário, desenvolvimento de shopping center, numa área que era desértica no passado” e hoje “é um grande centro de entretenimento”.

Pois bem. Ele esqueceu de dizer que o autódromo é de propriedade do governo, custou 1,3 bilhão de trumps e tudo lá era desértico, inclusive Abu Dhabi inteira. Esqueceu de dizer também que o GP de Abu Dhabi só acontece porque o governo local despeja caminhões de dinheiro na conta da FOM e que a corrida é patrocinada por outra estatal. E que o governo, junto com seus fundos associados, bancou o parque de diversões da Ferrari no local.

O que o prefeito imagina para Interlagos? Um complexo hoteleiro, shoppings e restaurantes? Outra “Ferrarilândia”? Por que usar como exemplo de gestão um autódromo – repito – estatal num país minúsculo que boia em petróleo e não, por exemplo, Monza? Monza não tem shopping, nem hotel, nem restaurantes. E vai bem, obrigado. Silverstone, Hockenheim, Sepang, Xangai, Bahrein e Spa, tampouco. Por que diabos esse sujeito acha que alguém vai se interessar em transformar Interlagos em algo parecido com a pista de Abu Dhabi, onde a realidade econômica em nada se compara à do Brasil?

O prefeito apresentou um vídeo aos árabes informando que São Paulo é o paraíso dos investimentos internacionais, com o maior plano de privatizações do mundo. É quase patético. Cita o autódromo, o Mercado Municipal, terminais de ônibus, o Parque Ibirapuera, os cemitérios (sim, cemitérios!), o Pacaembu, o Anhembi e, soube agora, os planetários da cidade. Talvez nossos rabos.

Na boa, quem cai na conversa desse sujeito é muito otário. E os árabes não são. Então, me cobrem se algum sheik vier aqui para comprar Interlagos, ou o Terminal Santo Amaro, ou o sanduíche de mortadela do Mercadão.

Agora, quem acredita deve achar que Interlagos vai virar Yas Marina num estalar de dedos, graças à infalível e impoluta iniciativa privada – a mesma da qual fazem parte empresas como Odebrecht, Siemens, Alstom, OAS e todas do Eike Batista.

Algo que, inclusive, é desnecessário. O autódromo é bom, bem estruturado, precisa apenas de manutenção – obrigação da Prefeitura, qualquer uma –, também tem eventos artísticos, musicais, esportivos e motorizados, como ele preconiza. Dá lucro, inclusive.

Mas, segundo o rapaz, vai aparecer um monte de gente interessada em encher aquela área de hotéis, shoppings e restaurantes.

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