Lula foi contra demissão da médica que vazou diagnóstico de dona Marisa

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Via Brasil 247 em 14/2/2017

O ex-presidente Lula foi contra a demissão da médica acusada de vazar uma leitura do diagnóstico de Marisa Letícia. Segundo interlocutores do petista, ele defendeu que ela passasse por um curso de ética profissional, permanecendo no emprego.

As informações são da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

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O ESTRANHO VÍRUS PAULISTA DO ÓDIO: KALIL EXPLICA A DEMISSÃO DA MÉDICA QUE VAZOU SIGILO DE MARISA
Via Brasil 247 em 5/2/2017

Em artigo publicado no domingo, dia 5/2, na Folha de S.Paulo, o médico Roberto Kalil Filho, diretor do Sírio-Libanês, explica por que defendeu a demissão da médica Gabriela Munhoz, apontada como responsável pelo vazamento dos dados de Marisa Letícia, ex-primeira-dama.

Abaixo, o artigo de Kalil:

AFRONTA À DIGNIDADE HUMANA
Roberto Kalil Filho

Infelizmente, são comuns no Brasil, e em especial na rede pública, queixas de médicos e de outros profissionais de saúde sobre jornadas extenuantes de trabalho, afastamento da família, salários incompatíveis com uma vida digna e muito aquém do esforço, da dedicação e da responsabilidade exigidos pela carreira.

Fora isso, também são vítimas de violência por parte de pacientes ou acompanhantes que responsabilizam os médicos por todas as consequências produzidas pela doença.

Tais situações, evidentemente, comprometem a saúde física e mental desses profissionais e geram o desalento que os afasta de seus pacientes, o que acaba por punir justamente os mais necessitados, aqueles que já vivem nos limites da dignidade humana.

No entanto, quando afrontam a ética, quebram o juramento de Hipócrates proclamado ao receberem o título de doutor e compartilham publicamente segredos e sentimentos a eles confiados, os médicos violam um dos princípios mais sagrados da profissão, o sigilo médico.

Essa situação ocorreu recentemente com a divulgação pelas redes sociais de exames e dados clínicos não autorizados, além de comentários desairosos sobre pacientes públicos. O caso revela um dos lados perversos do comportamento humano, reprovável e absolutamente inadmissível para quem se apresenta como médico.

Pior ainda é testemunhar esses profissionais serem movidos por sentimentos menores e ideologias político-partidárias, fazendo apologia à morte, como lamentavelmente observamos na última semana.

O texto da jornalista Cláudia Collucci publicado na Folha na quinta [2/2] acerta no ponto nevrálgico sobre o tema: atitudes como essa merecem punição. Impossível tolerar que pacientes corram o risco de virar motivo de escárnio entre médicos inescrupulosos.

As direções de hospitais e unidades de saúde precisam ser firmes e punir esse tipo de comportamento antiético de forma exemplar, eliminando das instituições elementos que profanam o princípio do sigilo e do respeito devido a qualquer ser humano.

Também têm obrigação de denunciar imediatamente aos conselhos profissionais esses desvios, para a aplicação de sanções pertinentes.

O juramento de Hipócrates é claro: o médico deve guardar absoluto respeito pelo ser humano e atuar sempre em seu benefício. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade.

Os cidadãos, quando buscam um serviço de saúde, principalmente quando precisam ser internados, seja em enfermaria ou na terapia intensiva, normalmente chegam fragilizados, não somente pela doença, mas também pelo temor em relação ao que os espera.

Hospital, receio da dor e do imponderável, medicações desconhecidas, dor imposta por exames invasivos, cirurgias, agulhas, tubos e sondas são possibilidades tenebrosas que ninguém em sã consciência aceita calidamente.

As incertezas são muitas na fase de hospitalização; por isso a atitude dos profissionais de saúde tem o papel de resgatar a vida e dar dignidade à existência.

É urgente que os gestores da área da saúde pública ou privada desenvolvam estratégias robustas para envolver os médicos não somente nas políticas internas de humanização das instituições, mas também no respeito ético para com seus pacientes. A dignidade humana deve ser inviolável.

Roberto Kalil Filho, cardiologista, é professor titular da Faculdade de Medicina da USP e diretor de cardiologia do Hospital Sírio Libanês.

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sirio_libanes02_medicosMÉDICA DO SÍRIO É DEMITIDA DEPOIS DE COMPARTILHAR DADOS SIGILOSOS DE D. MARISA
Via O Globo em 3/2/2017

Uma médica do Hospital Sírio-Libanês compartilhou com terceiros informações sigilosas do diagnóstico da ex-primeira-dama Marisa Letícia, horas depois de sua internação, há dez dias. Médica reumatologista, Gabriela Araújo Munhoz, de 31 anos, enviou mensagens a um grupo de WhatsApp de antigos colegas de faculdade, confirmando que dona Marisa estava no pronto-socorro com diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico de nível 4 na escala Fisher – considerado um dos mais graves – prestes a ser levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na noite desta quarta-feira, o hospital informou que Gabriela foi demitida por causa do compartilhamento de informações sigilosas, embora não tenha informado a data em que isso aconteceu.

De acordo com o Código de Ética Médica, profissionais de saúde não podem permitir o acesso de terceiros a prontuários de pacientes. A mensagem foi compartilhada no grupo intitulado “MED IX”, numa referência à turma de formandos em Medicina de 2009 na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, e se espalhou em outros grupos de WhatsApp. O boletim médico divulgado horas depois pelo hospital faz referência à hemorragia cerebral por ruptura de um aneurisma, mas não dava detalhes técnicos a respeito da gravidade do diagnóstico.

Desde o dia 24 dona Marisa está em tratamento na UTI. Nesta quarta-feira houve uma piora em seu estado de saúde e exames apontaram que ela não tem mais fluxo cerebral. A família autorizou a doação de seus órgãos.

No dia de sua internação, um médico que atua fora do Sírio Libanês foi o primeiro a enviar informações sobre o diagnóstico de dona Marisa no grupo “MED IX”. Pedro Paulo de Souza Filho postou imagens de uma tomografia atribuída a dona Marisa Letícia, acompanhada de detalhes que foram confirmados, em seguida, por Gabriela.

Os dados foram compartilhados por Pedro Paulo a partir de um outro grupo de médicos, intitulado “PS Engenho 3”, e atribuídos ao cardiologista Ademar Poltronieri Filho.

A colegas, Gabriela alegou ter confirmado informações já divulgadas na mídia, em grupo restrito de médicos de sua confiança. Ela lamentou que tenham sido compartilhadas com outros grupos e disse não ter tido contato pessoal com o prontuário.

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“O CAPETA ABRAÇA ELA”, DISSE NEUROCIRURGIÃO RICHAM ELLAKKIS ENQUANTO MARISA LETÍCIA ESTAVA EM COMA

Richam Faissal Ellakkis, neurocirurgião e monstro, sobre Marisa: “Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela”

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UNIMED DEMITE MÉDICO QUE FEZ COMENTÁRIOS AGRESSIVOS SOBRE DIAGNÓSTICO DE DONA MARISA
Richam Ellakkis é o segundo médico com relação ao caso a ser desligado.
Via O Globo em 3/2/2017

A direção da Unimed decidiu rescindir o contrato do neurocirurgião Richam Faissal Ellakkis, segundo comunicado divulgado no fim da tarde desta sexta-feira. O profissional fez comentários agressivos sobre o tratamento à ex-primeira dama Marisa Letícia em um grupo de WhatsApp de antigos colegas de faculdade, onde vazaram dados sigilosos do diagnóstico da paciente.

“A Unimed São Roque repudia veementemente as declarações dos médicos citados nas reportagens que abordam o vazamento de informações sigilosas durante o diagnóstico da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva”, escreveu a direção da cooperativa.

Nas conversas do grupo, Ellakkis comentou o atendimento à esposa do ex-presidente Lula:

“Esses fdp vão embolizar ainda por cima”, escreveu, em referência ao procedimento de provocar o fechamento de um vaso sanguíneo para diminuir o fluxo de sangue em determinado local. “Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela”, complementou Ellakkis, que também presta serviços em outras unidades de São Paulo.

Na quinta-feira, o Hospital Sírio-Libanês informou que havia demitido a médica Gabriela Munhoz, que também fez comentários na rede social sobre o estado da ex-primeira-dama.

De acordo com o comunicado da Unimed São Roque, o profissional não pertencia ao quadro de médicos cooperados, mas era “médico terceirizado no hospital próprio da cooperativa, por meio de contrato de prestação de serviços”.

“As demais medidas relacionadas ao caso estão sendo apuradas pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), conforme o Código de Ética Médica”, escreveu a cooperativa no comunicado.

Em nota divulgada na noite de quinta-feira, o Cremesp lembrou que “sob o juramento hipocrático e os princípios fundamentais da Medicina, todo médico deverá ‘guardar absoluto respeito pelo ser humano e atuar sempre em seu benefício’”.

Segundo a entidade, o médico não deverá usar “seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade”.

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