Segundo pesquisa, as eleições de 2018 têm um componente inédito: “Saudades de Lula”.

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Via Valor Econômico em 13/2/2017

Com a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorrer novamente à Presidência da República, a disputa pelo cargo em 2018 poderá ter um componente eleitoral inédito, sugere uma pesquisa qualitativa feita pela empresa Ideia Inteligência com exclusividade para o Valor: saudades.

Ao explorar os argumentos e as justificativas de um grupo selecionado de eleitores que andam afastados do PT, mas declaram intenção de votar no petista, o levantamento identificou reiterados sinais de um sentimento de nostalgia em relação à sua gestão, de 2003 a 2010. Eleitores não ideológicos que estariam dispostos a guiar a escolha baseados em boas lembranças daquele governo. Lembranças associadas, principalmente, a aspectos econômicos.

O estudo qualitativo não tem valor estatístico. Seus resultados não podem ser projetados para o conjunto do eleitorado ou interpretados como síntese de opiniões do grupo social investigado. Mas dão pistas a respeito do que pode estar passando pela cabeça de uma parcela dos brasileiros que tem alimentado o crescimento do petista nas pesquisas quantitativas.

Em dezembro, num levantamento quantitativo com 2.828 entrevistas e margem de erro de dois pontos, o Datafolha mostrou que Lula é líder isolado em todos os cenários de primeiro turno. Apesar do noticiário francamente desfavorável em 2016, com a Lava-Jato em seu encalço, impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e derrota do PT nas eleições municipais, as intenções de voto no ex-presidente cresceram, enquanto a taxa de rejeição ao seu nome apresentou tendência de recuo. Em seu melhor cenário, Lula pulou de 17% em março para 26% em dezembro. Em simulações de segundo turno, só perdeu para a sua ex-ministra Marina Silva (Rede).

Para tentar entender que tipo de fenômeno pode estar sustentando esse desempenho, a empresa Ideia reuniu um grupo específico de eleitores declarados do petista e promoveu uma discussão de uma hora e meia, estimulada por um profissional habilitado. Trata-se de uma técnica muito usada por marqueteiros para captar motivações subjetivas de segmentos de eleitores e orientar rumos publicitários de campanhas eleitorais.

O grupo era composto por dez pessoas, que receberam uma gratificação em dinheiro pela participação, lanche e refrigerante. Optou-se por eleitores das classes C e D de regiões periféricas de São Paulo, de 25 a 55 anos, que não são filiados ou militantes do PT, mas que, embora possam ter restrições ao partido, declaram intenção de votar em Lula numa nova eleição presidencial.

Os eleitores selecionados, conforme ficou demonstrado na sessão, têm interesse por política, mas são pouco informados e nutrem forte rejeição a partidos. Usam como fontes de informação o Facebook e a televisão, principalmente Globo e Record. Todos já votaram em Lula pelo menos uma vez, mas nenhum votou pela reeleição do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) no ano passado. Mais da metade declarou voto no tucano João Dória, três anularam, um foi de Celso Russomanno (PRB). O nome do deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ), que ensaia o lançamento de uma candidatura presidencial, despertou visível interesse nos homens, mas também imediata rejeição entre as mulheres.

No grupo em que só um disse não ter apoiado o impeachment de Dilma, a figura política de Lula foi reverenciada. A discussão em torno de seu nome, conforme assinalam os pesquisadores, é embalada por “forte apelo emocional”, movida por um sentimento de “gratidão extrema, ligada à sensação de boa situação financeira […] que marcou os governos Lula na memória dos entrevistados”. A pesquisa ocorreu uma semana antes da morte da mulher de Lula, a ex-primeira-dama Marisa Letícia.

Um dos aspectos mais destacados pelos participantes foi o do trabalho, realçado várias vezes durante a sessão. “Havia um equilíbrio entre as coisas, a taxa de desemprego era muito baixa. No governo dele eu arrumava emprego fácil, mesmo sendo menor de idade”, afirmou um dos participantes. “Antes eu escolhia a empresa que eu queria trabalhar”, completou outro. “Era um governo que todo mundo gostava, você não via ninguém fazer baderna”, resumiu mais um. “Só quem não gostou da administração dele foi o pessoal da classe A. Muita gente começou a ter opção e salário melhor e parou de se sujeitar para os patrões”.

[…]

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