Janio de Freitas: Não há panelaços e bonecos infláveis para os acusados do governo Temer

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Via Jornal GGN em 12/2/2017

Os bonecos infláveis e as panelas sumiram como num passe de mágica no governo Temer. O clamor não era pelo fim da corrupção? Como entender que Moreira Franco, ou qualquer outro da facção, sejam tolerados por quem ia às ruas e janelas com tanta gana de melhorar o Brasil? Este é o tema do artigo de hoje [12/2] de Janio de Freitas, na Folha.

Janio se pergunta como este pessoal pode conviver com tais operadores políticos, que desfrutam do poder obtido com o impeachment de uma presidente legítima e honesta, para colocar em seu lugar uma horda profissional? Tantas perguntas e nem uma única resposta que satisfaça, já que os bonecos não são tão infláveis e as panelas emudeceram.

Além disso, Janio versa sobre as delações da Odebrecht, seu sigilo e os vazamentos seletivos para uma parte da imprensa. A que se junta ao golpe. “Ficou comprovado que a Lava-Jato e mesmo o seu juiz programavam vazamentos nas vésperas dos dias importantes na campanha contra Dilma e Lula. Só por “interesse político” –evidência que ninguém na Lava-Jato tem condições honestas de negar.”, diz no artigo.

Leia o artigo a seguir.

NÃO HÁ PANELAÇOS E BONECOS INFLÁVEIS PARA OS ACUSADOS DO GOVERNO TEMER
Janio de Freitas

Agora ficou mais fácil compreender o que se tem passado no Brasil. O poder pós-impeachment compôs-se de sócios-atletas da Lava-Jato e, no entanto, não há panelaço para o despejo de Moreira Franco, ou de qualquer outro da facção, como nem sequer houve para Geddel Vieira Lima. Não há panelaços nem bonecos inflados com roupa de presidiário.

Logo, onde não há trabalhador, desempregado, perdedor da moradia adquirida na anulada ascensão, também não há motivo para insatisfações com a natureza imoral do governo. Os que bancaram o impeachment desfrutam a devolução do poder aos seus servidores. Os operadores políticos do impeachment desfrutam do poder, sem se importar com o rodízio forçado, que não afeta a natureza do governo.

Derrubar uma Presidência legítima e uma presidente honesta, para retirar do poder toda aspiração de menor injustiça social e de soberania nacional, tinha como corolário pretendido a entrega do Poder aos que o receberam em maioria, os geddeis e moreiras, os cunhas, os calheiros, os jucás, nos seus diferentes graus e especialidades.

Como disse Aécio Neves a meio da semana, em sua condição de presidente do PSDB e de integrante das duas bandas de beneficiários do impeachment: “Nosso alinhamento com o governo é para o bem ou para o mal”. Não faz diferença como o governo é e o que dele seja feito. Se é para o mal, também está cumprindo o papel a que estava destinado pela finalidade complementar da derrubada de uma Presidência legítima e de uma presidente honesta.

Não há panelaço, nem boneco com uniforme de presidiário. Também, não precisa. Terno e gravata não disfarçam.

Política, sim
Se divulgar a delação da Odebrecht, como propõe Rodrigo Janot, pode levar à “destruição de prova útil” – como disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima ao repórter Thiago Herdy –, “de outro lado, há o uso de vazamentos para o jogo político, algo que não nos interessa”.

Sem esse interesse, não teria havido os vazamentos. Atos cuja gravidade não se confunde com a liberação particular de informações para jornalista. O inaceitável eticamente nos vazamentos da Lava-Jato é a perversa leviandade com que torna públicas, dando-lhes ares de verdades comprovadas, acusações não provadas, em geral nem postas (ainda?) sob verificação.

Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, por exemplo, proporcionou um desses vazamentos: acusou Edinho Silva e outro petista de receberem determinado cheque, relatando até o encontro para a entrega. O então ministro José Eduardo Cardozo localizou e exibiu o cheque de tal pagamento: o destinatário do cheque nominal era um certo Michel Temer. Mas a Lava-Jato pusera Edinho Silva, secretário de Comunicação da Presidência de Dilma, nas manchetes e na TV como recebedor do suborno da empreiteira.

Otávio Azevedo e outros ex-dirigentes da Andrade Gutierrez estão chamados a corrigir seus depoimentos, porque a delação da Odebrecht revelou que distorceram ou omitiram. E também foram vazamentos acusatórios. Diz a regra que trapacear nas delações as anula. Não porém para protegidos na Lava-Jato, como Otávio Azevedo e Alberto Youssef.

Ficou comprovado que a Lava-Jato e mesmo o seu juiz programavam vazamentos nas vésperas dos dias importantes na campanha contra Dilma e Lula. Só por “interesse político” –evidência que ninguém na Lava-Jato tem condições honestas de negar.

2 Respostas to “Janio de Freitas: Não há panelaços e bonecos infláveis para os acusados do governo Temer”

  1. Aristóteles Barros da Silva Says:

    Meu maior alento vai ser ver o tal de Moro “isso não vem ao caso”, sentado no banco dos réus. Isso se, antes, o preclaro não se escafeder para os braços dos estadunidenses, seus amos e senhores!

  2. Geraldo Franco Says:

    AOS POUCOS O POVO ESTÁ APRENDENDO COM QUEM ELE PODE CONTAR, É SÓ UMA QUESTÃO DE TEMPO O DOUTORAMENTO NO TEMA.

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