Antes do anúncio, Alexandre Moraes diz em mensagem que Temer tinha escolhido seu nome para o STF

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A Época já tinha cantado a bola.

Via Folha em 6/2/2017

Em uma troca de mensagens pelo telefone celular, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, diz a uma pessoa que sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal) será anunciada pelo presidente Michel Temer às 19 horas de segunda-feira dia 6/2.

“Hoje, lá pelas 19h00, o Presidente indicará meu nome para a vaga do Supremo Tribunal Federal. Se Deus quiser, em pouco tempo”, diz trecho digitado pelo ministro. Logo depois, ele começa a escrever sobre a sabatina que tem de ser realizada pelo Senado para que seu nome seja aprovado.

Um interlocutor identificado como Vivi responde: “Tanta gente me parabenizando kkkkk”. “Não sei nem o que responder”, emenda.

A troca de mensagens ocorreu durante um evento no Palácio do Planalto.

[…]

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TEMER INDICA ALEXANDRE DE MORAES PARA VAGA DO STF
Via Agência Brasil em 6/2/2017

O presidente Michel Temer indicou na segunda-feira, dia 6/2, o atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O anúncio foi feito há pouco pelo Palácio do Planalto por meio do porta-voz da Presidência, Alexandre Parola.

De acordo com Parola, o presidente decidiu submeter o nome de Moraes à aprovação do Senado tendo como base o seu currículo. “As sólidas credenciais acadêmicas e profissionais do dr. Alexandre de Moraes o qualificam para essa elevada responsabilidade no cargo de ministro da Suprema Corte no Brasil”, disse o porta-voz.

Com a indicação, Moraes é o nome do governo para substituir o ministro Teori Zavascki, que morreu em um acidente aéreo em Paraty (RJ) no último dia 19 de janeiro. Para assumir a vaga, ele precisa antes ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, depois, aprovado pelos senadores.

Nesse fim de semana, Temer se dedicou às últimas conversas com amigos e auxiliares sobre a escolha do nome. De acordo com pessoas com acesso aos gabinetes da Corte, Moraes foi apoiado pelo ministro Gilmar Mendes, que chegou a trabalhar informalmente pela sua indicação junto ao presidente.

Carreira
Moraes está à frente do ministério desde maio de 2016, quando Michel Temer assumiu interinamente a presidência da República durante o processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Advogado e jurista, ele é autor de dezenas de livros sobre Direito Constitucional e livre docente da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), mesma instituição pela qual se graduou, em 1990, e se tornou doutor, em 2000.

Antes de ser ministro, Moraes foi secretário de Segurança Pública de São Paulo, cargo para o qual foi nomeado por Geraldo Alckmin em dezembro de 2015. Antes, entre 2002 e 2005, na gestão anterior do governador tucano, ele ocupou a Secretaria de Justiça, Defesa e Cidadania paulista.

Além dos cargos no governo estadual, ele ficou conhecido como “supersecretário” da gestão de Gilberto Kassab na prefeitura de São Paulo, quando acumulou, entre 2007 e 2010, os cargos de secretário municipal de Transportes e de Serviços, tendo presidido ainda, na mesma época, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a SPTrans, empresa de transportes públicos da capital paulista.

Herança
Se for aprovado pelo Senado, Moraes deve assumir o acervo de 7,5 mil processos que estavam no gabinete de Teori Zavascki, exceto as ações da Operação Lava-Jato. Entre as ações estão pautas como a descriminalização das drogas, a validade de decisões judiciais que determinam a entrega de remédios de alto custo para a população e a constitucionalidade da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Moraes deverá ser o revisor dos processos da Lava-Jato no plenário do STF e ocupará a Primeira Turma, composta pelos ministros Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Rosa Weber e Marco Aurélio.

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MORAES, UM BRUCUTU-COMPADRE NO STF, COLOCA O TRIBUNAL SOB SUSPEITA
Fernando Brito, via Tijolaço em 6/2/2017

O Estadão publica hoje a estranha ironia de que o ministro da Justiça de Michel Temer tenha, em sua tese de doutorado, registrado sua visão de que era incompatível com a isenção do Supremo Tribunal Federal a indicação de pessoas que ocupassem ministérios do presidente que estiver em exercício.

Como se sabe, Alexandre de Moraes vem sendo apontado como um dos possíveis indicados por Michel Temer para a vaga aberta pela morte de Teori Zavascki, o que o tornaria mais um dos nem tão raros “esqueçam o que escrevi” do PSDB.

Mas a indicação não é suspeita porque Moraes seja ministro, simplesmente.

É que Moraes é da cota de quem virou ministro por íntima ligação pessoal com Temer, tanto que, já nos dias anteriores ao golpe, ele era o único – além dos operadores apontados nos depoimentos da Odebrecht, Primo, Babel e Angorá – com presença garantidíssima no governo.

Nem é preciso que aqui se diga os mistérios que ligam ambos e que o mantiveram no cargo mesmo quando até o Estadão dizia que ele era “insustentável” ali e que só o “compadrio com Temer o garantia:

O maior problema é a inaptidão de Alexandre de Moraes, cuja vocação para o exibicionismo não combina com a discrição que o cargo de ministro da Justiça exige. Essa inclinação já havia ficado clara quando Moraes transformou em espetáculo a prisão de suspeitos de planejar atentados terroristas durante a Olimpíada, amplificando a ameaça em vez de tranquilizar a sociedade.

Mas só se surpreende com Alexandre de Moraes quem não o conhece. O paulistano teve a oportunidade de experimentar seu modo atabalhoado de trabalhar quando ele foi o “supersecretário” do prefeito Gilberto Kassab, entre 2009 e 2010, acumulando funções nos Transportes e nos Serviços. Naquele período, anunciou decisões sem comunicá-las ao chefe, teve de voltar atrás de medidas apressadas que atrapalharam o trânsito e, em meio a enchentes causadas pelo acúmulo de lixo em bueiros, disse que a cidade estava mais limpa do que nunca.

Só velhas relações de compadrio podem explicar como o dono desse desastroso currículo virou ministro da Justiça.

A se confirmarem as notícias dos jornais de hoje [6/2], explicarão também que vire ministro do Supremo.

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