Em Davos, Janot foi festejado por presidente paraguaio acusado de tráfico de drogas e evasão de divisas

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Janot é festejado pelo presidente Horácio Cartes.

Kiko Nogueira, via DCM em 18/1/2017

Rodrigo Janot está entusiasmadíssimo com sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos.

O personagem que surge das entrevistas que deu sobre a viagem guarda uma semelhança com o pintado por seu ex-amigo, atual desafeto, Eugênio Aragão, subprocurador e ex-ministro da Justiça.

Segundo Janot, o convite se deveu “à curiosidade quanto ao exercício no Brasil de combate à corrupção”.

Ao Valor, teceu considerações sociológicas sobre modelos econômicos. “O que se quer é evitar o capitalismo de compadrio, a cartelização, assegurar a concorrência, a eficiência econômica e o desenvolvimento tecnológico”, disse.

“A Lava-Jato é pró-mercado”, cravou. Um salve para você que achou que era pró-Constituição e pró-Estado de Direito.

Janot estava lá representado um governo afundado em escândalos, com presidente citado mais de 40 vezes em delação e seis ministros a menos em oito meses.

Mas a maior contradição, e especialmente emblemática do passeio, foi a cena do encontro caloroso com um oligarca sul-americano controvertido.

Clóvis Rossi, em reportagem baba ovo na Folha, escreveu que o Fórum “abraçou” a Lava-Jato.

Reproduzo um trecho:

O abraço foi tão apertado que o chanceler paraguaio Eladio Loizaga fez questão de puxar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para uma “selfie” com seu chefe, o presidente Horácio Cartes.
Pouco antes, Cartes qualificara de “histórica” a Lava-Jato, em um debate sobre o futuro da América Latina em que Janot nem sequer estava inscrito para falar.

De acordo com Clóvis, o procurador-geral da República citou a cooperação com países latino norte-americanos como uma das chaves de seu sucesso. Destacou o Paraguai.

“O que está acontecendo no Brasil com o Ministério Público é um exemplo para o mundo”, saudou Cartes. Clóvis registra que o paraguaio foi acusado de ser o principal responsável pelo contrabando de cigarros falsificados para o Brasil. “Mas o ruído amenizou bastante depois da posse e nos anos mais recentes.”

O ruído amenizou (?!), mas a ficha corrida não desapareceu com o vento. O cidadão que festejou efusivamente Rodrigo Janot está envolvido em uma nuvem de contravenções barra pesada.

Um dos homens mais ricos do Paraguai, filiado ao conservador Partido Colorado, Cartes é presidente de um conglomerado que produz bebidas, cigarros, charutos, roupas e carnes, além de gerenciar centros médicos.

Em 2000, a polícia encontrou um avião com registro brasileiro em sua fazenda, levando um carregamento de cocaína e maconha. A presidente de seu partido, Lilian Samaniego, sugeriu que ele tinha vínculos com o narcotráfico.

É suspeito também de lavagem de dinheiro através de operações em seu banco, conforme vazamentos do WikiLeaks.

Em abril de 2013, a IstoÉ publicou uma matéria sobre sua parruda ficha criminal, “conservada em absoluto sigilo há quase dez anos na residência de uma autoridade da Justiça daquele país”.

Ela inclui “prisão por evasão de divisas e processos por falsidade ideológica, falsificação de documentos e estelionato”.

Como soi acontecer, é um bastião da moralidade. Durante a campanha, declarou que “atiraria nos próprios testículos” se tivesse um filho gay.

Levar um abraço apertado e um sorriso dobrado de Cartes não parece a coisa mais recomendável. Nem em Asunción.

***

JANOT, TENHA VERGONHA DE SER UM USURPADOR
Fernando Brito, via Tijolaço em 17/1/2017

Lê-se na Folha que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai falar amanhã a uma platéia de empresários que “Operação Lava-Jato, que ele comanda e já mandou para a cadeia um punhado de executivos de grosso calibre, não é um ataque ao capitalismo”.

Eu procurei na Constituição e na Lei Orgânica do Ministério Público para ver se havia alguma atribuição semelhante na legislação ao que vai fazer o doutor Janot e não encontrei nada ligeiramente assemelhado, ao contrário.

O Ministério Público não tem funções de representação econômica ou diplomática.

Nem, muito menos, com defender o “capitalismo” ou o “socialismo”, seja para empresários ou para sindicatos.

No máximo este papel caberia ao ministro da fazenda, das Relações Exteriores ou da Justiça – o que, neste caso, nos leva a dar graças que não esteja sendo exercido.

O nome de quem toma a si uma representação que não é sua é, em português claro, o de usurpador.

Daqui a pouco, quem sabe, teremos o doutor Sérgio Moro, em Davos, garantindo aos empresários um terreno seguro para investir, depois do “arrasa” feito nas empresas brasileiras pela corrupção que as lá de fora praticam em igual gênero, número e grau.

Ou a Rolls Royce, que firmou acordo por suas propinas, é de Araraquara?

Mas o doutor Janot, com passagens e estadia pagas pelo Erário, está lá na Suíça, desfilando a sua vaidade.

Oficialmente, as intervenções de Janot se inserem num “âmbito do que o Fórum batizou de Paci [sigla em inglês para Iniciativa de Parcerias contra a Corrupção]”.

Só que o Forum não é uma entidade diplomática, mas um evento privado, financiado pelas mil empresas-membro da instituição.

Parece um destes encontros de juízes numa Comandatuba sobre os Alpes.

Cordilheira que, como se sabe, não é tão alta quanto as vaidades e sedes de poder do Judiciário e seus apensos, hoje, no Brasil.

Uma resposta to “Em Davos, Janot foi festejado por presidente paraguaio acusado de tráfico de drogas e evasão de divisas”

  1. Marco Sousa (@Carcarancho) Says:

    O “presidente” é irmão gêmeo do mesmo ilegítmo, aqui do Brasil, foram paridos pela mesma BESTA FERA DOS INFERNOS, os EUA para a América Latina!.

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